quinta-feira, 19 de março de 2026

... estantes enormes!!!...




… estantes enormes, repletas,
silêncio pesado, ambiente de ruptura,
mundo diferente, ausente,
presenças constantes, saberes, cultos,
quando fechados, cheiros a mofo,
papel velho que se respira,
obras e obras, completas,
quanta ciência, quanta valência,
quantos pensares, quanta cultura,
resmas, quanta fartura,
papel fino, novo, delicado,
sensível ao toque, acetinado,
ali guardados, bem arrumados,
capas de couro antigo, folhas amarelas,
recordações que trago comigo,
quando me sinto, folgado, calmo,
neste recanto, precioso abrigo,
biblioteca, bem receptiva,
receptáculo de novos, de velhos,
gentios interessados pela vida,
encantos imensos, quão expressiva,
quando encontro o que busco,
numa procura… numa pesquisa!!!...


… meus olhos passeiam, divagam,
percorrem vorazes, não param,
títulos, nomes de tantos escritores,
tratados de filosofia, enciclopédias,
rato sabido, bem preparado,
anseio, passo com a mão,
sinto o sabor daquele olor,
papel amigo, conhecimento vasto,
devoro, não me farto,
hábito de sempre, desde pequeno,
sossego permanente, um casquilhar,
folha que passa, um folhear,
olhos sequiosos, gulosos,
livros e livros, acariciados,
quantos já lidos, apreciados,
quanto me deram, quanto me dão,
rato escondido, ratão,
biblioteca de estaleca, suma paixão,
tempos esquecidos… na imensidão!!!...


… livros na mão, satisfação,
uma procura, investigação,
um querer mais, insaciável,
encontro casual, um notável,
palavras, pensamentos, enredos,
conhecimentos que arrecado,
que bebo, que guardo,
terrores, medos,
superstição, vaidade, ambição,
obra de renome, ficção,
tempos vividos, biografias,
estórias e fantasias,
ódio descrito, um assassino,
romance delicodoce, grande paixão,
termos já escritos, desatino,
encontro com a vida, bem arrumado,
certinho, catalogado,
estantes, bastantes,
espaço alargado,
biblioteca que se ama,
livro que… nos chama!!!... Sherpas!!!...


... encontro com... alguém!!!...



... mais uma vez, 

sem plano, sem objectivo, 

pensando comigo,

buscando nos interstícios da memória,

nos recantos mais profundos que mantenho,

noutro encontro c´a minha estória,

na casualidade, na conversa,

na observação directa com alguém,

passados muitos anos, lugar distante,

noutro País, idiomas distintos, arranhando,

entendendo,

que bem me sabe, me sabe bem...



curiosidade, entre dois estranhos,

que se tornam próximos, há quantos anos,

sentados num banco, larga avenida,

buliçosa, cosmopolita,

mulheres num armazém de roupas e sapatos,

doce sacrifício da espera, sem desespero,

com gosto, porque quero,

admito, respeito,

este o meu jeito...


cavalheiro mais velho do que eu,

na mesmíssima situação, esperando, sentados num banco,

sorrisos, cumplicidades, monólogo inicial,

como quem pesca, engodo... para uma longa conversa,

inglês de turista, para desenrascar,

compreensão de quem me ouve, conciliador,

permissivo, incentivador

e... a conversa arrasta-se...


são como as cerejas, 

palavra, atrás de palavra,

algumas, muitas mais, jorros ou resmas,

assuntos diversos, identificação, sorrisos amplos,

satisfação,

doce momento, ocasião...


ficou um convite, conhecimento,

oficial da marinha inglesa, aposentado,

vivia em Dover,

agradável momento,

andava às compras com a mulher,

como ela quer, como a minha quer,


atracção pelas roupas e sapatos,

grandes armazéns... Oxford Street, 

mestre escola curioso, falador, como sou,

tudo falámos, nada faltou,

há QUANTOS anitos <?>

farrapos, farrapitos, conversas e gritos,

vozearia, idiomas distintos....


... Sherpas!!!...

... noites agitadas!!!...


... durmo pouco, 

noites agitadas, ultimamente,

que mal me sinto, admito,

mais só...

não sinto pena, não peço dó,

compreendo, aceito, não me conformo,

entornou-se o copo, meio cheio,

quebrou-se o elo, equipa com um grande rombo,

mas... que tombo, 

sofrimento imenso, assim o penso...



o tempo não perdoa, 

inflecte sobre qualquer pessoa,

não brado aos céus, não invoco deuses, 

santos e santas,

outras entidades, as mais diversas,

acredito no que vejo, no que sinto,

não minto,

consciência de mim, consciência com os outros,

somos tão poucos...


maus momentos, 

bons momentos,

súmula do que se compõe aquilo a que chamamos vida,

breve e directo, como gosto,

sem peias, total liberdade de pensamento,

sem amarras,

lamento...


... Sherpas!!!...



... ainda agora !!!...

 

inda agora, há poucochinho,

indo eu, num caminho,

olhando para os meus pés, 

hesitantes, pela idade,

mente vazia, sem destino, pura verdade,

mais ainda, só... 

pelas circunstâncias,

quantas e quantas discrepâncias?


bate à porta de TODOS porque, finitos, 

acontecemos, desacontecemos,

evidências,

breves momentos... lampejos,

cedências,

luz intensa, desejos, clarividências,

tons sombrios, mais funestos,

somos restos

tão pequeninos, grãozitos, numa imensidão,

deixamos de ser, ocasião...


sentados, numa noite fria de inverno,

primeiros tempos de união, casita da minha lembrança,

retintamente alentejana,

barrotes no tecto, telha vã,

grandes bilhas de barro " quartas " numa... bancada,

com pouca coisa, quase sem nada,

ampla chaminé, crepitar da lenha d´azinho,

faúlhas crepitavam, som que s´espalhava pela cozinha,

atento a cafeteira, com água, altura de fazer o café,

grão moído num rudimentar moinho,

depois de feito, coado, com paciência, para separar as " borras "

bebido, ainda quente, juntamente, juntamente...

com uma boa fatia de pão e queijo d´ovelha, 

ratinho, da panela, bem duro e saboroso,

sem tábua, sem telha, o que havia e não havia,

princípio adorado, quando lembro, quadro formoso!


tudo isto me vem, 

como convém,

quando me ponho a teclar, escrevendo, pensando,

lembrando.

Quanta penúria, pagamento escasso, profissão tão nobre,

vidinha de pobre do mestre e dos alunos,

tempos, q´alguns imbecis d´agora, desejam que volte,


vai para 56 anos, 

sala de aula com figurões q´ainda m´assustam, 

uma cruz ao meio,

batinhas brancas, quadro negro na parede, pedras do mesmo material, lousas,

giz branco, lápis de pedra, canetas com aparo, 

tinteiros de porcelana, trapo sujo para limpar, com água ou cuspinho,

livros únicos, poucos cadernos e... muita imaginação,

consolação,


inda agora... há poucochinho!!!...


... Sherpas!!!...

quarta-feira, 18 de março de 2026

...sou!!!...

 


 ... gosto de escrever sobre o que mais gosto,

o que trago comigo, o conjunto que me forma,

corpo, num TODO, sobre mim, o que sou,

bem ou mal disposto,



o que fiz, o que me forma, 

continua formando,

com alegrias, tristezas, pranto,

mais ainda, só, meu fado, minha norma,

mais agora, condição em que estou,


ai solidão, ai solidão...


sempre assim fui, continuo sendo,

vivendo, vivendo.

olhando, com olhos de ver, pensando,

comparando, apreciando,


quando não gosto, depreciando, pondo de lado,

esquecendo, sofrendo,

mais pobre... porque não acumulo, 

deito fora,

minha alma chora... 

mas, não esqueço.


ai solidão, ai solidão...


por vezes, interrompo, forçadamente,

paro a escrita, esqueço o teclado,

mas, a mente, ah... a mente,

doce tormento, insiste constantemente,

e, volta que não volta, retorno,

sinto-me bem, acompanhado,

logo me conforto,


ai solidão, ai solidão...


e busco, rebusco nos côncavos das minhas memórias, 

longínquas ou mais recentes, 

comigo ou com os outros, 

de mim ou de quem vejo, 

conheço, 

observo, 

aprecio, deprecio,

logo crio, recrio, como me convém, 

sabe bem,


sou, como sou, 

esteja onde estiver,

num dado momento, num sítio qualquer,

necessidade premente, esquisito, diferente,

cada um sente, como sente,

sou assim, tal e qual...


... Sherpas !!!...


sexta-feira, 22 de outubro de 2021

sherpasmanel: … descrença!!!...

 … descrença!!!...: ... ainda pensei, quando mais novo,  leituras diversas, versões criativas, imaginação inesgotável, romance do POVO, literatura leve, de... publicar em papel mas, depois de muito pensar, considerandos meus, achei, por bem, manter os meus blogs, figura virtual, com nick name e TUDO, protegendo o que mais GOSTO, a NATUREZA, não consumindo resmas e resmas de papel porque delas, das árvores, ele vem. Uma descrença minha do que rejeito, do que respeito... as árvores que muito nos dão, sem pedir NADA, em troco.


Quão apetecível, em dias de VERÃO intenso, temperaturas que nos fazem suar as " estopinhas " e, não só... nos sabe BEM uma sombra bendita e um arzinho fresco, no rosto?

Quão apetecível uma fruta saborosa, depois de bem saciados pela BELEZA dos seus floreados, pinturas tão belas que nos preenchem os olhos, aquecem a alma, nos dão bons pensamentos, nos fazem sentir de bem, connosco e com os outros?

Quão felizes nos sentimos, junto a uma fogueira, em plena NATUREZA, na época invernosa, frio e chuva, neve, intensos... quando acontece, mais novos, alegre confraternização, numa praia qualquer, quando mais novos, amigos em barda, cantando, falando, contando peripécias ou, estando... simplesmente, sentados e juntinhos com os nossos amigos, com as nossas companheiras?

Quão cruéis e mal agradecidos... quando não reconhecemos, sequer, que é graças aos seus ramos e folhas sacrificados no momento, pasto das chamas, feitas em brasa, restinhos que quedam, carvão negro e cinza, muita cinza? Consequências gravosas, muitas carências... miséria q´alastra, fominha q´aumenta. Tristeza... não tem fim.

Quão deslumbrados, deveras encantados por trabalho apurado, artista, de facto, ferramentas apropriadas, paciência ilimitada, arte abrigada no corpo dum homem, na mente d´alguém que lasca... após lasca, arredondamento preciso, num lenho qualquer, disforme, enorme, corporiza, harmoniosamente, na forma, no gosto, na estética também, uma obra impar que, nos faz parar, apreciar, elogiar, comentar?

Quão graciosa, no cimo duma colina, paisagem de sonho, horizonte alargado, lago de águas límpidas pleno de vida, margens convidativas, sombra doutras árvores, troncos que s´abateram, se juntaram consoante plano, ideia precisa, casinha de campo, divisões variadas, escadinhas suaves num alpendre convidativo, de baloiço também, cadeiras e bancos, refúgio de férias, passeios sem destino, caminhadas tão curtas, sossego maior, uma cana na mão, um peixe que s´apanha, noitinha que s´aproxima, mulher na cozinha, filhos cansados da brinca sem fim, do sol que s´apanha, juntinhos numa mesa, numa ceia tão densa, tão plena d´amor e carinho? Preciosas árvores que nos brindaram o material, trabalho, inventiva... no cimo duma colina!

Quão sossegado, conjunto cerrado, num bosque fechado, quantidade volumosa, verdura formosa, universo completo, vidas gregárias, espécies tão raras, sinfonia tão plena, ambiência amena, num mundinho maravilha, no KAOS... uma ilha, são seres viventes, como os vês, como os sentes, verdades completas,
delicadas, estetas, são árvores aos montes, sobrantes, horizontes, tapete ondulante, natureza repleta, um lago por perto, no cimo, uma casinha, refúgio dum poeta!

Quão louco me sinto, descrente... como gente, pasta de papel num globo VIRTUAL, asneira portentosa, engano tremendo, atentado maior, pior, pior! Respeitando quem escreve, quem quer fazer um LIVRO, com esta me fico, receituário culinário, rota de viagem, romance d´amor, aventura ou sofrimento, gargalhar, chorar, edições p´rás multidões, abates criminosos, assassínios compungentes, dinheiros, projecções, gratas ilusões, posteridade que se deteriora, quando se ri, quando se chora, quando se sente, quando se passa, amarfanha, se rasga, se queima, amarelece, s´esquece! Durabilidade duvidosa, na época actual, na nuvem que os guarda, escritos d´agora, sentimento que se pensa, minha ideia, minha DESCRENÇA!

... Sherpas!!!...


quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

... deixa andar!!!...

... nosso mal,  grande defeito, característica do desmazelo,
fazer, inaugurar  com pompa e circunstância,
deixar passar o tempo,
usando, desfazendo

sem qualquer tipo de atenção...

obra que foi assombro, útil, um espanto,
muito entretanto, pelo meio, geração após geração,
o que foi encanto, 
luzidio, foi-se deteriorando,

casario...

parede que s´esboroa, tecto que s´esfarela,
telha que cai no chão, remendo feito à toa, limpeza, higienização,
desinfestação, se por acaso, local de produtos alimentares,
estômago de tantos lares,

mercados...

arrabaldes de LISBOA, por agora,
estória longa, aldeia crescente, mais vila, entre muitas vilas, tão chegadas, 
continuadas,

dormitório...

prolongamento,  raízes profundas, recordação que se mantém,
num edifício, mais aquém,
grande defeito, falta de zelo, manutenção...

desleixo...

foram deslumbrantes,  os palácios,
esbeltas, bem concebidas... as pontes,
aplaudidas, obras arquitectónicas  de vulto,
admiração, muito culto,

pelo engenheiro,  arquiteto, merecedores de todos os
encómios, 

desmazelo...

credibilização que perdurou, anos, séculos passados,
quão nomeados...
conventos de traço,  textura inconcebível, medievos,
frequentes,

falta de zelo...

paz das almas, rezas, orações, enlevos,
trezentos ou mais anos d´existência, 
grande valência...

estradas, caminhos,  viadutos,
encaminhamento d´águas nos aquedutos,

desmazelo...

galgando vales e fragas, trazidas de nascentes bem fundas,
riquíssimo produto,  essência,
bem necessário para...  a nossa existência,

o tempo passa... 

deixa marca, intempéries, erosão, chuvas, ventos, 
elementos...
que desgastam,
alteram, deterioram, ruínas que se acumulam,
desinteresse, falta de atenção,
incúria, manutenção,

falta de zelo...

sem surpresa, a coisa cai,
lá se vai, lá se vai...
obra que foi perfeita,  esmero, aquando da feitura,
desleixo,
apanágio nosso, grande defeito,

deixa andar...

tal como trancas na porta, na casa que foi roubada,
não resultam... não importa,

emendas...

consequências tremendas, erros que se pagam,
vítimas, mortes horrendas, inquérito, averiguação,
logo s´esquecem, 
apagam,

desmazelo...

somos assim, continuamos sendo, sopas depois do almoço,
tardias, a más horas,
outrossim...
em obras, trabalhos raros,
utensílios, ninhos que nos são caros,

património que é descuidado, destruído, abandonado,
desprendidos, quando dado...

entregue a gente estranha que muito lucra, 
s´amanha... não mantém, desmazela,
cão abandonado, sem trela,

rede vazia,  esburacada,
país da fantasia onde impera o desenrascado,
quanto buraco provocado...

se espera  por dinheiro mandado, vítimas duma diáspora esquisita,
nosso destino,  fado cantado,
desgraçadinhos,  remediados,
espólio atirado ao vento, num instante, curto momento,
desleixados mas... com espavento,

PAÍS dos...
deslumbrados!!!... Sherpas!!!...