Dominique Strauss-Kahn has resigned as managing director of the International Monetary Fund, saying he wanted to devote "all his energy" to battle the sexual assault charges he faces in New York.
... in http://www.guardian.co.uk/world/2011/may/19/dominique-strauss-kahn-resigns-imf
The IMF's executive board released a letter from Strauss-Kahn dated 18 May, in which the former managing director denied the allegations against him and went on to say that it was with "infinite sadness" that he presented the board with his resignation.
"I think at this time first of my wife – whom I love more than anything – of my children, of my family, of my friends. I think also of my colleagues at the fund; together we have accomplished such great things over the last three years and more.
"To all, I want to say that I deny with the greatest possible firmness all of the allegations that have been made against me.
"I want to protect this institution which I have served with honour and devotion, and especially – especially – I want to devote all my strength, all my time, and all my energy to proving my innocence."
Strauss-Kahn's resignation comes after increasing international pressure for him to step down as he faces charges of assaulting an employee at a New York hotel. The maid, a 32-year-old immigrant from the west African country of Guinea, told police that Strauss-Kahn, 62, came out of the bathroom naked, chased her down, forced her to perform oral sex on him and tried to remove her underwear before she broke free and fled the room.
Strauss-Kahn, who has held in New York's Rikers Island prison since Monday, is to make a second application for bail on Thursday with his lawyers set to offer new bail terms including $1m (£619,000) in cash and placing their client under house arrest.
A judge rejected his initial plea for bail agreeing with prosecutors that he was a flight risk.
A grand jury has been convened to assess whether Strauss-Kahn will be indicted. Their decision will not be known until Friday. The decision to press for bail ahead of the decision suggests lawyers are urgently trying to free him. If he is released on bail, the deadline to secure an indictment would be extended.
Selection process begins
The IMF's statement late on Wednesday said the process of choosing a new leader would begin, but in the meantime John Lipsky would remain acting managing director.
Several potential candidates to replace Strauss-Kahn have already been suggested, although none has yet indicated that they are interested. These include French finance minister Christine Lagarde, former Bundesbank president Axel Weber, and Kemal Dervis, Turkey's former minister of economic affairs.
The IMF will hold a vote among its member countries to choose the next managing director. The US has the largest share of voting power, with 16.7% of the total votes, followed by Japan with 6%, Germany with 5.7% and the UK and France with 4.85% each.
To win, a candidate must attract 85% of the votes. Critics say it allows Washington and the leading European nations to control the process, so that that IMF is always run by a European in return for an US citizen at the head of the World Bank.
This status quo could be now be challenged, though. On Tuesday China, which holds just 3.65% of the voting power, said the selection of the next IMF leader should be based on "fairness, transparency and merit".
Brazil's finance minister, Guido Mantega, reiterated this point on Wednesday, arguing was important the selection process was based on merit, rather than on nationality. Brazil, which is an important, fast-growing emerging economy, has just 1.38% of the voting power - less than Belgium or the Netherlands.
European leaders have reportedly been lobbying to maintain their grip on the IMF. German chancellor Angela Merkel indicated on Monday that she favoured another European at the helm of the IMF.
... reposição de COISAS minhas, actuais e antigas, algumas fotografias!!!... Sherpas!!!...
quinta-feira, 19 de maio de 2011
domingo, 8 de maio de 2011
“Portugal deve investigar quem do Governo e banca está na origem do endividamento”
“Temos de ir aos incentivos. Quem ganhou com isto? No meu país eu sei quem puxou os cordelinhos, porque o fizeram e o que fizeram, e Portugal precisa de fazer o mesmo. De analisar porque alguém teve esse incentivo, no Governo e nos bancos, para pedirem tanto emprestado e como se pode solucionar esse problema no futuro”, diz o responsável.
... in http://economia.publico.pt/Noticia/portugal-deve-investigar-quem-do-governo-e-banca-esta-na-origem-do-endividamento_1493210
A participar nas conferências do Estoril, o economista, que também participou no documentário premiado com um Óscar “Inside Job -- A verdade sobre a crise”, disse em entrevista à Agência Lusa que Portugal beneficiou muito de estar no euro nesta altura, porque para além do apoio dos seus parceiros da união monetária, terá de resolver os seus problemas estruturais ao invés de recorrer, como muitas vezes no passado, à desvalorização da moeda.
“Talvez para Portugal estar no euro nesta altura seja uma bênção, porque apesar de não conseguir sair do problema de forma tão fácil como antes, através da depreciação [da moeda], vocês têm de lidar com os problemas estruturais que têm”, disse.
A Islândia, na sequência da grave crise económica que sofre desde 2008, derivada do colapso do seu sistema financeiro (que chegou a ser 10 vezes maior que a economia islandesa), também teve de recorrer ao Fundo Monetário Internacional para resolver os seus problemas de financiamento, mas neste caso a experiência não é nada mal vista.
“Penso que o FMI é útil neste sentido, porque é uma instituição que pode ajudar a coordenar as acções. Existem coisas impopulares que têm de ser feitas, e pode ser utilizada como um bode expiatório para essas medidas impopulares, que teriam de ser aplicadas de qualquer forma. Ajuda os políticos locais a justificar aquilo que podiam não conseguir fazer por eles próprios”, diz.
O responsável diz mesmo que a experiência do seu país tem sido “muito boa” e que a instituição tem feito um grande esforço de coordenação para garantir que as medidas têm os efeitos desejados.
“A experiência com o FMI acabou por ser muito boa, porque actualmente têm uma tendência para serem muito pragmáticos, para encontrar soluções que funcionem. Tiveram algumas medidas pouco ortodoxas, como os controlos de capital e outras para reduzir o défice, e ajudaram a garantir que o programa estava no caminho certo, visitando todos os ministérios, o banco central. Tem sido um esforço em grande cooperação”, explica.
No entanto, recorrer a ajuda externa tem as suas consequências e a principal tem sido a falta de confiança dos mercados, explica ainda Gylfi Zoega, acrescentando que ainda não existe previsão para quando ou se a Islândia vai conseguir voltar a financiar-se nos mercados.
“[A Islândia] Não tem qualquer acesso aos mercados de capitais actualmente, e é uma questão em aberto. Quanto tempo demorará? Se os mercados ficarão completamente fechados? Se olham para isto como um problema isolado que podem perdoar ou se olham e pensam nisto como algo mais crónico. Portanto, nós não sabemos como vai ser o nosso acesso ao mercado no futuro”, afirma.
Reduzir salários é prioridade
Gylfi Zoega defende ainda que Portugal tem de baixar os salários “o mais rapidamente possível” para que a economia possa ganhar competitividade e voltar a crescer.
“Claramente para Portugal, o que precisam de fazer, o que o programa aponta para terem crescimento e competitividade é através de salários mais baixos. Os salários precisam de ser reduzidos, o mais rapidamente possível”, afirmou o economista.
Para que isso possa acontecer, o responsável considera que o Governo e os sindicatos têm de se unir e debater a questão e que este deve ser uma espécie de “imperativo nacional”, porque terá de existir essa redução.
“Tem de ser uma espécie de imperativo nacional. Porque vai acontecer mais cedo ou mais tarde. É só uma questão de demorar cinco ou dez anos, ou fazê-lo mais cedo. [...] O perigo é não fazerem nada. Continuarem a não serem competitivos, endividados e sem crescimento por um longo período de tempo”, diz.
O responsável do Banco Central da Islândia aponta ainda a redução da segurança salarial dos trabalhadores mais antigos como uma necessidade para estimular o emprego dos jovens e evitar uma vaga de emigração dos mais jovens.
“É por isso que precisam de um esforço colectivo para fazer isto. Porque a alternativa é os jovens mudarem de país e a economia não crescer”, concluiu.
... in http://economia.publico.pt/Noticia/portugal-deve-investigar-quem-do-governo-e-banca-esta-na-origem-do-endividamento_1493210
A participar nas conferências do Estoril, o economista, que também participou no documentário premiado com um Óscar “Inside Job -- A verdade sobre a crise”, disse em entrevista à Agência Lusa que Portugal beneficiou muito de estar no euro nesta altura, porque para além do apoio dos seus parceiros da união monetária, terá de resolver os seus problemas estruturais ao invés de recorrer, como muitas vezes no passado, à desvalorização da moeda.
“Talvez para Portugal estar no euro nesta altura seja uma bênção, porque apesar de não conseguir sair do problema de forma tão fácil como antes, através da depreciação [da moeda], vocês têm de lidar com os problemas estruturais que têm”, disse.
A Islândia, na sequência da grave crise económica que sofre desde 2008, derivada do colapso do seu sistema financeiro (que chegou a ser 10 vezes maior que a economia islandesa), também teve de recorrer ao Fundo Monetário Internacional para resolver os seus problemas de financiamento, mas neste caso a experiência não é nada mal vista.
“Penso que o FMI é útil neste sentido, porque é uma instituição que pode ajudar a coordenar as acções. Existem coisas impopulares que têm de ser feitas, e pode ser utilizada como um bode expiatório para essas medidas impopulares, que teriam de ser aplicadas de qualquer forma. Ajuda os políticos locais a justificar aquilo que podiam não conseguir fazer por eles próprios”, diz.
O responsável diz mesmo que a experiência do seu país tem sido “muito boa” e que a instituição tem feito um grande esforço de coordenação para garantir que as medidas têm os efeitos desejados.
“A experiência com o FMI acabou por ser muito boa, porque actualmente têm uma tendência para serem muito pragmáticos, para encontrar soluções que funcionem. Tiveram algumas medidas pouco ortodoxas, como os controlos de capital e outras para reduzir o défice, e ajudaram a garantir que o programa estava no caminho certo, visitando todos os ministérios, o banco central. Tem sido um esforço em grande cooperação”, explica.
No entanto, recorrer a ajuda externa tem as suas consequências e a principal tem sido a falta de confiança dos mercados, explica ainda Gylfi Zoega, acrescentando que ainda não existe previsão para quando ou se a Islândia vai conseguir voltar a financiar-se nos mercados.
“[A Islândia] Não tem qualquer acesso aos mercados de capitais actualmente, e é uma questão em aberto. Quanto tempo demorará? Se os mercados ficarão completamente fechados? Se olham para isto como um problema isolado que podem perdoar ou se olham e pensam nisto como algo mais crónico. Portanto, nós não sabemos como vai ser o nosso acesso ao mercado no futuro”, afirma.
Reduzir salários é prioridade
Gylfi Zoega defende ainda que Portugal tem de baixar os salários “o mais rapidamente possível” para que a economia possa ganhar competitividade e voltar a crescer.
“Claramente para Portugal, o que precisam de fazer, o que o programa aponta para terem crescimento e competitividade é através de salários mais baixos. Os salários precisam de ser reduzidos, o mais rapidamente possível”, afirmou o economista.
Para que isso possa acontecer, o responsável considera que o Governo e os sindicatos têm de se unir e debater a questão e que este deve ser uma espécie de “imperativo nacional”, porque terá de existir essa redução.
“Tem de ser uma espécie de imperativo nacional. Porque vai acontecer mais cedo ou mais tarde. É só uma questão de demorar cinco ou dez anos, ou fazê-lo mais cedo. [...] O perigo é não fazerem nada. Continuarem a não serem competitivos, endividados e sem crescimento por um longo período de tempo”, diz.
O responsável do Banco Central da Islândia aponta ainda a redução da segurança salarial dos trabalhadores mais antigos como uma necessidade para estimular o emprego dos jovens e evitar uma vaga de emigração dos mais jovens.
“É por isso que precisam de um esforço colectivo para fazer isto. Porque a alternativa é os jovens mudarem de país e a economia não crescer”, concluiu.
sábado, 7 de maio de 2011
El fin de Bin Laden y la primavera árabe
La muerte de Bin Laden, un símbolo e icono del terrorismo, no tiene casi importancia para los musulmanes del mundo. Para la mayoría de ellos, sus ideas y sus acciones no eran objeto de imitación ni de respeto, como confirman numerosos sondeos llevados a cabo por Gobiernos occidentales y expertos en antiterrorismo. Se trata, sobre todo, de un acontecimiento importante para Estados Unidos y, en menor medida, para Europa.
... in http://www.elpais.com/articulo/opinion/fin/Bin/Laden/primavera/arabe/elpepuopi/20110508elpepiopi_4/Tes
La escenificación del anuncio, con la firme y meditada declaración del presidente estadounidense emitida en directo por televisión, quiso transmitir una impresión de calma en el momento de la victoria sobre el terrorismo y el enemigo público número uno de Estados Unidos.
No hubo hueca fanfarronería. Barack Obama, a quien se ha criticado mucho por su aparente falta de fortaleza en asuntos de seguridad nacional, ha obtenido un poderoso triunfo simbólico que tendrá enormes repercusiones en la opinión pública. No solo continuó la búsqueda de Bin Laden, sino que, en el más absoluto secreto, organizó una delicada operación que logró su objetivo y que sin duda reforzará su imagen como un presidente resuelto, capaz de actuar en los ámbitos cruciales de la seguridad nacional, la defensa y el orgullo patriótico. Las únicas imágenes de las que disponemos hasta la fecha son las del presidente dirigiendo en persona las operaciones desde su despacho: una sucesión de dividendos mediáticos minuciosamente calculados y astutamente concebidos.
Pero debemos ir más allá de la exuberancia de la gente que salió a celebrarlo en las calles de Nueva York. ¿Qué futuro aguarda a Oriente Próximo, ante la conjunción de dos realidades contradictorias: las masivas revoluciones pacíficas que están produciéndose en el mundo árabe y la muerte del símbolo del extremismo violento, el líder de unos grupos diminutos, marginales y marginados? Es posible que haya represalias terroristas; debemos preverlas y hacerles frente con la firmeza necesaria. Pero la tarea consistirá en combatir y neutralizar unos actos aislados de provocación que en ninguna circunstancia deben servir para justificar una filosofía de acción política, el rumbo adoptado por el anterior Gobierno de Estados Unidos. Ya es hora de tratar el extremismo violento como lo que es: la acción de unos grupos pequeños que no representan ni al islam ni a los musulmanes, sino unas posturas políticas aberrantes, sin credibilidad entre las mayorías de las sociedades musulmanas.
Los elementos de una nueva filosofía política que defina la relación de Occidente con el islam y los musulmanes solo pueden surgir del crisol que representa el amplio movimiento por la justicia, la libertad, la democracia y la dignidad que recorre estos días el norte de África y Oriente Próximo. El renacimiento que estamos presenciando en la región debe interpretarse, en primer lugar, como un llamamiento a que Occidente haga un examen de conciencia crítico. Cuando se apague el júbilo por la eliminación de Bin Laden, el "símbolo del cáncer del terrorismo", Occidente debe empezar a revisar de inmediato sus políticas en la zona. La presencia de EE UU y Europa en Afganistán e Irak y la falta de un compromiso firme de resolver el conflicto entre Israel y Palestina son obstáculos que impiden una evolución positiva. A esta lista hay que añadir cuestiones internas como una legislación discriminatoria que atenta contra la dignidad humana y la libertad personal, la existencia de Guantánamo y el uso de la tortura, unas prácticas que aumentan la desconfianza hacia Estados Unidos y sus aliados. Es necesario replantearse a toda velocidad el apoyo a algunas dictaduras de Oriente Próximo y a los emiratos del petróleo, para que esa estrategia no suscite legítimos interrogantes sobre la sinceridad del respaldo de Occidente al proceso de democratización en el mundo árabe.
Las sociedades musulmanas tienen la responsabilidad fundamental de administrar su propio futuro. Hay que subrayar de forma categórica que la inmensa mayoría de la población no se ha dejado seducir jamás por los cantos de sirena de la violencia y el extremismo. Ahora que el pueblo está despertándose, es más importante que nunca que la sociedad civil permanezca movilizada y alerta; que denuncie la corrupción y la ausencia del imperio de la ley y la justicia; que elabore una estrategia genuina para construir sociedades libres y democráticas y que, al final, cree las condiciones para unas relaciones políticas y económicas nuevas con Occidente.
Porque la vieja pareja formada por el islam y Occidente ya no es joven; la presencia de nuevos actores del Lejano Oriente, empezando por China, está alterando los parámetros del orden económico mundial. Estados Unidos, como los países de Sudamérica, como China e India a través de Turquía, sabe exactamente qué está sucediendo. Es muy posible que la primavera árabe sea, en realidad, el otoño de las relaciones del mundo árabe con Occidente y la apertura de una nueva vía hacia otra primavera más amplia, en esta ocasión enmarcada por Oriente Próximo y Lejano. Frente a este nuevo panorama geoeconómico, el anuncio de la muerte de Bin Laden tiene tan poca fuerza como un viento debilitado, como un suceso casual.
Tariq Ramadan es profesor de Estudios Islámicos Contemporáneos en Oxford. © Global Viewpoint Network. Traducción de Mª Luisa Rguez. Tapia.
... in http://www.elpais.com/articulo/opinion/fin/Bin/Laden/primavera/arabe/elpepuopi/20110508elpepiopi_4/Tes
La escenificación del anuncio, con la firme y meditada declaración del presidente estadounidense emitida en directo por televisión, quiso transmitir una impresión de calma en el momento de la victoria sobre el terrorismo y el enemigo público número uno de Estados Unidos.
No hubo hueca fanfarronería. Barack Obama, a quien se ha criticado mucho por su aparente falta de fortaleza en asuntos de seguridad nacional, ha obtenido un poderoso triunfo simbólico que tendrá enormes repercusiones en la opinión pública. No solo continuó la búsqueda de Bin Laden, sino que, en el más absoluto secreto, organizó una delicada operación que logró su objetivo y que sin duda reforzará su imagen como un presidente resuelto, capaz de actuar en los ámbitos cruciales de la seguridad nacional, la defensa y el orgullo patriótico. Las únicas imágenes de las que disponemos hasta la fecha son las del presidente dirigiendo en persona las operaciones desde su despacho: una sucesión de dividendos mediáticos minuciosamente calculados y astutamente concebidos.
Pero debemos ir más allá de la exuberancia de la gente que salió a celebrarlo en las calles de Nueva York. ¿Qué futuro aguarda a Oriente Próximo, ante la conjunción de dos realidades contradictorias: las masivas revoluciones pacíficas que están produciéndose en el mundo árabe y la muerte del símbolo del extremismo violento, el líder de unos grupos diminutos, marginales y marginados? Es posible que haya represalias terroristas; debemos preverlas y hacerles frente con la firmeza necesaria. Pero la tarea consistirá en combatir y neutralizar unos actos aislados de provocación que en ninguna circunstancia deben servir para justificar una filosofía de acción política, el rumbo adoptado por el anterior Gobierno de Estados Unidos. Ya es hora de tratar el extremismo violento como lo que es: la acción de unos grupos pequeños que no representan ni al islam ni a los musulmanes, sino unas posturas políticas aberrantes, sin credibilidad entre las mayorías de las sociedades musulmanas.
Los elementos de una nueva filosofía política que defina la relación de Occidente con el islam y los musulmanes solo pueden surgir del crisol que representa el amplio movimiento por la justicia, la libertad, la democracia y la dignidad que recorre estos días el norte de África y Oriente Próximo. El renacimiento que estamos presenciando en la región debe interpretarse, en primer lugar, como un llamamiento a que Occidente haga un examen de conciencia crítico. Cuando se apague el júbilo por la eliminación de Bin Laden, el "símbolo del cáncer del terrorismo", Occidente debe empezar a revisar de inmediato sus políticas en la zona. La presencia de EE UU y Europa en Afganistán e Irak y la falta de un compromiso firme de resolver el conflicto entre Israel y Palestina son obstáculos que impiden una evolución positiva. A esta lista hay que añadir cuestiones internas como una legislación discriminatoria que atenta contra la dignidad humana y la libertad personal, la existencia de Guantánamo y el uso de la tortura, unas prácticas que aumentan la desconfianza hacia Estados Unidos y sus aliados. Es necesario replantearse a toda velocidad el apoyo a algunas dictaduras de Oriente Próximo y a los emiratos del petróleo, para que esa estrategia no suscite legítimos interrogantes sobre la sinceridad del respaldo de Occidente al proceso de democratización en el mundo árabe.
Las sociedades musulmanas tienen la responsabilidad fundamental de administrar su propio futuro. Hay que subrayar de forma categórica que la inmensa mayoría de la población no se ha dejado seducir jamás por los cantos de sirena de la violencia y el extremismo. Ahora que el pueblo está despertándose, es más importante que nunca que la sociedad civil permanezca movilizada y alerta; que denuncie la corrupción y la ausencia del imperio de la ley y la justicia; que elabore una estrategia genuina para construir sociedades libres y democráticas y que, al final, cree las condiciones para unas relaciones políticas y económicas nuevas con Occidente.
Porque la vieja pareja formada por el islam y Occidente ya no es joven; la presencia de nuevos actores del Lejano Oriente, empezando por China, está alterando los parámetros del orden económico mundial. Estados Unidos, como los países de Sudamérica, como China e India a través de Turquía, sabe exactamente qué está sucediendo. Es muy posible que la primavera árabe sea, en realidad, el otoño de las relaciones del mundo árabe con Occidente y la apertura de una nueva vía hacia otra primavera más amplia, en esta ocasión enmarcada por Oriente Próximo y Lejano. Frente a este nuevo panorama geoeconómico, el anuncio de la muerte de Bin Laden tiene tan poca fuerza como un viento debilitado, como un suceso casual.
Tariq Ramadan es profesor de Estudios Islámicos Contemporáneos en Oxford. © Global Viewpoint Network. Traducción de Mª Luisa Rguez. Tapia.
sábado, 30 de abril de 2011
Facebook accused of removing activists' pages
Protest groups claim Facebook has taken down dozens of pages over the weekend in a purge of activists' accounts has removed dozens of profiles from its site, causing an outcry from campaigners trying to organise anti-austerity protests this weekend.
The deactivated pages include UK Uncut, and pages created by students during last December's university occupations.
... in http://www.guardian.co.uk/technology/2011/apr/29/facebook-accused-removing-activists-pages
A list posted on the Stop Facebook Purge group says Chesterfield Stop the Cuts, Tower Hamlet Greens, London Student Assembly, Southwark SoS and Bristol Uncut sites are no longer functioning.
Administrators for the profiles say hundreds of links between activists have been broken in the run up to the May Day bank holiday. When users click on URL links the message "the page you requested was not found" now appears.
Guy Aitchison, 26, an administrator for one of the non-functioning pages, said: "I woke up this morning to find that a lot of the groups we'd been using for anti cuts activity had disappeared. The timing of it seems suspicious, given a general political crackdown because of the wedding. It seems that dozens of other groups have also been affected, including some of the local UK Uncut groups."
It is not yet known how many groups have been affected in total. A Facebook spokeswoman explained that the profiles were suspended because they had not been registered correctly and denied that the removal of pages was politically motivated or instigated by law enforcement concerns before the royal wedding.
Facebook accounts that claim to represent individual people but are in fact groups or organisations contravene the company's "statement of rights and responsibilities".
The company said a number accounts were suspended at the same time.
Facebook uses technology to track relationships between groups and when one "fake" profile is found, pages that have links to it are also checked. This is done to maintain safety and security on the site and the removal of everything from fake celebrities to pages representing pets is a regular occurrence.
The company did not confirm how many activist accounts had been deactivated on Friday morning.
A spokeswoman for Facebook said activists would be contacted by email and told how to re-activate their accounts correctly. They said this would take several days.
Jim Killock, 38 who runs the Open Rights Group, which campaigns for civil liberties on the net, said: "It's pretty flatfooted of Facebook to pull profiles without notifying users. Clearly, if you just take down sites without any warning, people are going to feel aggrieved, they're going to have activities disrupted and be unable to organise politically," he said.
"It's a pretty bureaucratic move; it's almost impossible to know the difference between a profile and a page, so Facebook should have emailed people first and given them some notice. It's bizarre and upsetting and it's not a good way to treat their users," he said.
quarta-feira, 27 de abril de 2011
Lección del héroe polaco
Tres decisivos testimonios sobre la gesta fundacional de la Europa contemporánea han sido editados entre nosotros al mismo tiempo. Las memorias del director de Les temps modernes, Claude Lanzmann (La liebre de la Patagonia en Seix Barral), su legendario documental sobre el Holocausto (Shoah, en la colección de cine editada por EL PAÍS en DVD) y el deslumbrante informe autobiográfico del polaco Jan Karski (Historia de un Estado clandestino en El Acantilado).
in... http://www.elpais.com/articulo/opinion/Leccion/heroe/polaco/elpepuopi/20110427elpepiopi_5/Tes
Las voces que se oyen crepitar en estos documentos evocan la epopeya de unos hombres y mujeres obligados a elegir su destino en un momento crucial de la historia europea, pero el relato de su lucha contra el nazismo no es el recuerdo de una hazaña bélica sino el sustento moral de la memoria que aún hoy encuentra su plenitud de sentido en aquella insurrección.
Cuando en 1977 Lanzmann consigue grabar en Nueva York su encuentro con el profesor Karski han pasado más de 30 años pero el antiguo mensajero de la resistencia polaca -el hombre que intentó detener el Holocausto-, estremecido por el llanto, debe interrumpir por un momento la filmación. Lo que en 1942 vio con sus propios ojos en el gueto de Varsovia y en el campo de Izbica Lubelska sigue tan vivo en su memoria como vivazmente escrito en un libro que debería figurar en el lugar de honor de cualquier biblioteca.
En su sobria y puntillosa narración Karski cuenta cómo se burló de la Gestapo, cómo visitó el gueto de Varsovia, cómo entró en el campo de exterminio, salió de Polonia, atravesó las fronteras de la Europa ocupada y llevó hasta Inglaterra y Estados Unidos la noticia que conmovería al mundo. Se entrevistó con destacados integrantes del Gobierno británico, con el presidente Roosevelt, con H. G. Wells, con Arthur Koetsler, con miembros del Pen Club, con periodistas y profesores, y con cuanto ilustre o influyente ciudadano estuviera dispuesto a escuchar el relato de la barbarie alemana. Impartió conferencias, publicó artículos y se mostró dispuesto una y otra vez a repetir con minuciosidad todo cuanto había visto con sus propios ojos.
A sus interlocutores, efectivamente, les consterna el delirante pogromo que se está ejecutando en Europa. Pero el transporte masivo de seres desquiciados por el miedo y la humillación, apiñados como ganado macilento en cloacas y fosas comunes, no consiguió movilizar las fuerzas necesarias para impedir de inmediato la matanza.
En 1981 Jan Karski recordó ante la Cámara de Representantes de los Estados Unidos el significado de aquel crimen y de aquella impotencia: "Soy un católico practicante. Y declaro que la Humanidad ha cometido un segundo pecado original. Este pecado la atormentará hasta el fin del mundo. Ese pecado me atormenta. Y quiero que así sea".
Un remordimiento inconcebible cuando empieza a escribir su libro, inmediatamente después de llegar a los Estados Unidos, en 1943, mientras difunde infatigablemente en universidades, periódicos y radios el grito de auxilio de los judíos encerrados en el gueto de Varsovia. Karski está animado por el convencimiento de lograr el despliegue masivo de bombardeos y de cuanta acción militar haga recular a los nazis. Es el joven patriota, exestudiante en la escuela diplomática, entregado en cuerpo y alma a servir al Estado organizado en la clandestinidad por la resistencia polaca. Es altivo, susceptible, valiente y orgulloso.
A lo largo de su seductor relato se manifiesta la ética de un catolicismo forjado en la opresión, el profundo arraigo de la convicción que alimenta a la nación polaca. La vida de los hombres y mujeres que se enfrentan al ocupante imbuidos por una formidable fuerza espiritual. Una nobleza reflejada en el libro gracias a la aguda penetración con que Karski sabe retratar el carácter de sus protagonistas.
Especialmente entrañable es la delicadeza con que nos habla de las "inolvidables mujeres" polacas. Es su abnegación, valor y engañosa fragilidad, la que da al informe de Karski ese tono de cántico a un futuro que en aquel momento solo puede imaginar como una promesa de independencia y democracia. La pecosa y desgarbada Danuta, la delgada y poco atractiva Bronka, la infatigable y optimista Wanda, la "sublime ingenuidad" de la escritora católica Zofía Kossac, del Consejo de Ayuda a los Judíos, nos enseñan cómo puede subsistir, en las infames condiciones de la ocupación, la simpatía, el afecto y la ternura.
Como todo lo que nos llega de una época anterior a nuestro nacimiento, el libro de Karski da la impresión de estar evocando un tiempo pasado. Pero su lectura revela precisamente lo contrario. No todo ha sido resuelto ni mucho menos cancelado. Aunque consiguiéramos saber por qué los Aliados no llegaron a tiempo o por qué entregaron Polonia a Stalin en la Conferencia de Teherán, temblaría todavía ante nosotros el eco de aquella atrocidad.
El intrépido desprecio de Jan Karski por el nazismo es una ejemplar lección moral pero más aleccionadora es la audacia con que hasta su fallecimiento quiso recordarnos nuestro "segundo pecado original".
Basilio Baltasar es director de la Fundación Santillana.
in... http://www.elpais.com/articulo/opinion/Leccion/heroe/polaco/elpepuopi/20110427elpepiopi_5/Tes
Las voces que se oyen crepitar en estos documentos evocan la epopeya de unos hombres y mujeres obligados a elegir su destino en un momento crucial de la historia europea, pero el relato de su lucha contra el nazismo no es el recuerdo de una hazaña bélica sino el sustento moral de la memoria que aún hoy encuentra su plenitud de sentido en aquella insurrección.
Cuando en 1977 Lanzmann consigue grabar en Nueva York su encuentro con el profesor Karski han pasado más de 30 años pero el antiguo mensajero de la resistencia polaca -el hombre que intentó detener el Holocausto-, estremecido por el llanto, debe interrumpir por un momento la filmación. Lo que en 1942 vio con sus propios ojos en el gueto de Varsovia y en el campo de Izbica Lubelska sigue tan vivo en su memoria como vivazmente escrito en un libro que debería figurar en el lugar de honor de cualquier biblioteca.
En su sobria y puntillosa narración Karski cuenta cómo se burló de la Gestapo, cómo visitó el gueto de Varsovia, cómo entró en el campo de exterminio, salió de Polonia, atravesó las fronteras de la Europa ocupada y llevó hasta Inglaterra y Estados Unidos la noticia que conmovería al mundo. Se entrevistó con destacados integrantes del Gobierno británico, con el presidente Roosevelt, con H. G. Wells, con Arthur Koetsler, con miembros del Pen Club, con periodistas y profesores, y con cuanto ilustre o influyente ciudadano estuviera dispuesto a escuchar el relato de la barbarie alemana. Impartió conferencias, publicó artículos y se mostró dispuesto una y otra vez a repetir con minuciosidad todo cuanto había visto con sus propios ojos.
A sus interlocutores, efectivamente, les consterna el delirante pogromo que se está ejecutando en Europa. Pero el transporte masivo de seres desquiciados por el miedo y la humillación, apiñados como ganado macilento en cloacas y fosas comunes, no consiguió movilizar las fuerzas necesarias para impedir de inmediato la matanza.
En 1981 Jan Karski recordó ante la Cámara de Representantes de los Estados Unidos el significado de aquel crimen y de aquella impotencia: "Soy un católico practicante. Y declaro que la Humanidad ha cometido un segundo pecado original. Este pecado la atormentará hasta el fin del mundo. Ese pecado me atormenta. Y quiero que así sea".
Un remordimiento inconcebible cuando empieza a escribir su libro, inmediatamente después de llegar a los Estados Unidos, en 1943, mientras difunde infatigablemente en universidades, periódicos y radios el grito de auxilio de los judíos encerrados en el gueto de Varsovia. Karski está animado por el convencimiento de lograr el despliegue masivo de bombardeos y de cuanta acción militar haga recular a los nazis. Es el joven patriota, exestudiante en la escuela diplomática, entregado en cuerpo y alma a servir al Estado organizado en la clandestinidad por la resistencia polaca. Es altivo, susceptible, valiente y orgulloso.
A lo largo de su seductor relato se manifiesta la ética de un catolicismo forjado en la opresión, el profundo arraigo de la convicción que alimenta a la nación polaca. La vida de los hombres y mujeres que se enfrentan al ocupante imbuidos por una formidable fuerza espiritual. Una nobleza reflejada en el libro gracias a la aguda penetración con que Karski sabe retratar el carácter de sus protagonistas.
Especialmente entrañable es la delicadeza con que nos habla de las "inolvidables mujeres" polacas. Es su abnegación, valor y engañosa fragilidad, la que da al informe de Karski ese tono de cántico a un futuro que en aquel momento solo puede imaginar como una promesa de independencia y democracia. La pecosa y desgarbada Danuta, la delgada y poco atractiva Bronka, la infatigable y optimista Wanda, la "sublime ingenuidad" de la escritora católica Zofía Kossac, del Consejo de Ayuda a los Judíos, nos enseñan cómo puede subsistir, en las infames condiciones de la ocupación, la simpatía, el afecto y la ternura.
Como todo lo que nos llega de una época anterior a nuestro nacimiento, el libro de Karski da la impresión de estar evocando un tiempo pasado. Pero su lectura revela precisamente lo contrario. No todo ha sido resuelto ni mucho menos cancelado. Aunque consiguiéramos saber por qué los Aliados no llegaron a tiempo o por qué entregaron Polonia a Stalin en la Conferencia de Teherán, temblaría todavía ante nosotros el eco de aquella atrocidad.
El intrépido desprecio de Jan Karski por el nazismo es una ejemplar lección moral pero más aleccionadora es la audacia con que hasta su fallecimiento quiso recordarnos nuestro "segundo pecado original".
Basilio Baltasar es director de la Fundación Santillana.
quarta-feira, 8 de dezembro de 2010
... bestiais!!!...
... eram tempos bestiais, os das bestas,
como animais,
atreladas a carros, carretas e carroças, pouco normais,
ruas pejadas de dejectos com que as iam borrifando,
sózinhas, atreladas, andando,
andando,
resfolegando,
quando cansadas,
foram força, foram engenho,
ajuda,
foram portento nas eiras, nas pedrinhas das calçadas,
nos carreiros traçados nos campos,
conduzidas por quem as cavalgava,
carregadas,
lá iam, levavam, traziam sementes, frutas,
sustento,
sacas levantadas por impulso, braços esforçados,
caras sem expressão, curtidas pelo sol, pela chuva,
ao lado das bestas, degrauzito apenas, carreiros,
carreteiros ou carroceiros,
azeitona ou uva, épocas distintas,
lá vinham a caminho dos lagares,
barulho ensurdecedor de ferraduras,
descanso no quintalão,
lavrador de latifúndio, bem anafado, como patrão,
dono das bestas, dos carreiros, carreteiros,
outros tempos,
menos bestais do que actuais,
vidinha dura, fome extrema, cansaço,
força do braço,
força da besta,
uma que outra romaria, um laivo de festa,
penúria que se sentia,
mal o sol luzia,
já posto,
casa humilde que o pressentia,
recolhia,
mulher que vinha da monda, da ceifa,
no campo,
miudagem na rua, sem botas, sem sapatos,
descalços,
jogos dispostos, estratagemas, brinquedos de restos,
esquemas,
no que se apanhava, arame, cortiça, lata vazia,
muita, muita companhia,
empatia com a malta, pedrada no charco, mergulho na ribeira,
pássaros que comiam,
ninhos com ovos, pardais pequeninos,
peixe que se apanhava com artes diversas,
com as mãos nas lapas, por vezes,
éramos senhores, éramos Deuses,
no tempo das bestas,
nada bestiais,
nas resmas de palha, no centro das searas,
nas tocas dos grilos,
na azeitona que sobrava, rabisco,
num abelharuco, numa popa, num pisco,
cotovia saltitante,
liberdade nos campos,
azinheiras com bolota gorda, adocicada,
entrada na horta, fruta bem fresca,
fanada,
gado a pastar, ajuda no campo,
feira que se avizinha,
bota calçada, varapau nas unhas,
caminho do gado, boca que ajuda,
de pais para filhos,
patrões eram patrões, acima das bestas, carreiros ou carreteiros,
quase iguais,
eram filhos, já crescidos, como os pais,
labuta campestre, idade rupestre, poeira na estrada,
torrões que se esboroam com passagem de arado,
força do braço,
força da besta,
descanso, campo lavrado,
bestas ao lado comendo ração,
dejectos no chão,
sombra que convida,
tristeza de vida no tempo das bestas,
com pausa nas festas,
na tasca,
na bebedeira que se toma,
cantiga que se forma,
sorriso imbecilizado,
momento, recado,
filho que vem, sustenta seu pai, condu-lo para casa,
reduto sombrio,
uma cama, uma trempe,
panela de ferro, de barro, ao lume,
feijão que requenta,
míngua tão grande, trabalho esforçado,
tão besta como a besta,
repetição,
tanto no INVERNO, como no VERÃO,
restos pelo lajedo,
gato enrolado,
caçador de ratos,
cão que se tinha, companhia,
ajuda no gado
empedrado da rua, regato ao meio,
sem sonhos,
devaneio,
gaita de beiços, cantigas e danças,
na esquina, no casão,
associação ali perto,
rancho que se forma,
caldo que se entorna,
zanga com navalha reluzente,
com murros e berros, feridas profundas,
vidas tão pobres,
no tempo das bestas,
os menos, com patas, duas ou quatro,
os mais, tão iguais, donos de todas,
fartos,
latifúndios ou feudos, no tempo da lavoura,
imitando obscurantismo medievo,
tal como duque, conde ou barão,
erguendo ceptro, erguendo bastão,
dando, tirando com a mesma mão,
coisinha pouca,
se recorda, não se doura,
no tempo das bestas,
de cima, de baixo,
quando as penso, as encaixo,
por vezes, com festas,
assim as vejo, revejo,
recuso... não desejo!!!... Sherpas!!!...
como animais,
atreladas a carros, carretas e carroças, pouco normais,
ruas pejadas de dejectos com que as iam borrifando,
sózinhas, atreladas, andando,
andando,
resfolegando,
quando cansadas,
foram força, foram engenho,
ajuda,
foram portento nas eiras, nas pedrinhas das calçadas,
nos carreiros traçados nos campos,
conduzidas por quem as cavalgava,
carregadas,
lá iam, levavam, traziam sementes, frutas,
sustento,
sacas levantadas por impulso, braços esforçados,
caras sem expressão, curtidas pelo sol, pela chuva,
ao lado das bestas, degrauzito apenas, carreiros,
carreteiros ou carroceiros,
azeitona ou uva, épocas distintas,
lá vinham a caminho dos lagares,
barulho ensurdecedor de ferraduras,
descanso no quintalão,
lavrador de latifúndio, bem anafado, como patrão,
dono das bestas, dos carreiros, carreteiros,
outros tempos,
menos bestais do que actuais,
vidinha dura, fome extrema, cansaço,
força do braço,
força da besta,
uma que outra romaria, um laivo de festa,
penúria que se sentia,
mal o sol luzia,
já posto,
casa humilde que o pressentia,
recolhia,
mulher que vinha da monda, da ceifa,
no campo,
miudagem na rua, sem botas, sem sapatos,
descalços,
jogos dispostos, estratagemas, brinquedos de restos,
esquemas,
no que se apanhava, arame, cortiça, lata vazia,
muita, muita companhia,
empatia com a malta, pedrada no charco, mergulho na ribeira,
pássaros que comiam,
ninhos com ovos, pardais pequeninos,
peixe que se apanhava com artes diversas,
com as mãos nas lapas, por vezes,
éramos senhores, éramos Deuses,
no tempo das bestas,
nada bestiais,
nas resmas de palha, no centro das searas,
nas tocas dos grilos,
na azeitona que sobrava, rabisco,
num abelharuco, numa popa, num pisco,
cotovia saltitante,
liberdade nos campos,
azinheiras com bolota gorda, adocicada,
entrada na horta, fruta bem fresca,
fanada,
gado a pastar, ajuda no campo,
feira que se avizinha,
bota calçada, varapau nas unhas,
caminho do gado, boca que ajuda,
de pais para filhos,
patrões eram patrões, acima das bestas, carreiros ou carreteiros,
quase iguais,
eram filhos, já crescidos, como os pais,
labuta campestre, idade rupestre, poeira na estrada,
torrões que se esboroam com passagem de arado,
força do braço,
força da besta,
descanso, campo lavrado,
bestas ao lado comendo ração,
dejectos no chão,
sombra que convida,
tristeza de vida no tempo das bestas,
com pausa nas festas,
na tasca,
na bebedeira que se toma,
cantiga que se forma,
sorriso imbecilizado,
momento, recado,
filho que vem, sustenta seu pai, condu-lo para casa,
reduto sombrio,
uma cama, uma trempe,
panela de ferro, de barro, ao lume,
feijão que requenta,
míngua tão grande, trabalho esforçado,
tão besta como a besta,
repetição,
tanto no INVERNO, como no VERÃO,
restos pelo lajedo,
gato enrolado,
caçador de ratos,
cão que se tinha, companhia,
ajuda no gado
empedrado da rua, regato ao meio,
sem sonhos,
devaneio,
gaita de beiços, cantigas e danças,
na esquina, no casão,
associação ali perto,
rancho que se forma,
caldo que se entorna,
zanga com navalha reluzente,
com murros e berros, feridas profundas,
vidas tão pobres,
no tempo das bestas,
os menos, com patas, duas ou quatro,
os mais, tão iguais, donos de todas,
fartos,
latifúndios ou feudos, no tempo da lavoura,
imitando obscurantismo medievo,
tal como duque, conde ou barão,
erguendo ceptro, erguendo bastão,
dando, tirando com a mesma mão,
coisinha pouca,
se recorda, não se doura,
no tempo das bestas,
de cima, de baixo,
quando as penso, as encaixo,
por vezes, com festas,
assim as vejo, revejo,
recuso... não desejo!!!... Sherpas!!!...
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