sábado, 5 de janeiro de 2008

... as gordas!!!...

... estou na fossa!!!...




… estou na fossa, em baixo,
como pretendam, como entendam,
cabisbaixo,
é bom que compreendam,
pouco me importa,
nas tintas, revirado do avesso,
confesso,
sem paciência, de cara torta,
por inconveniências, excrescências,
biltres aviltantes,
minudências,
algo pesporrentes, extravagantes,
sem crédito algum,
de somenos valia,
comezinhos,
todos juntos… não valem um,
tão pouco valor, nenhuma simpatia,
bacocos, tropeços… reles escaninhos!!!...

… não é meu jeito,
não possuo tal defeito,
creio que não me estou… ultrapassando,
quando me aquieto, pensando,
sem jeito,
abismado e inquieto,
não travesso, como gosto,
mais parado, contrafeito,
sentindo-me maldisposto,
por uma simples banalidade,
diga-se de verdade,
nestas atitudes, nestes dizeres,
nestas posturas… nestes escreveres,
falsas confirmações, aversões,
da dualidade que em mim existe,
que persiste,
que teima, como tormento,
que me persegue, que me segue,
como maldição, não afirmação,
sombra de quem segue
um destino… uma ilusão,
uma sociedade a esmo, incólume,
com toda a gente, sem fome,
risonha, sorridente,
na esperança, uma ambição que se sente,
um objectivo… bem activo,
persuasivo!!!...

… quanta razão,
quanta justificação,
para a fossa em que me sinto,
podem crer, não minto,
quanto desgosto,
quando me ponho maldisposto,
quanto sofrimento,
no momento,
cabisbaixo e tristonho,
quando assim me ponho,
quando deixo de ser, como sou,
alguém que acabou,
que se sente revirado do avesso,
tão contrário, quando comparo e penso,
sobre gentes e vidas,
calcadas, ultrajadas, mal digeridas,
depois de comidas,
vilmente enganadas, claro,
sem antropofagia, é evidente,
numa de tramas e manhas,
não é raro,
é norma, em tanta gente,
a das mentiras… tamanhas!!!... Sherpas!!!...

... estive lá!!!... (antiga)



...estive lá, como encomenda, como carne para canhão, como abençoado pela igreja, à partida, como tantos outros da minha geração, como geração cerceada, nos melhores anos da existência, como vítima, como militar sem vocação, como um trapo que se deita para qualquer canto, como número abstracto, no meio de tantos outros números... estive lá e, tive sorte em regressar, como tantos outros... estive lá e não perdi a grande benesse de continuar vivo, regressei inteiro, com lembranças, boas e más, de tudo o que vi, estive lá e espantei-me, aliás como todos que tiveram o privilégio, embora forçados como eu, de contactar com aquelas pessoas, aquelas paisagens, aquele continente:

- Terra bendita, abençoada/plena de cheiros e sabores/de calma aparente, sossegada/de tardes abafadas e quentes/de frescos e orvalhados amanheceres/de grandes e fascinantes entardeceres/prenhe de vida, tão variada/na cor das suas gentes/na vegetação plena ou ponteada selva virgem onde te sentes/confuso, perdido, pequeno/um ponto insignificante, sem valor/um escarro, um ser obsceno/perante a grande obra do Senhor/na savana imensa que se alonga/coberto pelo capim que nos apaga/nesta tão vasta terra que se prolonga/por todo um continente que nos afaga/que nos acolhe e nos oferece/tudo ou quase tudo que se não paga/que se aceita e não se merece/terra de vãs cobiças, de ambições eternas/madrasta dos filhos que vai gerando/dos que perde em tantas guerras/dos que massacra e vai matando/terra do calor que nos conforta/das tempestades que nos assustam/dos ruídos, da matéria morta/dos carnívoros que nos buscam/da beleza pura, tão natural/das espécies várias que se cruzam/no seu enorme reino animal/enciclopédia viva, complexa, fremente/lar ilusório que se afasta/dos nossos olhos, da nossa mente/porque se destrói, porque se gasta/terra de África, terra africana/onde se nasce, onde se morre, onde se mata/terra de selva, muita savana/terra de bens, rica, explorada/nas gentes, nos solos, no coração/terra de tanta gente enganada/terra de ódios, amores e paixão!...

...outros, foram muitos, bastantes, não regressaram e se o fizeram, ficaram marcados, negativamente, para o resto das suas vidas...as pessoas, na altura, pouco valiam e eram usadas com uma desfaçatez assombrosa, altamente revoltante...não lhes davam importância, tal como agora o estão tentando fazer...os direitos humanos não existiam, nem para os naturais, os africanos, nem para os expedicionários forçados, razão pela qual os filhinhos de papá se ausentavam para outras paragens, os mais esclarecidos na altura, batiam a sola para o estrangeiro, com toda a razão...por ignorância minha, fui apanhado na rede e, para lá me enviaram...tive sorte, regressei...vim mais rico...choro, quando vejo nas tv,s, o que estão fazendo ao continente africano, o que sempre fizeram...tem sido um massacre contínuo onde as razões, não têm razão...não há riquezas, matérias primas, ganâncias que justifiquem tanta insensatez e insensibilidade...sinto-me revoltado, envergonhado, pequenino, no meio de tanta canalhada mas, como insignificante, vulgar e anónimo cidadão deste País, pouco ou nada posso fazer perante a catástrofe africana que se arrasta e...não acaba... Sherpas!!!...

... as gordas!!!...

... escrever como erupção...



… escrever, como erupção dum vulcão,
como torrente de lava que se espalha e queima,
como massa incandescente, fervilhante, que se derrama,
magma petrificada,
depois de expelida, vomitada,
causadora de medos, horrores,
de fugas, de pavores,
provocando ajuntamento, multidão,
inquieta. temente, que não teima,
desiste, foge, enquanto clama,
se agita, grita, temerosa,
com alguns haveres, chorando,
pregando os olhos, recuados, vidrados,
num lar que deixa, arrastando
dores, sofrimentos, lamentos,
numa corrida desenfreada, aloucada,
alguns, parados,
numa atitude muda… congelada!!!...


… intervalo, como quando sobejo,
como quando paro,
quando quero, quando vejo,
quando reparo,
criação, inventiva, imaginação,
não sai do âmago, onde sinto,
este torvelinho que me anima,
que me impulsiona, me empurra,
me chuta, faz rolar,
como lava que se espalha, queima,
quando rola na encosta, nos cai em cima,
nos perturba, nos agita,
turba imensa que não pensa,
temerosa… grita,
como uma chama… tão intensa!!!...

… quem avalia a emoção, a poesia,
quem se atreve, quem intenta,
quem compara, não repara,
quem denigre, hipocrisia,
quem contém tal corrente,
quem justifica sentimentos,
que estalam, que rebentam no momento,
pobres asnos, repelentes, quando zurram,
paro e penso, não reparam
que a lava incandescente,
tudo incendeia, não massacra,
já rocha dura e firme,
mais se afirma, quando passa,
deixa marca profunda em muita gente,
que se não subjuga, quando sente,
porque a erupção é tremenda,
dá frémitos e gozos,
quando enfrenta… sem repousos!!!...Sherpas!!!...

... escumalha!!!...



… ninguém gosta, está provado,
todos detestam, não consentem,
mesmo os postos de lado,
os que querem, pretendem,
sair dos guettos que os acolhem,
desde pequenos, já quase homens,
naqueles antros que os consomem,
sendo tratados como escória,
disso nos reza a história,
quando se quer, se tem fome,
de conhecimentos, de eventos,
de prazeres, de momentos,
como seres humanos que são,
embora… doutra condição!!!...


… sem dinheiros, sem espaventos,
tratados abaixo de cão,
como lixos, como borras,
com raivas… gritos, choros,
provocando tumultos, refregas,
enfrentando o estabelecido,
levando sempre consigo,
um sonho, uma esperança,
miragem que se não alcança,
querendo liberdade inteira,
responsável, verdadeira,
um emprego, segurança,
deixando de ser escumalha,
qualquer espécie de tralha,
resíduo, refugo, ralé,
incluídos, como os outros,
sem serem… de trapo no pé!!!...


… apontados, por quem nomeia,
por quem, com palavra, incendeia,
ódios, recalcamentos, frustrações,
tanta quebra de ilusões,
provocando instabilidade,
guerra civil, incomodidade,
alterando a pacatez,
ultrapassando a sensatez,
numa adversidade perversa,
não fraterna, tão avessa,
pouco igual, tão diferente,
do fraco, do pesporrente,
tão iguais… como gente!!!... Sherpas!!!...

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

... as gordas!!!...

... num recanto da chaminé!!!...

… num recanto da chaminé,

ronronando,

gato enrolado,
cinzento ou pardo,
não distingo,
luz da chama que consome lenha de azinho,
alguns gravetos tirados dum canto,
que me aquece, na que me arrimo,
noite gélida lá fora,
escuridão,
tirito, penso,
quase sem alento,

olhando,

cozinha alentejana,
espaço amplo,
cadeira baixa forrada de bunho,
um que outro banco,

solidão,

pequenos estalos se ouvem,
faúlhas que saltam com algum estrépito,
fumos que saem,
enrolam por aquele tubo,
presença que se denuncia,
pensamento solto,
gato dormindo,

ali ao pé,

noite fria,
boa companhia,
um do outro!!!...

… longe vai o Verão,
dias de Sol intenso,
quanta animação,
por ali na ribeira,
saltitando,
sentados no chão,

sorrio,
quando lembro,

num passar tempo descontraído,
usufruindo,
oiço o rumorejar das águas que passam em torvelinho,
num cântico baixinho,
seguindo o seu destino,
depois da chuvada que se abateu,

quando choveu
ainda temi,

acalmou,
sosseguei,
recolhi,
empilhei uns troncos no lajedo,
peguei num fósforo,
aguardei,
logo se acendeu
fogo aconchegante,
luz bruxuleante,
afago esperado,
desejado pelos presentes,

gato que se espreguiça,
enquanto atiça,
passa seu lombo curvo, enriçado, pelas minhas pernas,
dengoso,
afectuoso,

agradecido,

já sentado,
olhei para ele,
enrolado,

ronronando,

agradecendo aquele calor provocado,
cozinha enorme,
lareira antiga,
chaminé com fogueira,
mobília reduzida,
uns bancos… uma cadeira,
gélida a noite,
frio de rachar,
sabe bem aquele estar

em solidão,

pensando no Verão,
sorrindo… com afeição!!!... Sherpas!!!...

... nostalgia e memória!!!...




…nostalgia e memória, pelo olhar melancólico de quem… já viu, já sentiu outras coisas, na sua vida!!!... Concordo contigo, não por concordar, para te incentivar ou qualquer outra coisa do género, contemporizar, apenas… pelo simples facto de querer sê-lo!!!... Estou na mesma linha de pensamento, ao recordar episódios de há muito, na minha vida… vividos, como se fora hoje!!!... Parece que estou a vê-los, era eu criança, havia poucos automóveis e os meios de transporte eram mais à base de tracção animal, de burros, de machos, de mulas, de cavalos, de bois… qualquer quadrúpede, servia, na altura!!!... O piso das ruas pejado de excrementos, pelos ares… um odor apropriado, vai para cinquenta e tais anos!!!... Muita fruta, meu Deus!!!...

… na minha santa terrinha, havia um homem, já de idade, pelo aspecto, não pelos anos… entre os trinta e os quarenta, sofrido, mal comido, com uma rebanhada de filhos, aguadeiro de profissão, companheiro dum burro, que o servia…pacientemente, com canga apropriada, onde carregava quatro cântaros grandes de metal, latão… para ser mais preciso!!!... Era o trabalho dele, a sua tarefa diária… entre caminhada e caminhada, entre a fonte, lá para a serra, afastada da vila, água com outro sabor, um primor, com muitos apreciadores… diga-se, e a povoação, onde apregoava o produto, é evidente, vendendo, por meia dúzia de patacos, o precioso líquido!!!...

… como já mencionei, o homem em questão tinha família numerosa, vivia no meio de muitas dificuldades, pelo pouco que ganhava, pelo número de filhos que tinha!!!... A sua única distracção, no fim do dia de labuta… era a tasca, junto da qual parava o burro, solto, sem estar amarrado a nada!!!... O dono entrava no local, satisfeito, boçal… pensando de antemão, noutro líquido, no tinto, copo atrás de copo, que emborcava, enquanto falava e gargalhava com amigos, adeptos de tal desporto, claro!!!... Fora, solto, como se nada… o burro, de olhar meigo, enigmático, pensativo, quiçá, pacientemente, aguardava!!!...

… o tempo ia passando, o burro esperava e… o dono emborrachava-se!!!... A cena repetia-se, no dia-a-dia!!!... Embriagado por completo, com a ajuda dos parceiros das libações alcoólicas, sem consciência, totalmente fora da realidade, sentia-se içado, era colocado, a custo, em cima do lombo do asno!!!... Bonacheirão, paciente, sem um gemido, sequer… o bicho (… sem desprestígio, simples expressão!!!...), aguentava!!!... Os companheiros, depois de verem o aguadeiro bem sentado, seguro… davam uma palmada no pobre do animal e, com o arre burro do costume, este, encaminhava-se docemente, com movimentos lentos e cadenciados até casa do seu dono, onde parava, raspava os cascos, fazendo som, dando sinal!!!...

…a mulher do vendedor de água fresquinha, da fonte da serra, quando ouvia os pés do animal a rasparem nas pedras da calçada, abria a porta, descia os degraus e… forte e robusta, com palavras azedas, amargas, com raios e coriscos, num português de época, apropriado… bem ao jeito, a preceito, abraçava o corpo inerte do marido, adormecido, embriagado por completo, apeava-o, levava-o para dentro de casa!!!... Depois de o meter na cama, num lugar qualquer, de o arrumar… sempre barafustando, ralhando com o marido, com a vida dela, com a tasca e com os companheiros de bebedeiras do dito, vinha à rua, tirava os cântaros vazios, a canga, os arreios… ao pobre do burro, dava-lhe uma palmadinha de reconhecimento e… este, com os seus vagares entrava por um portão, ali ao lado, para um casão, onde tinha a ração, na manjedoura, onde estendia seu corpo cansado no chão!!!... Era assim, todos os dias!!!... Estou escrevendo o que via, estou vendo o que vivia, na altura, como se fosse agora, como se fosse hoje!!!... Estas imagens ficaram-me gravadas na memória, deram-me conhecimento de vida, ensinaram-me a respeitar muitos daqueles que… muitos de nós, depreciativamente, denominamos de animais, de irracionais, por aí fora… sem nos visualizarmos, sequer!!!...

… não é ficção, nem com o intuito de te ir ao jeito, não é essa a minha postura… era a realidade de vida, na altura, numa vila alentejana do passado, com os cromos da época, pois então!!!... Figuras típicas… de há cinquenta anos e tal, memórias minhas e de burro, também!!!... Abraços do Sherpas!!!...

... as gordas!!!...

... há estratégias!!!... (antiga)




…há estratégias … mais conseguidas, mais seguras???... Por enquanto são
incógnitas, que terão resposta, daqui por duas semanas, é evidente!!!... Fazer política, com base na mentira, com base na promessa, com base no boato, indo desenterrar fantasmas, os do passado, falando constantemente num que fugiu, esquecendo outro que… fez o mesmo, é descaramento!!!... Fazer política, denegrindo e insinuando, sobre figuras ou figurões dos contrários, não deixa de ser caricato, especialmente na altura em que nos encontramos, num beco, sem saída, de rastros!!!... Só desejamos uma coisa, por parte dos dois bandos mais importantes, que nos esclareçam, que nos digam, sendo claros e transparentes, tanto nos pavilhões, protegidos… quiçá do frio, da chuva, para mostrarem que são muitos, como nas praças, nas ruas, nas feiras e nos mercados, cara a cara, frente a frente, ao mesmo nível, simplesmente, porta a porta, inclusive, ouvindo e respondendo, sem medo, quais as razões, quais os feitos, quais os defeitos, sem peias… os mais recentes, os destas gentes, os de gestão, os congelados ao longo destes três anos, e os opositores, alternativa… porventura!!!...

… com meias tintas, com fugas e fintas, indo buscar ao passado, estilhaçando telhados alheios, esquecendo os de vidro, os que se possuem, muito próprios, muito idênticos…é parvoíce, palermice!!!... O Povo não esquece… antes, desilude-se, perante atitudes destas, com petas e logros, pantominas gritadas, ou não!!!... Bater no ceguinho, no de sempre… é mania, torna-se doentio, muito mais quando se tem quadro idêntico, pertinente, numa fuga para a frente, ainda tão recente!!!... Durão foi para Bruxelas, esteve-se nas tintas para Portugal e para os portugueses!!!... Guterres fugiu porque… já não podia aguentar a oposição mais baixinha e ordinária que já alguma vez se viu, a do que fugiu para Bruxelas!!!...

…para quê, tentar tapar o sol… com a peneira???... Falem sobre os últimos três anos de desgoverno, sobre as suas consequências, assumam!!!... Aprofundem as doenças graves que padecemos!!!... Apresentem as soluções, tanto os de gestão, como as oposições!!!... Os políticos servem para isso mesmo, para esclarecerem, para dizerem… como vão resolver!!!...

… deitar abaixo, ir buscar fantasmas do passado… não lembra nem ao Diabo!!!... Continuaremos, eternamente… num choradinho, bacoco, sem sentido, imprestável, pouco responsável, enganador, confuso, esquisito???... Isto… não é campanha política, é luta de galos!!!... Que se culpem os presentes… deixemos os ausentes!!!... Ou então, enrolemos todos no mesmo barco, quando se fala no que fugiu, antes falar nos que fugiram… um e outro, rosa e laranja, pelas razões que bem entenderam, claro!!!... A fuga, ficou com eles!!!...

… falemos da última governação, a dos três anitos passados, com resultados positivos, negativos, com receitas, com gastos, com fugas ao Fisco, com competências, com o inverso, com responsabilidades… assumidas ou não, eis a questão!!!... Tudo o resto…são tretas!!!... Sherpas!!!...

... fantasma de mim próprio!!!...




… fantasma de mim próprio,
quando me escondo, me refugio,
perante a ganância, o opróbrio,
a mentira, a desfaçatez,
quando nego o que não quero,
a incúria, a malvadez,
o que não entendo, não espero
quando rejeito, por defeito,
fantasmas que me perseguem,
que me rodeiam, que me seguem
quando me afasto, renuncio,
a maus feitios, a maus génios,
a palavrões, a impropérios
quando enfrento o que denuncio,
culpas gravosas, nódoas aviltantes,
gentes baixas, degradantes
quando me culpo, dos males deste Mundo,
procuro, indago,
fico sério, desconfiado,
quando intento ir ao fundo!!!...


… afasto fantasmas cruéis,
protejo fracos, débeis
quando desprezo, não aceito,
extraordinários, possessos,
poderosos, com processos,
quando não ligo, não consigo,
afastar meu pensamento,
castigo-me, lamento,
quando escrevo, sem saber,
falo de coisas à toa,
duma flor, duma ave, de coisa boa,
quando delato, quando berro, quando grito,
tento revirar o torto,
endireitar, levar a bom porto,
quando me reduzo, não produzo,
entristeço, choro, por vezes,
são contratempos, reveses!!!...


… quando penso, quando encanto,
amo com intensidade,
louvo a honra, a verdade,
quando disfarço, quando rio, quando canto,
encaro o que me rodeia,
como uma dádiva, panaceia,
quando sinto, quando me espanto,
revolteio de prazer, de gozo,
fantasma com outra alma,
bem alegre, bem disposto,
quando me apraz, quando tento,
preencher este vazio,
quando escrevo, quando sorrio,
fantasma de momento,
quando vejo, quando sinto,
me encontro, me engrandeço,
paro, olho… agradeço!!!...


… quando falo, quando não minto,
fantasma, poeta, escriba,
verbo que se arruma, que se arrima,
que se acolhe, que não escolhe,
que pretende um País melhor,
um cantinho equilibrado,
solidário, mais amado,
quando converso, quando acerto,
cresço um palmo, faço-me maior,
esquecendo o inútil, o pior,
quando me entrego, sem preço,
sinto, por mim, maior apreço,
fantasma que se passou,
quando me dou… tal como sou!!!... Sherpas!!!...

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

... as gordas!!!...

... estendidos no chão!!!... (antiga)

E vós, ó bem nascida segurança… da Lusitana antígua liberdade…

… vindo da sua residência privada, numa pressa, bem acomodado na sua viatura de topo, espelhada… com aquele cheirinho a couro, refastelado nos assentos de trás, com chauffeur apropriado, rememorando a jantarada de ontem no meio daquela gentalha forrada, num hotel de classe superior, como gosta… tal como a roupa que usa, último grito, um primor, sentindo-se centro de todas as atenções!!!... Maravilha!!!… Quando ainda dava os primeiros passos no mundilho da política, ainda com alguma ideologia, já desfeita, agora mais real e concreta, pouco aberta… neste Portugal repleto de falatórios e invejas, desconfiado e desconfiando sempre, contente do seu papel que lhe caía bem… quem lhe diria que, tal aconteceria!!!...

E vós, ó bem nascida segurança… da Lusitana antígua liberdade…


… sombra móvel, rápida e segura, bem escura, reluzente, sem dar por nada, avenida acima, escoltada, avenida abaixo, noutros sentidos!!!... Quando assim vai não costuma olhar, sequer… para os esquecidos, para os pobres mortais, para os vulgares, de pé… junto a um café, estendidos no chão, sentados num jardim, encostados a uma porta, desempregados, deitados e sem objectivos definidos, andando de cá para lá, numa azáfama constante, ganhando quase nada, tirando para a bucha e… pouco mais!!!... Portuguesinhos pequeninos, seus súbditos… pensava, como se fora rei, quase monarca passado, pela maioria que lhe tinham ofertado aquando das eleições, sem preocupações… para isso tinha uma quantidade exagerada de assessores, de pensadores, de escrevinhadores de discursos, de conselheiros sempre ao jeito e… em último caso, tinha todo um partido, assim tinha ficado determinado no Fórum em que botara palavra, em que os tinha convencido, mais uma vez!!!...

E vós, ó bem nascida segurança… da Lusitana antígua liberdade…


… enquanto pensa na reunião, nos discursos tão elevados, lá em cima, no pavilhão frente a plateia de estadão, gentes finas, refinadas, assistência que se prevê, mais uma vez sorri, enaltecido com ele próprio, nada preocupado com aquelas moscas ou moscardos, à volta do que se vê, quando se crê centro de tanta atenção!!!… Que estadão, que situação de privilégio, já pensando na voltinha que irá dar a um grande País do Oriente, tratado com todas as deferências, sorrindo, sorrindo sempre… bem envolvido pelos que pensam por ele, que estão sempre com ele, que o trazem ao colo, que o orientam, que lhe sopram aos ouvidos todos e quaisquer ruídos, que lhe ventilam opiniões, que lhe tratam das questões fáceis ou difíceis, que o preparam na hora, que o posicionam quanto a ângulo mais favorável por causa do boneco que há-de aparecer nas televisões, quanto a respostas que há-de dar depois de sabidas as… perguntas, todas juntas ou aos poucos, logo se verá, na altura!!!...


Vós, poderoso Rei, cujo alto Império… o Sol, logo em nascendo, vê primeiro…


… por agora, que jubilo, que emoção, ali ao lado, de passagem… enrolados em papelão,
manta suja, já rota, negação de quem não é, coisa pouca, vencidos, vulneráveis, esquecidos, quase transparentes pelas penúrias, neles… seu olhar não se detém, outras gentes, sem dinheiro, sem vintém, deitados no chão… rendidos!!!... Nunca viu um ministro andando a pé, falando com um indigente, com um mendigo ou… sentado na mesa dum café, frente a pessoas vulgares, misturado, sem seguranças, bem longe das contradanças, dos folclores concertados, das palmas, dos foguetórios, dos hotéis com tantas estrelas, dos negócios congeminados, das inaugurações, envoltórios, das câmaras das muitas telas… ia pensando enquanto se ia dirigindo para o seu destino!!!... Como chefe de todos os ministros fazia o seu papel, um regalo, doce sabor, que vigor… quando rodeado pelos parasitas que o alimentam, pelas vaidades que o aumentam, pelas mordomias que ostenta, quando intenta governar, assessorado pelos bem pagos, tão longe da realidade, dando a cara… fazendo de conta, na hora!!!...


Vós, poderoso Rei, cujo alto Império… o Sol, logo em nascendo, vê primeiro…


… fazem figura de parvos, quando se manifestam, quando gritam, quando esbracejam, quando cantam seus desvarios, quando passam, bem longe da crua verdade, esfomeados amalgamados, os esquecidos… mais que vencidos!!!... Vezes por outras, quando se excedem… incomodam, um facto!!!... O outro lado da moeda, coisa que se leva de vencida com mais uma promessa adequada, ligeiramente disfarçada, mantendo o tom, mantendo o dom, mantendo a mordomia em que se encontra, mais o parceiro com quem se reúne semanalmente, muito igual e distanciado do simples mortal, sua referência… entre outras já passadas!!!...


Vós, poderoso Rei, cujo alto Império… o Sol, logo em nascendo, vê primeiro…


… eles aí vão, com buzinas que avisam… vai passando a excelência, com exigência, com urgência, calcando terreno que pisam, pensando, com determinação, naquela reunião, na câmara de televisão, na tirada de momento!!!… Que deleite, que gozo desmesurado, dinheiro tão bem aplicado em proveito dele, dos seus companheiros de governação, do seu entorno, no dos outros como ele, mais milhão, menos milhão, junto aos endinheirados, multidão dos acostumados, não ligando aos postos de lado, estendidos no chão, ali, naquele canto, rua paralela à avenida, sem trela, pior tratados do que um cão, vida de grande desencanto, com cama de papelão, lençol de papel de imprensa, que se não avalia, não pensa, cobertor roto e sujo, pertença de quem nada possui, não tem, nem dinheiro, nem vintém!!!... A culpa não me pertence, pensava… sempre assim foi e, pelos vistos… continuará!!!...

Vereis amor da pátria, não movido… de prêmio vil, mas alto e quase eterno

… pelos pobres, pelos miseráveis se avalia um País, mesmo este, o que se contradiz, penso eu enquanto o vejo passar no carrinho de serviço, BMW de topo acabadinho de estrear, é norma, é habitual, só ligam quando precisam, depois… passam sem olhar, tão pouco!!!... Esqueçamo-nos dos mais notáveis, dos que progrediram, enriqueceram, dos que, bem sucedidos na vida a levaram de vencida, dos que acumularam, não deram, juntaram mais e mais, se fizeram mais iguais, se alcandoraram, por portas travessas, às recuas, às avessas, por caminhos tortuosos, ínvios… a Poderes incomensuráveis, influenciados por influências, tenebroso Mundo das excelências, manigâncias inacreditáveis!!!... Esqueçamo-los por um momento, penso eu… enquanto o vejo passar, façamos outro pensamento, lembremos os… miseráveis, os que dormem no chão, sobre um cartão, num portal, cobertos por papel de jornal, os que estendem a mão quando pedem um tostão, sem teres, pobres que são… quando os olho, com comiseração!!!...

Vereis amor da pátria, não movido… de prêmio vil, mas alto e quase eterno

… penso que também são Nação, gostaria que os nossos governantes quando passam sem olhar, parassem, descessem do carrão e pusessem os pés no chão, olhassem nos olhos os que são o… inverso dos felizardos, todos bem posicionados, essa gente rejeitada e tosca, gente miserável e infeliz que existe, que aumenta, que dá nas vistas, é que… por eles, se avalia um País, mesmo quando se contradiz!!!... Penso que, com as políticas que se praticam na União Europeia, estes restos que se acumulam por cá, os miseráveis, por lá… em qualquer País da dita, se avolumam a olhos vistos, pelo capitalismo selvagem que se pratica, pelo desemprego que aumenta, pela classe média que desaparece, pela lei da selva que se implementou, pelo triste exemplo que se buscou, do lado de lá do charco!!!... Pobreza envergonhada vai aumentando, miséria que se não disfarça, que dá nas vistas… pelo que ouvi, pelo que tenho lido, soma e segue, uns larguíssimos milhões de estendidos no chão, suplicantes, mendicantes!!!... Para onde te encaminhas… Europa Social???... Dá que pensar!!!... Sherpas!!!...

... estava um dia de... calor!!!... (antiga)




… estava um dia de calor, como tem sido norma, abafado, molengão e eu… com aquele maldito desejo, vontade que me perseguia, desde há uns tempos atrás, recordação de sabores, doutros dias, quando mais novo, em tertúlia amena, doce cavaqueira, com petisquinho a preceito, bem acompanhado de cerveja fresca, em tubos ou imperiais, canecas disparatadas, que bebia voluptuosamente!!!... Sempre gostei… sem abusos, com conta, peso e medida, é evidente!!!... Nunca fui para borracheiras, alegrote, quando muito… vezes por outras, claro!!!...

… e, aquele maldito desejo, me perseguia constantemente!!!...

… fui levar a minha mulher e a minha cunhada à praia, desta vez dispensei o local, o fresco do mar que sempre me maravilha, me encanta, me atemoriza… quando penso!!!... De caminho, com aquela cisma, virei o volante do carro para um determinado cantinho de petiscos e de copos, não me contive, quase fui obrigado, tal a vontade, a recordação do sabor, sozinho, não em tertúlia premeditada, combinada, com intenção de satisfazer apetites, como deve!!!...

… a gula, desta vez… foi mais forte, impôs-se!!!...

… estacionei a viatura pertinho da esplanada, meia tarde, quente e molengona!!!... Dei uns passinhos, entrei, perguntei se tinham o que me andava a perseguir, o tal pitéu, nada mais do que amêijoas, (… das pretas, mais carnudas e saborosas!!!... ) feitas num fiozinho de azeite, com muito alho e coentros, bem temperadas, com molho grosso e guloso, regadas com sumo de limão!!!... Sempre apreciei bivalves, mais estes, preparados à maneira!!!... Disseram-me que sim… exultei!!!... Ia satisfazer um gosto, um desejo, fazer de conta que era novo… de novo, empinar umas imperiais, pois então!!!... Sentei-me, expectante!!!... Olhei ao meu redor e vi que… a dita esplanada tinha pouca gente, dois ou três casais, dois rapazes, mais à frente, ali ao pé!!!...

… lá veio o rapazito, empregado de serviço, com uma imperial fresquinha!!!... Dei-lhe um pequeno sorvo, saboreei!!!... Passado um instante surgiram, como por obra de milagre, as causadoras das minhas agruras gustativas, tão lembradas e desejadas!!!... Tinham bom aspecto, mais um pãozinho torrado… uma maravilha!!!... Há quanto tempo, meu Deus!!!... Sublimação!!!... Fui petiscando e bebendo, não muito… acompanhando, com regra, a esmo, com gosto, deliciado!!!...

… o desejo, foi-se satisfazendo, aos poucos!!!...

… no meio de tudo isto, ali ao pé, surgiram duas velhotas, já entradotas, na casa dos oitenta e tais, ainda brejeiras, desenxovalhadas, cheias de calor, falando em voz alta, uma com a outra!!!... Uma delas encaminhou-se para uma mesa, puxou duma cadeira, sentou-se, convidou a amiga!!!... Esta, temerosa e humilde… ainda recusou, apresentou as suas razões mas, com a insistência da amiga, acabou por fazer o mesmo, comentando para os dois rapazes que estavam por ali!!!... Um deles, sorrindo, fez-lhe um sinal de concordância, incentivou-as!!!... Por lá ficaram!!!... Estava mais fresco, tal e qual!!!...

… entretanto, quando pedi a segunda ou terceira imperial (… não passei desta, garanto!!!...) disse ao empregado para levar duas águas frescas às idosas, para pôr na minha conta, com a recomendação expressa… de lhes dizer que era oferta da casa!!!... Ele compreendeu as minhas razões, assentiu e lá apareceu com duas garrafas de água e dois copos!!!... As velhotas estranharam, perguntaram e o rapazito lá lhes disse o que eu lhe tinha pedido, que era obséquio da cervejaria!!!...

… duas garrafas de água, numa esplanada, numa tarde quente e abafada… para duas velhotas, na casa dos oitenta e tais!!!... Pobres e temerosas, gente humilde… não habituada!!!...

… aceitaram as ditas, recusaram os copos, guardaram-nas no saquito das compras… por lá se quedaram!!!... Terminei o meu repasto, contente comigo próprio, pelo petisco, pelo gesto, pela satisfação dum desejo antigo!!!... Paguei, meti-me no carro… fui buscar a minha mulher e a minha cunhada à praia, ali perto!!!... Coisas!!!...

… Povo que… lavas no rio!!!... Sherpas!!!...

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

... eles matam e... morrem!!!... (antiga)

…somos finitos!!!... Os humanos, os não humanos, todos os seres…nascem, crescem e…morrem, simplesmente!!!... Quanto ao nosso tipo, o mais complexo, por ganâncias, por exacerbamentos, por minudências, por insignificâncias, durante o percurso…descamba, por vezes… comete excessos!!!... Há os que, não se visualizam, os que levados por credos, por ideias…por crenças, se tornam, de qualquer bando, de qualquer quadrante…autênticos predadores!!!... Dão origem a guerras, a conflitos, a terrores e…matam, matam, sem parar!!!... Junto a estes, os mais pequenos, coisas poucas…aplaudem ou rejeitam, delirantes, tentam imitar, renegam, lambem as botas, abanam o rabo, gritam e…berram, seus entusiasmos, suas revoltas!!!... Os predadores, quando no auge, adulados…são excelências, quando matam, quanto a mim…são excrescências, sobras malditas, tão pouco dignas!!!... A eles, às brutas feras, com…desdém, dedico estes meus versos, tristes lamentos, choros…profundos, em prol…das vítimas, é evidente!!!...


…eles matam e…morrem,
quando trucidam com bombas,
quando rebentam… também,
quando mentem, quando zombam,
…eles morrem…os que matam,
quando esquecidos…no pensamento,
quando matam, quando instigam,
assassinos… no momento,
no acto cruel…pondo, no papel,
reunindo, discutindo…como elenco,
a preceito!!!...

…crânios decisores, perversos, autores,
com tiradas arrebatadas, fazedores,
zombies, coisas mortas,
mais que distanciadas,
fracas mentes, fracas forças,
gentes estranhas, apartadas,
fúnebres, feéricas no contraditório,
tristonhas,
gentes que advogam a vida,
rezando… matando!!!...

…posições esquisitas, bisonhas,
formações, mal formadas,
interpretações erradas, de valores,
com seus heróis de pacotilha,
de mentira,
quanto a passados, a feitos, a carnificinas,
chacinas, mortandades!!!...

…rejeição do belo, do harmonioso,
objectivo abjecto, maldoso,
vidas, mortas, logo à partida,
quando desculpabilizantes,
extravagantes…meros farsantes,
tanto agora…como dantes!!!... Sherpas!!!...

... dádivas!!!...




... dádivas, plegárias, entregas preciosas, raras,
conotação com divindade com que deparas,
alquímica formatação duma emoção,
sensação,

labiríntica pedraria que deslumbra,
enormidade que confunde, inebria,
pranto que alonga, ridente,
prazer que tolda razoabilidade,
enigma que derruba, afunda,
lenda que contrai, fantasia,
busca insana permanente,

somos deuses exacerbados por tantos lados
quando nos propomos,
compomos,
esmiuçamos segredos ocultos, tentamos,
revirados,
cientistas loucos do pensamento, ténues como prefixos,
afixos,
titubeantes perante cristalinas lágrimas que tombam,
diamantes, pedaços de carbono puro,
estragos que nos assombram,

parentes chegados do líquido precioso, transparentes,
sempre presentes,
composição do que alteramos, mares abissais,
gregários como corais,
tentamos alquimia como fuga,
transformação,
transmutação!!!... Sherpas!!!...

segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

... estás em mim!!!...




…estás em mim,
sempre estiveste,
agora, penso mais em ti,
desde que me deixaste,
sinto a tua falta,
quanto vazio… eu sinto,
desprotegido,
débil, enfraquecido,
não minto!!!...

…companheiro,
de todas as horas,
amigo, por inteiro,
pai… dos exemplos,
de todos, o primeiro,
protector,
saudoso, amigo, parceiro,
autor de obra perfeita,
gosto de mim,
gosto de ti!!!...

…porque partiste,
para onde foste,
já não existes,
deixaste de ser,
ainda és!!!..

…companheiro exemplar,
quanto amor, quanto gostar,
dedicado,
amigo,
amado,
seguido!!!...

… deixaste de ser,
terminaste o caminho,
teu, nosso destino,
estás, longe,
pertinho,
num cantinho meu,
de todos nós,
como teu,
continuidade,
amizade,
entrega,
dedicação,
coração!!!...
…sinto a falta,
grito a impotência,
com… voz, bem alta,
menos valência,
insignificância,
contingência,
termino,
fim…
…é assim!!!...

…pai,
lembra-te de mim,
lembro-me de ti,
vai,
descansa em paz,
lá irei ter,
quando morrer!!!...

…tanto me faz,
um ter de ser,
triste final,
reencontro,
continuidade,
entrega,
amizade,
paixão,
coração!!!... Sherpas!!!...

... era uma rua... inclinada!!!...

… era uma rua inclinada,
subida que se acentuava
partindo da esquina,
cruzamento donde derivava,
lá em cima,

horizonte indefinido,

espécie de céu azul esbranquiçado,
infinito,
na minha mente de petiz,
local proibido,
princípio do muito que se não diz,

fora de portas,
negado ou… fingido,
conversas tortas,

segredos feitos,
quase desfeitos
pela idade que ia aumentando,
passos mais largos,
outras fugas
com muitas curvas,
outros espaços,
arcos, adros,
encontros, grupos,

brincadeiras muito para lá daquela rua,

falso horizonte,
céu bem aberto,
campos de sonho,
quando me ponho
na minha pele,
mais longe, mais desperto,

sôfrego por conhecer,
andando sem rumo
num querer sem saber,
olhando o que via
que bem me sentia,

plantas estranhas,
árvores, folhas,
ervas tão belas,
searas ondulantes,
aves, bichos,
ninhos e nichos,
piares, ladrares, zurros,
carroças, burros,
mulheres roliças,
garridas, brejeiras,
trabalhos nas eiras,
homens esforçados
por tantos lados,
gados no pasto,

que figuras faço

quando me lembro,
quando retorno,
quando me volto,
me faço pequeno,
sem jeito,
tempo escasso,
rarefeito,
quase perfeito,
imaginário que se adoça,
quando se endossa,
se direcciona
para qualquer zona,
dimensão dispersa
que já… não interessa!!!... Sherpas!!!...