sábado, 20 de outubro de 2007

... argonautas!!!...




… peripécias tantas, aventuras em viagem acidentada,
busca do Tosão de Ouro, tarefa imposta por tio usurpador
em terras de Tessália, Grécia antiga, filho de Esão,
eis o argonauta Jasão,

criado por um centauro, figura mítica,
arrostou penas duras depois de construir em Argos a nau,
todo um herói de época passada,
helénica,
pelas voltas e reviravoltas, elíptica,
curva com altos, baixos, ovalada,
descrita,
elogiada em livros, recontada de boca em boca,
coisa louca,

feitos que quedaram para a posteridade,
como exemplo, tenacidade,
perseguição dum querer, dum sonho que concretizou
segundo a profecia
que assim o dizia,
enfrentou dragão, arou campo com toiros que cuspiam fogo,
na Cólquida distante, cumprindo cargos do rei Eetes,
semeou dentes de besta desconforme que se transformavam em guerreiros,
a todos venceu,

quando matou Pélias,
fugiu com Medeia, filha do rei,
cumpriu destino, teve filhos… pobre Jasão,
já com o Tosão,
dono e senhor repudia quem tinha raptado,
foge para Corinto, desposa Creúsa,

Medeia não esquece,
trama,
vinga afronta
quando desponta,
mata rival, seus filhos até, os que tivera com Jasão,
o do Tosão,
cruel destino,
vem a morrer por pedaço de madeira da nau Argo,
triste final… puro acaso,
cerra-se o ciclo, fecha-se o arco!!!... Sherpas!!!...

... eram extensas!!!...

… eram extensas, verdejantes,
sempre as vi assim, colinas
com vales que se alongavam,
pujantes,
ribeiros que cantavam suas melodias,
saltitando no empedrado dos caminhos,
sobre seixos arredondados,
parando, fazendo charcos,
descendo, engrossando,
fazendo leitos mais alargados,
margens salpicadas de vegetação,
a natureza num cântico, um hino,
inebriante quadro, doce emoção,
seres que se remoçavam
mergulhando, espanejando asas alvoroçadas,
quando desciam, quando paravam
nos areais das suas margens, já rio,
águas lentas, transparentes,
crescido, bem liberto,
desperto,
quando lembro,
sorrio,
floresta bem repleta, arvoredo denso,
mundo que se completava, apartado,
luxuriante,
naquele recato, colina verdejante,
vale extenso, rio manso… quase parado!!!...

… memórias de passado recente,
antes da voragem,
imensa labareda se estendeu,
pincelada tétrica,
tudo ardeu,
tons cinza, enegrecidos,
dor de alma, vestígios,
local que se apagou, alterou,
colina escarpada, nua, com paus espetados,
ramos queimados, troncos escurecidos,
águas sujas que deslizam, aluviões,
na escuridão do dia que se pressente, trovões,
enxurrada que se arrasta,
nos encharca,
sítio bem diferente, onde dantes era mata,
local calmo, aprazível,
não visível,
fantasmagórica imagem que nos assombra,
que nos derruba os sonhos,
que nos avassala, que nos ensombra,
quando paramos… nos pomos
entristecidos!!!...

… claudico um pouco,
recordo imagens bem vivas, marcadas,
guardadas no íntimo mais profundo,
quase me sinto louco,
não quero, rejeito o que vejo,
cerros meus olhos, num repente,
critico impotentes, criminosos,
aberrantes comparsas desta trama,
depois de queimada pela chama,
paisagem da minha juventude,
colina verdejante, vale extenso,
quando penso,
desleixo, incúria… inquietude!!!... Sherpas!!!...




... País que se... contradiz!!!...


… País que se contradiz,

dos compadres e dos padrinhos,

do que se diz e não diz,

dos afilhados e dos sobrinhos,

reinado da “cunha” soberana,
da amizade, do interesse,
da inveja que se assanha,
da dádiva, da benesse,
das aldeias típicas, brejeiras,
das vilas solarengas, mornas,
dos montados de azinheiras,
do sossego, das sornas,

do Alentejo branco e caiado,
das Beiras engranitadas,

das cidades, por todo o lado,
dos moinhos, das levadas,
das barragens secas, ávidas
da chuva, que pouco cai,
das costas de areias pálidas
onde, o interior, quase não vai,

Portugal, país moderno,
nuns pedaços de Lisboa,
num Parque, o das Nações,
que toda a gente entoa,

com tantas considerações,
nas pontes, extensas, largas,
no Cristo que nos ampara,
nos hotéis, de que te apartas,
na construção que não pára,

no pensamento das gentes,
no sentir, no trajar,
no orgulho que, sempre sentes,
quando andas a viajar
encontras compatriotas,
bem na vida, bem janotas,

naturais deste País,
País que se contradiz,

País dos pequeninos,
dos míseros, dos bétinhos,
dos compadres, dos padrinhos,
dos afilhados, dos sobrinhos!!!... Sherpas!!!...

... por entre as mesas... dum café!!!... (antiga)




… ia passando por entre as mesas do café olhando, faminto, para os copos, para as garrafas, para os pratos, figura cadavérica, rapaz ainda novo, velho… pelas agruras do Mundo em que se afundava, o da tóxico-dependência, descurando o que o estômago lhe exigia, encaminhando para a veia, qualquer moeda, quaisquer trocos que arrecadava na arrumação de carros, na pedincha continuada!!!... Fora criança, teve pais amantíssimos, teve amigos, colegas e companheiros de estudos, de aventuras, de travessuras… foi crescendo, fez-se adolescente, desviou-se do caminho que ia seguindo, normal, quando comparado com o que está estabelecido para os jovens, agora novos e dependentes, quase irresponsáveis… depois, num repente, homens com obrigações, pais de família, trabalho destinado, quando o obtêm, dificuldades ou obstáculos que se deparam a todos, com raras excepções, os menininhos, chamemos-lhes assim!!!...

… ele tinha pertencido a este último grupo, o dos menininhos… com tudo, ou quase tudo, algumas carências afectivas, alguns excessos materiais, um desequilíbrio que provocou a hecatombe, a fuga p´rá frente, o mergulho no escuro!!!... Tinha acompanhado o seu percurso de vida, ainda o recordava nos seus bons tempos, fogoso e alegre, despreocupado, quase sempre bem acompanhado com raparigas de estalo, com rapazes de idêntico calibre, grupo que fazia furor, que estava na berra, que conseguia concretizar sonhos e fantasias, as mais diversas, num País tão carenciado como o nosso, fugiam à regra, futuro garantido… na certa!!!...

… os pais idolatravam-no mas, pelas obrigações sociais, pelos entretenimentos que mantinham, pelas actividades que executavam, pelas viagens continuadas… descuraram o melhor, não o acompanharam devidamente, não perceberam o que se passava com o rebento!!!... Pequeno príncipe rodeado de luxos, boas roupas, dinheiros bastos, carros adequados para a altura mais indicada, de grande cilindrada, desvarios bem diversos, clubes, pub,s e concertos musicais, saídas para o estrangeiro, faltas constantes às suas obrigações, experiências de todo e qualquer tipo, sem fronteira, até que…. numa de constante desafio, quis experimentar também… fumou, snifou, injectou!!!...

… Mundo novo se lhe abriu, sensações, visões hiperbólicas, tudo perfeito, sentido de leveza total, desapego de quanto o rodeava, fuga da realidade que, por vezes… mesmo com tanta facilidade, se lhe deparava, uma leve dor de cabeça, um desinteresse que o acabrunhava, a falta dos progenitores, a ausência do carinho que desejava, a sensaboria da vida que levava, a busca do que ainda não tinha!!!... Alcançara tudo isso através daqueles charros, daqueles pós que aspirara, mais tarde… do que metia na veia, com uma facilidade dos demónios, através da entrega duns cobres, do dinheiro que lhe sobejava!!!... Impelido por terceiros, por companheiros… pensando bem, concluía que não, sequência infernal, pura consequência, um calhar, algo que tinha de acontecer, que… aconteceu, simplesmente!!!...



… o corpo habituou-se, quando faltava a dose, reagia, provocava desconforto… pedia mais e mais, a dependência foi-se agravando, o dinheiro escasseando, desprendeu-se de tudo quanto possuía, roubava em casa dos pais, vivia dentro daquela ratoeira, ciclo escabroso, tenebroso… reduzidos horizontes, objectivo sempre o mesmo, aliviar aquela falta que o assaltava, o escravizava cada vez mais!!!... Transformou-se por completo, os pais… preocupados tardiamente, começaram a fazer alguma coisa em prol do filho!!!... O dito, estava descontrolado… afundado naquela devassidão, Mundo sujo, degradado, sem valores, sem dignidade, arrumado pelas ruas, pelos cantos, pelas casas arruinadas, no meio de lixos e dejectos, misturado com sombras como ele, de agulha espetada na veia ou… buscando o que o corpo pedia, insistentemente!!!...

… falar dos esforços dos progenitores, dos desgostos provocados, das soluções para o caso… dos internamentos em casas de recuperação, quintas de desintoxicação, das vontades aparentes, das recaídas, seria um contra-senso da minha parte!!!... Há muito tempo o não via, chorava o desespero dos pais, a infelicidade do filho… a vida foi-se processando, com todos os altos e baixos, dentro dos parâmetros normais e anormais, para mim, para os outros e num escape, numa pequena pausa, num curto intervalo… estando eu sentado numa esplanada qualquer tornei a vê-lo, quase irreconhecível, qual fantasma macabro, olhos desorbitados, mão estendida, não balbuciando palavra, sequer… olhando todas as mesas, com gula, de esfomeado que estava!!!...

… num rompante, ligeiro, deslocava-se a uma mesa onde apanhava um resto duma torrada que não foi comida, um bolo abandonado por quem não o apreciou, uma bebida que não foi consumida até ao final, uma água no fundo duma garrafa, uma cerveja que ficou num copo, de mesa em mesa, aspirador humano… com voracidade, tudo engolia, indiferente ao olhar dos que o iam perseguindo e pensando na degradação humana daquele ser famélico que continuava de mão estendida, parando, sem palavra, andando de mesa em mesa!!!... Poucos lhe deram… sabiam qual o caminho do dinheiro!!!... Depois de o reconhecer, entristecido, pespeguei-lhe uma certa quantia na mão aberta que, logo se fechou, nem olhou… virou costas e fugiu!!!...

… foi, certamente… comprar a dose que o corpo lhe pedia!!!... Vidas tão iguais, quantas mais, quantos filhos sem pais, que… nunca foram!!!... Sherpas!!!...

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

... sombras!!!...




… como sombras esbatidas na parede,
foram vidas, copos vazios sem sede,
vendo passar o tempo que se ergue,
inclemente,
como obstáculo que se visualiza,
suaviza,
caminhares que pararam de repente,
um não fazer, sem querer,
indolente vontade que se agita,
que não grita,
se sujeita como sombra que se desenha,
levemente,
naquela rua pejada de gente,
naquele recanto do desencanto,
arrastando a sua sorte
quase às portas da morte,
grupo que se completa emudecido,
olhando,
vendo passar, com tempo, sem grito!!!...

… leve gemido,
palavra suspensa se solta,
conversa que esmorece,
que murcha, fenece,
que esquece,
recorda dores, agruras,
venturas,
saudades que já foram,
sem rede,
protecção que se pretende,
copos vazios, sem sede,
vidas com sombras esbatidas,
pensares que te perseguem
se erguem como obstáculos,
paredes erguidas,
sombras que seguem,
na tua frente,
figuras ágeis do passado,
tentáculos
a que te agarras… quando paras!!!...

… quando te encostas, sem respostas,
conversas tidas, interrompidas,
tuas mãos postas,
orações reprimidas,
esgares, dores,
na face, nas costas,
no rosto dos outros,
sentidas,
com tempo, sem grito,
gemido contido,
imagens tolhidas,
conversas sem som, palavras escassas,
quando olhas… quando passas!!!...

… suspensas,
esbatidas… nem pensas,
são restos, são sombras,
são grupos, aos molhos,
com quem te encontras,
por onde passas… os olhos!!!... Sherpas!!!...

... enxergamos... coloridos mais densos!!!...

… enxergamos… coloridos mais densos!!!...

… quando enlaçados, bem juntos, comunhão intensa,
dois corpos se unem, partilhando quereres perfeitos,
esvoaçando por céus,
fazendo dos sonhos,
meus,
imaginando outras cores,
nos entregamos à voragem
da paixão que nos consome,
deixando de ser homem,
no corpo duma mulher,
nos braços que recebe
desejos que são teus,

uníssonos, em amálgama,
clímax se produz
no recesso duma cama,
objecto que se inflama,
lençóis que nos cobrem
maravilhas que vemos,
momentos que temos,
amor que se partilha,

no meio de tantos caminhos,
carícias afagos, beijos,
incontáveis torvelinhos,
montes de encantamento,
graal, cálice santo, receptáculo,
vale da criação,
sem obstáculo,

eterno feminino,
adoração,
menir gigante,
exaltação,
erectus penetrante,
entoação de encanto,
um hino,
rendidos, lado a lado, prostração,

profunda adoração,
cores que modificam,
se esvaem, intensificam,
alucinação,

confusa viagem,
magia que transforma,
sede que inebria,
noite que se faz dia,
acalmia, tão grande fome
recebendo toque divino,
formando união de facto,

conjugação dum acto
que nos seduz, reluz,
nos conduz num arco-íris
em coche feito de prata,
enxergamos coloridos mais densos,
tons de profunda luxúria,
apensos,

no gozo, na formosura,
no prazer que possuímos,
teus olhos que são meus,
nos meus que Deus me deu,
quando choramos, quando rimos,

no âmago que completa,
vida que recomeça,
prolongamento do que somos,
quando nos entregamos,
quando fomos
Deuses, num vasto Olimpo,
dois Mundos no infinito,

quase rogo, quase afirmo,
naquela entrega sem enganos,
cores tão lindas, diversas,
vários tons, tamanhos,
enxergados num curto hiato
por olhos que nunca viram,
quando riram,
choraram… sentiram!!!... Sherpas!!!...

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

... quando nascidos!!!...




… quando nascidos, ainda pequenos,
filhos dos filhos, das filhas… também,
achámos graça, ficámos amenos,
embevecidos, como quem os tem,
satisfação pelo acontecido,
mais um ente querido, netos e netas,
esperneando, olhos cerrados,
bochechas rosadas, ternuras, carinhos,
sorrisos abertos, seres amados,
quando nos ninhos,
trabalhos dobrados,
acréscimo, noites em claro,
choros, aflições,
acumular de preocupações,
foram crescendo, chorando e comendo,
fizeram-nos adultos, iguais aos pais,
agora, arvorados em avós,
pela idade, mais maduros, pais a dobrar,
a quem nos podemos encostar,
fazendo com os netos, o que fizeram a nós,
papel que se repete,
que se não inflecte,
que faz recordar tempos já idos,
retirados da vida, uma ocupação,
pelos filhos amigos,
quase obrigação!!!...

… pelas ruas, junto às casas, velhos e velhas,
num requebro encontrado,
esquecem as telhas
já gastas, com rachas,
mazelas em barda, doenças e chagas,
dão uma corrida, ensinam a brincar,
protegem a cria, cuidados de sobejo,
responsabilidade só dada,
para estar, para ficar,
naquela morada, na casa dos avós,
tão pais como nós,
ajuda a dobrar!!!...

… no início, não têm vida, não têm disponibilidade,
um filho que nasce, um lar, uma creche,
dinheiro que lhes falta, amparo dos pais,
corrida desenfreada, relógio que não para,
dura tarefa, diária, realidade,
o menino que… não cresce,
escape, saída, compensação,
amor, compreensão,
muita vontade,
sorriso, ternura, repetição,
impossibilidade dos filhos que têm,
regressam, carentes, com netos nos braços,
esboços e traços,
pequenos também,
família que se aglutina, que se empina,
que arrosta, que duplica trabalhos,
juntos como uma pinha,
passos que dão, que satisfação,
pontapé na bola, um riso, uma palavra cantada,
meio disfarçada,
mimosa… dengosa,
abrigo, casa que os acolhe, encobre,
que chora, que sofre!!!...

… trabalhos, canseiras, dias que se arrastam,
fim da jornada, regresso, já noite
esfalfados, menino dormido, cansado
caminho do lar, casal que aprende,
que cresce, também,
avós com netos que se têm,
ajuda bendita, melhor que creche,
corrida, passeio ao jardim,
um pássaro bonito, um banco no fim,
sentado, mas atento,
inebriado, cumprindo
sem ser obrigado,
um jogo, brinquedo, areia nas calças,
nódoa inapropriada,
já limpa, disfarçada,
que doce jornada!!!...

… são filhos, são pais, dão netos,
miúdos travessos, quão lindos, espertos,
bicicleta que se compra, avô diligente,
equilíbrio mantido, saídas mais largas,
quase na escola,
já rapazola,
matrícula que se faz,
encaminha-se o rapaz,
continua a tarefa,
quase vida, quase promessa,
pais, durante a noite, de manhãzinha,
na casa da avozinha, quando come, quando regressa,
no carro do avô, companheiro, braço amigo,
trazendo consigo,
amor paternal,
quase a… dobrar!!!... Sherpas!!!...

... uma nesga de... luz!!!...




… uma nesga de luz, um raio de sol,
uma porta fechada, um frincha, uma fresta,
uma tarde que passa, um calor que assola,
um sossego que se sente, um estender, uma sesta,
uma paragem, um esquecer, um recuperar,
uma casa isolada, uma pessoa que pensa,
uns olhos que se cerram, um tentar recordar,
corpo esquecido que não dorme, intenta,
uma quietude, uma imensidão, uma amplitude,
um espaço bem curto, uma outra atitude,
uma beleza, um equilíbrio, uma virtude,
um desassossego, um agitar, uma vontade enorme,
um não querer parar… um raio de luz!!!...


… uma nesga na porta, uma fresta que resta,
uma escuridão rasgada, um clarão que entra,
uma chama que clama, que rompe, que avassala,
que intervala, que se não aquieta,
que interrompe, que me inquieta,
com pouco clamor, com sossego gritante,
naquele quarto, naquela sala,
naquele corpo, naquela mente, nos olhos cerrados,
movimentos parados, na hora da sesta,
momento que foge, que sobra, que resta,
quando lembrados, carentes e pobres, bem recordados,
sempre presentes… mesmo que ausentes!!!...


… distantes, apartados, cruz e devassa,
que massacra, que me ultrapassa,
culpa que tenho, de ser pequeno,
um pontinho, afinal, meu pecado, meu mal,
meu projecto, minha opção, grande aflição,
mesmo estendido, na hora da sesta,
num raio de luz, numa frincha que se introduz,
com que me assesta,
o pouco que sou… o quanto me resta,
uma nesga na porta, um raio de luz,
pessoa fechada, na hora da fresta,
corpo estendido, de olhos cerrados,
vivo e desperto, ainda esperançoso,
pensamentos diversos, alvoroçados,
no declínio da vida… auspicioso!!!... Sherpas!!!...

terça-feira, 16 de outubro de 2007

... falar do... género!!!...




… falar do género,
do másculo, do macho, do férreo,
do toureiro, do avinhado… de cabelo no peito,
com gestos, com jactâncias, com trejeitos,
sem jeito,
do fala barato, desenrascado,
aldrabão, obcecado,
não dando crédito, não passando cartão,
do sensível, com sentimento,
convencido que está, mais elevado,
do endinheirado,
sem um pingo de… formação,
para mim, para tantos,
é perda de tempo,
contratempo,
um dó, uma pena,
um choro, uma condena,
pura comiseração,
sensação… deturpação,
engano, descuido… tamanho!!!...

… quantas fortalezas destas,
noutras alturas… fora de festas,
quando pequeninos, diminuídos,
menos assumidos,
por dores, por chagas, réstias,
corjas despojadas,
postas de lado, esquecidas,
sem norte, perdidas,
reduzidas à sua humanidade,
com verdade,
sofridas, pura calamidade,
dando o dito… por não dito,
com raiva,
num minuto, bem medido,
se despojam daquela capa,
daquele forte… enfraquecido,
quando o sentimento, se lhes escapa,
chorando, se confessam,
se entregam… se negam!!!...

… todos, sem excepção,
é a minha opinião,
somos homem, somos mulher,
tal como se quer,
sem distinção,
como deve… pela origem,
filhos duma Eva, dum Adão,
predestinado filho dum José, duma Virgem,
dum macaco, duma evolução,
pelo sim, pelo não,
mais ainda, para os que crêem,
quando vêem,
que são… como são,
não fortalezas, tão pouco… machões,
simples aldrabões,
convencidos, rendidos,
perante factos, argumentos,
fora de festas, não avinhados,
diminuídos, envelhecidos,
nalguns momentos,
já esperados… desesperados,
somos mães, somos pais,
como todos nossos iguais,
numa indefinição constante,
misturados,
bem amalgamados,
sensíveis… quando críveis!!!... Sherpas!!!...

... arroubos... poéticos!!!...



… arroubos poéticos, êxtases, enlevação, enlevo,
liberdades que se permite, quando critica patéticos,
quando se diminui, se admite,
se procura, quando insiste,
quando tira ou… dá relevo, quando se considera o mesmo,
quando não finge, restringe,
se julga pouca coisa, quando se avalia a esmo,
sem ser um fingidor,
provocando mágoa, dor,
quando berra, feito blasfemo,
inconformado, deslocado,
quando descreve pássaro que poisa,
flor de cores belas, vivas,
quando fala de ódios, de amor, quando se sente apartado,
num cantinho, redutor, escondido, temeroso, com pavor,
perante as maleitas do Mundo, que não compreende, que detesta,
com pensar tão profundo, que o agasta, arresta,
que enfrenta… que contesta!!!...

… pobre poeta, coitado, não está bem em nenhum lado,
deslocado, imbecilizado,
quase posto de lado,
da verdade, fez seu lema, doença de que enferma,
quando sincero a valer, quantos não faz sofrer,
sofredor, não fingidor,
com o sofrimento dos outros, seja lá onde for,
universal, abrangente,
quanto lhe passa na mente,
nos instantes, nos encontros, fugazes, bem repentinos,
com pensares… com desatinos!!!...

… sinceridade, punhal que trespassa, que arrasa, que fere, que mata,
quando se aventa, quando traça,
marca que queda, ferida, tão sentida, tão profunda,
que não altera, que não muda,
hipocrisia que abunda, falsidade que enxameia,
dos que vegetam, insanos,
que não atalha, alteia,
avoluma a fantasia, cruel, oca, vazia,
redundante, prepotente… alegoria!!!... Sherpas!!!...

... como cavalos de... batalha!!!... (antiga)

… como cavalo de batalha, os que estão… em gestão, contra o Guterres, usaram e abusaram do défice, à maneira deles… o dos 4,1%, da tanga, de outros mimos, muito semelhantes, muito parecidos, acompanhados por choques fiscais, com promessas do arco-da-velha que… todos sabem, não cumpriram, esfumaram-se, pelos vistos!!!...

… ganharam o Poder, sem maioria, fizeram um casamento com uma minudência de direita, formaram uma coligação!!!... Ficaram maioria!!!... Ganharam hábitos e atitudes que envergonham qualquer democracia…não vale a pena falar delas, passadas que estão!!!...

… impuseram e fizeram o que quiseram… a seu modo, a seu jeito, não passando troco, não ligando, reformando… destruindo e desfazendo, apeando uns e colocando o dobro, uma fartura!!!... É do conhecimento público, claro!!!... Quanto a negócios, no segredo dos Deuses… pouco sabemos, quanto a saúde, a que se privatizou, a que não resultou… quanto a contas, como normal… nada!!!...

… desperdiçaram-se milhares de milhões, em compras de armamentos, de helicópteros, de submarinos… ignorando-se as reais carências dos portugueses, dos mais pobres, é evidente!!!...

… as discussões no Parlamento, tornaram-se costumeiras, absurdas e ridículas, caricatas, batiam sempre no mesmo… a oposição à oposição, como opção!!!... Vezes por outras, vinha à baila… como usual, a questão do défice socialista, era hábito, tornou-se norma, ainda hoje!!!...

… vieram orçamentos, surgiram vendas de património, receitas extraordinárias… ficámos mais pobres, cada vez mais!!!... Houve quem lucrasse… com o negócio, claro!!!...

…explicações poucas ou… nenhumas, contradições, manipulações, artimanhas… com muitas manhas, com muitos sarcasmos, tudo junto!!!...

… depois, bem, depois… houve um que fugiu, por uma questão de oportunidade, de vidinha mais folgada, o belicista porque… nestes entretantos, ao arrepio, entrámos numa guerra, situação que nunca foi nossa, não a quisemos, simplesmente!!!...

…Sua Excelência Maior… na altura, não fez, a meu ver, o que deveria fazer (…quem sou eu???...)!!!... Deu uma oportunidade a um galo de combate, (…prefiro o galo capão!!!...) o senhor Lopes!!!... Seguiram-se quatro meses de trapalhadas, mais agravadas do que as anteriores, um desconcerto enorme!!!... Parlamento dissolvido… eleições antecipadas!!!...

… o défice, o tal dos 4,1%... foi subindo, situa-se nos 5% e poucos, estamos muito mais pobres, ninguém se entende!!!... Demagogias e populismos… por parte dos apeados, algumas, doutros lados, das oposições!!!... Pré-campanha, é assim!!!... Quando ela chegar, a dita… vai ser pior!!!...

… estamos assim… antes do dia D, o 20FEV2 005, o das eleições!!!... A memória… não é curta!!!... As pessoas… não perdoam!!!... Vamos ver… no que dá!!!...

P.S. – entretanto, aguardo… expectante, as contas, muitas que foram abafadas, pela Coligação, a das trapalhadas!!!... Que não saiam impunes e imunes… como dantes, há que responsabilizar os incompetentes!!!... Oxalá!!!... Sherpas!!!...

... bairro de... lata!!!...



... já me imiscuí por paragens dantescas de miséria,
olfactei odores pouco agradáveis,
chusma de excluídos, maleita séria,
vi cenas de pobreza extrema,
passei por barracos feitos de chapa, de latão, de cartão,
cirandei pela sala principal destas gentes,
a rua que os abriga,
doença grave que se não cura, sempre na mesma,
o esgoto que corre bem ao meio,
de fome,
grande barriga,
regato onde brincam crianças quase nuas,
sorridentes com todos os dentes,
cabeças à chuva, ao vento, ao sol,
sociedade desconforme,

apesar da boa intenção,
proferida por quem governa, que afirma,
ridículo encartado,
quando se perfila
perante os que lhe dão relevo,
mavioso enlevo,
qualquer câmara de televisão,
pasquim com tiragem suficiente, orquestração,

homens sentados, velhos, novos,
batendo cartas, pensativos,
trapos que são lavados em águas sujas, ali à porta,
gestos repetitivos,
som que se atira, mais forte, estridente,
chamamento, ameaça,
gritos aflitivos,
lancinante apelo a um Deus que ignora
quem sofre, quem pena, quem chora,

uma risota, uma chalaça,
encolher d´ombros,
aceitação,
passar do tempo naqueles escombros,
ruinhas estreitas, amontoado d´almas,
fumaça que se solta dum braseiro aceso,
sardinha assada, pequeno acervo
para tanta boca à mingua,
saliva na boca, papila que lembra, ponta da língua,
dali emerjo,
afluo,
recuo,

sítios parecidos, favelas que se aglomeram,
pessoas que esperam
quando desesperam,
sorte ou destino que se abate,
fúria que arrasta,
tortura que mata,
chuvada que passa,
rio que engrossa, lençol lamacento que se estende,
submerge o que encontra,
se mostra na montra,
milhares que se apagam,
rostos inexpressivos
mais mortos que vivos,
sombras indefinidas tão desvalidas,

são corpos, são mortos
de fome, plenos de desgraça,
foice que cega, terrífica que... passa,

sempre assim foi, continuará sendo,
não se importando, lá vão,
enquanto, gemendo,
desvalidos se encostam aos montes,
lugares perdidos pelos continentes,
sobras, restos,
horrendos manifestos
duma civilização que se perdoa
quando entoa
oração a preceito, num templo,
evoca ou avoca em seu proveito,
esquecendo defeito,
aquilo que vejo, agora contemplo,

memória que fica,
passagem que marca,
fúria que sinto num bairro de lata!!!... Sherpas!!!...

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

... enigmático!!!... (antiga)



…enigmático, pragmático, paradoxal…ridículo e caricato, por vezes!!!… Calimérico, pouco colérico, mediático, snob, amante do belo sexo... não é parvo, antes pelo contrário!!!... Pouco dado a trabalhos… enjeita-os, rejeita-os, ficam a meio, pelos vistos!!!... Embrulhador, trapalhão, nada competente, pouco sábio… embora já tivesse estado ligado à cultura, na altura do piano e do violino ou… vice-versa, exímio na conversa, digno homem de leis, advogado sem toga, desde sempre…ligado às más artes da política!!!... Em suma, com avanços e recuos… um combatente, um figurão, habituado ao Estadão!!!...

… desde que foi corrido, por justa causa… outra coisa não tem feito do que, perante os da mesma cor, penitenciar-se, vitimizar-se, por palavras, por encartes, por missivas… enigmáticas!!!... Pragmático, paradoxal… vai tentando passar a mensagem, como se a Nação, esta triste Pátria, tão maltratada ultimamente… o não conhecesse, de ginjeira!!!...

…afinal, quem é que é o enigmático… no escrever do dito, claro???... Afinal quem é que… deu tiros nos pés, uns atrás de outros, em quantidades incomensuráveis???... Afinal quem é que… foi trapalhão, incompetente e irresponsável, inclusive… mentiroso, no dizer do tal ministro, íntimo amigo, o que se demitiu passadas meia dúzia de horas, quiçá???... Fico confuso, com afirmações do arco-da-velha… as deste senhor Lopes, todo um artista, ridículo e caricato, com o devido respeito, é evidente!!!...

…figura ou… figurão???...

… está-lhe custando a situação, compreendo!!!... No lugar dele… também daria tiros para todos os lados, em todas as direcções???... Penso que não!!!... Aceitava… deixaria de me sentir o que não era, um combatente, calçaria as pantufas ou… ia para outra, que não esta!!!...

…figura, figurinha ou… figurão???... Sherpas!!!...

... de verde pinho!!!...




… de verde pinho, me senti,
rejuvenescido, inebriado,
perante quadro belo que vi,
numa parede, pendurado,
naquela sala pequena, radiosas,
fulgurantes de esplendor,
quão intenso, o esverdeado,
saudável, consolado,
figuras esbeltas, formosas,
doces fragrâncias, aragens finas,
naquele grupo de… meninas!!!...

… verde mar, refrescante,
águas agitadas, onduladas,
sem reflexos de espantar,
visões de fazer sonhar,
rosto cálido de sereia,
encantadora, segura, pouco ágil,
estendida na areia,
miragem dos meus amores,
sentimentos que se alteiam,
esverdeado bem esbatido,
sem rudezas, sem fulgores,
que se espalham, se semeiam,
no âmago da minha mente,
calmo, relaxado, sem furores,
embevecido, convencido,
mais que vencido, rendido!!!...

… verde alface, clareado,
cor tenra, comestível,
sombreado bem incrível,
no rugoso das suas dobras,
palavras que soltas, não sobras,
de contemplação, sossegado,
quando sentado, observo,
tudo aquilo que vejo,
do alto do meu passeio,
na minha volta de recreio,
no seio do que me rodeia,
sob um palmeiral cerrado, denso,
oásis do pensamento,
num deserto de sol intenso,
paragem do meu percurso,
quando me retiro, quando fujo,
quando renego, recuso,
outras cores mais berrantes,
bem vivas, escaldantes,
fúrias, raivas, dores,
sangues, mortes, flores,
todos esses meus ardores,
quando vocifero… meus furores!!!...

… verde esmeralda, brilhante,
precioso, estonteante,
enaltecido, sedutor,
procurado com esforço, cobiça,
oferecido como indutor,
na luta pelo amor,
no instante, na liça,
como promessa, como jura,
à donzela, por um senhor!!!...

… verde azeitona, verde macio,
do azeite que se produz,
grosso, espesso, quando escorre,
nos lagares, por um fio,
grande, quanto nos reduz,
no tempero, no sabor,
quase nada nos ocorre,
seja lá onde for,
alimento saudável, maior,
pedaço da terra bendita,
muito amada, muito querida!!!...

… verde carregado, forte,
esperança no advir,
cor paixão, cor de clube,
cor da vitória, da sorte,
que faz gritar, sorrir,
do alto da sua valia,
quanta tristeza, quanta alegria,
paranóia colectiva,
que arrasa, que incentiva,
que destrói, que aviva,
verde natureza, verde fugida,
verde final, linha seguida,
verde total, verde vida!!!... Sherpas!!!...

domingo, 14 de outubro de 2007

... chuva!!!... (antiga)

…penso sempre neles, nos mais desvalidos, mais ainda, quando as condições atmosféricas são adversas, mais ainda, quando não têm o manto protector, o Sol redentor, mais ainda, quando a sociedade é mais injusta, mais ainda, quando o sentimento não existe, mais ainda, quando o fardo se torna pesado, incomportável para os mais débeis, mais ainda, quando se descuram políticas sociais de capital importância, mais ainda, quando ganâncias exacerbadas se avolumam, sem freio, sem contenção, numa doidice avara altissonante, gritante, mais ainda, quando regredimos, progressivamente, criando mais desvalidos, mais indigentes, mais ainda, quando os antagonismos, dos que se acentuam dos que se forram, que se regozijam com ganhos, que acumulam, na Bolsa, transformados em Midas, que tudo transformam em ouro, tudo quanto tocam, inclusive o coração, que…já perderam!!!... Mais ainda, quando a natureza os maltrata, aos desvalidos aos que chora, quando chove, destruindo casas, arrastando bens, castigando corpos:

- A chuva cobre a cidade/como um manto transparente/cai, com intensidade/lava casas, molha gente/arrasta lixo, das ruas/rega as plantas/secas, sem folhas, nuas/anteriormente plantadas/quase sempre, abandonadas/como os desenraizados/pelos cantos, molhados/plantas murchas, quase mortas/vivem nas ruas, nas portas/esquecidos pelos acomodados/falsos mecenas, escariotes/hipócritas ajuizados/possuem tudo, aos magotes/não gostam de partilhar/férteis na arte do não olhar/não vêm ou não querem ver/os que se fartam de sofrer/neste Inverno, noutros mais/que massacra os carentes/como se fossem animais/irracionais inocentes/Cristos, párias, crucificados/escarros duma sociedade/que se habituou a pô-los de lado/que não aderem ao sistema/são, marginalizados/até quedarem inanimados/num beco, numa avenida/morte triste, não sentida/não chorada, esquecida/miseráveis, indigentes!!!.../Nas igrejas, muito crentes/com ladainhas, orações/entoadas em conjunto/junto a imagens, ilusões/tantas, que as confundo/com empolados sermões/dos curas, dos sacerdotes/vígaros, mercenários/adoradores do dinheiro/como uns falsários/atitudes que não tomam/para os que não vivem e morrem/para os que abandonam/não os sentem, nem querem/como aquela crucificação/que lhes deu uma religião/dum Mestre que foi irmão/dos desvalidos, sofredores/seus mais dilectos amores!!!...

…é uma situação que se perverte a ela própria, porque inconsistente, porque resistente, inconsciente, indiferente a uma maioria de gentes que se massacram, se iludem, se enganam, prometendo, sem fundamento…a grande Maioria dos enganados, desempregados, sem futuro, teimosamente, com frenesim, hipocritamente, por quem não sente, pelos que vivem arredados, apartados da realidade, bem longe, dando circo, espectáculo, gesticulando, barafustando, disparatando!!!...O pão vai sendo pouco, reduzido, esmolado, sofrido, amargo, sem sabor, com fel, pouco mel, pedra martelada com cinzel, consciência dura, impura, políticas frouxas, bem loucas, sem norte, antevisão duma morte que se augura, se futura, políticas erradas, erráticas, apáticas, sem lei, onde os mais são iguais, diferentes dos iguais, (???...) os que são menos, duas leis, duas medidas, num Estado torto, zarolho, meio morto!!!...


…um abraço do Sherpas!!!...

... choro os mortos!!!...




…choro os mortos, os desaparecidos,
invoco os Deuses, com ânsia, desespero,
nuns míseros dias, tão sofridos,
catástrofe, por inteiro,
miséria espargida, no Paraíso,
corpos sem vida, espalhados,
lares destruídos, final… juízo (???...),
pagar pelo pecados,
os mais pobres, os escorraçados (???...),
está tudo ao contrário,
neste mundo, neste berçário,
para uns, terrível adversário,
para outros… doce remanso,
vida boa… grande descanso!!!...

…não entendo, não consigo,
tudo virado do avesso,
Natureza, morte, perigo,
Mundo esquisito, travesso,
cruel… muito perigoso,
no lugar mais formoso,
no Paraíso terrenal,
quanta destruição, quanto mal!!!...

… sem prévio aviso,
num instante, num momento,
foi-se a vida, o Paraíso,
quadro infernal… grande tormento,
imagens terríficas,
horrores, sem par,
naqueles pedaços, terras idílicas,
no areal, ao longo do mar!!!...

… será castigo, será aviso???...
será natural, tanto mal???...
Mundo cruel, gentes sem mente,
Vítimas sem conto, de espantar,
Castigo natural… pobre demente,
em guerras metido, com bombas,
rebentamentos… armamentos,
dono de tudo, calado e mudo,
indiferente,
superior… muito menor,
não é rei, não é senhor,
dono da guerra… destruidor,
insignificante, poluidor,
avassalador,
com sanha, com manha,
vazio,
estamos… por um fio,
tanto ali, como aqui,
no Paraíso,
em qualquer canto,
desencanto…
choro, raiva… pranto!!!...

…natural???... Causa posterior,
com tanta morte…
tanta dor!!!... Sherpas!!!...

... cão abandonado... na rua!!!...





… cão abandonado na rua, olhos baixos de enjeitado,
tanta tristeza sinto, amargura, já foi querido, desprezado,
pêlo sujo, magro, faminto, deambula, sem destino,
rabo entre as pernas, encolhido, pára aqui, vai em frente,
olha, desconfiado, para toda a gente, brinquedo, companheiro,
animal de casa, a tempo inteiro, com alimentos na hora, cuidados mil,
protegido, sem canil, com donos prestimosos,
dóceis, carinhosos, uma afeição, uma loucura,
uma graça… uma travessura!!!...


… ganidos de contentamento, com o rabo a abanar,
vivo o seu olhar, muito antes daquele momento,
na rua da amargura, vida dura,
depois de enjeitado, cão perdido… abandonado!!!...

… é crime hediondo, grave pecado, atitude desprezível,
nem pensando, nem compondo, me parece mal incrível,
quando se atira, dispondo, para o incerto, para a rua,
uma vida dependente, um ser tão inocente,
um animal tão meigo, afável,
um cão de… companhia!!!...


… considero detestável, uma fraude, uma agonia,
um sofrimento atroz, de quem se considera gente,
de quem não critica, de quem consente,
de quem olha um ser sem voz,
que já foi companheiro, que deu alegria, a tempo inteiro,
com olhar duro… indiferente!!!...

… olho, lembro sempre, aquele meu cão de trela,
que não gostava nada dela, quando fugia, num repente,
em busca da liberdade,
enquanto eu ria, compreendia, digo-o com verdade,
quando o via livre, sentia, felicidade, cão sem trela,
protegido, sob o olhar atento, quando se via livre dela,
ao invés do desprezado,
pobre cão… abandonado!!!... Sherpas!!!...