... reposição de COISAS minhas, actuais e antigas, algumas fotografias!!!... Sherpas!!!...
terça-feira, 28 de outubro de 2008
... gota!!!...
... gota de água na torneira,
pinga que não pinga, cai que não cai,
pequeníssima parte de lago, de ribeira,
pedaço de nuvem que caiu
no chão,
sob calor intenso do Sol se vai,
evapora,
como lágrima que seca quando se chora,
pinga que não pinga,
cai que não cai,
sustentação dum sentimento,
manifestação,
amostragem do que se sente,
gota que se solta dum corpo,
que se mantém inerte,
que não verte,
que se nota, se aponta
quando desponta,
retenção
do que tem dentro do cano, do recipiente,
reboluda, uniforme,
brilhante, incipiente,
hesitante no seu trajecto, periclitante,
pedacinho dum gigante,
barragem extensa que se espraia,
cumulação de tantas gotas,
juntas, inundando vale, mais que prontas,
regando terras, pequenas esferas que se atropelam,
contidas por paredão,
encaminhadas ou não
dependendo da intenção,
choro desatado, emoção,
gotinhas que deslizam por faces juvenis,
adolescentes, infantis,
quereres absolutos, entregas,
dores, refregas,
espasmos de quem muito sofre,
soluços, gemidos, esgares,
carpimentos por quem falece,
algo que nos falta, que nos cobre,
enluta corpo, alma, desgraça,
tragédia que não esquece,
que perdura, não passa,
de mansinho,
pinga que não pinga,
cai que não cai,
lágrima que se solta, sai,
esparrama no solo,
deixando alívio, consolo,
equilibrada na torneira,
gota maravilhosa que resiste,
insiste,
lá está, ao longo de muitas horas,
a desoras,
esquecida num tem-te que não tem,
dependente de alguém,
coisa bela que reluz,
induz,
faz lembrar parte maior,
lago, ribeira, barragem,
amostragem,
pequeníssima parte,
com arte,
doce encanto, certo rubor,
reflexo dum entorno,
chama da lareira,
esplendor numa torneira,
fulgor!!!...
... gota, também é doença,
mal dos bem comidos,
excesso de purinas, quando se pensa,
que faz inchar, massacra
remediados, ricos,
com medicação, passa,
cai que não cai
quando nos vem, vai que não vai,
gota diferente
que ataca essa gente,
ácido úrico cumulativo,
com esta, me fico,
seguindo o seu caminho
na cara duma criança,
doença que vem, nos alcança,
parada numa torneira,
quase... sem eira nem beira!!!... Sherpas!!!...
... exaustos!!!...
… exaustos, doentes, com fome,
espalhados pelos cantos,
sem encantos,
deitados, rendidos,
perdidos,
tolhidos pelo medo, pelo frio,
numa manhã de intensa neblina,
um lamento, uma tosse, um arrepio,
com mar parado,
velas caídas, imensa cortina,
ruídos, sempre os mesmos,
consoante a ondulação,
mais leves, espaçados,
ao invés, por ali… no convés,
barcaça da aventura,
quanta dor, amargura,
noutros momentos, os dos tormentos,
raios, chuvas, ventos
soprando por todos os lados,
na tempestade que não deu descanso,
silêncios, medos,
marulhar intenso, feroz,
oceano que altera a sua voz,
pavores que os ultrapassam,
quantos monstros, visões,
os reduzem, assombram,
quantos gritos, quantas rezas, maldições,
noite de sofrimento, já passada,
acalmia repentina,
que se abate com a neblina,
velas caídas, imensa cortina,
rendidos, exaustos,
caídos por… todos os lados!!!...
… um entreabrir de olhos, um som que se entranha,
um espanto, incredulidade, corpos que se erguem,
perdidos, no meio da intensa neblina,
quanto se estranha,
um outro, mais alargado, prolongado,
caras que se interrogam, não mexem,
no mar espelhado, ali parado,
sem vistas, cortadas por densa cortina,
agitação, enquanto se erguem,
alguns sussurros, interrogações,
a brisa matinal vai soprando, de mansinho,
afasta a escura solidão, aquele vazio,
vai desfazendo todos os receios,
uma enseada se desenha, um recorte tão fino,
areal extenso, branco, de sonho,
sombreado por arvoredo espesso,
que Paraíso, doce lugar, belo cantinho,
extasiados, contemplam com devaneios,
onde se encontram, seu destino,
pergunta que faço, me ponho,
quando sofrido, doente, faminto,
recordo os meses… penso,
desde que partimos daquela praia lusitana,
vida rude, agreste… espartana!!!...
… arreiam os botes, marinhagem com remos,
desconfiados, receosos, lá vão,
alguns, ainda assim não tenham surpresas,
levam armas, precavidos que são,
olhos perspicazes esquadrinham a praia,
olham o denso matagal,
alongam seu olhar,
perdem-no no longínquo horizonte,
nos altos montes, nas serranias
que têm defronte,
receios e devaneios, em confronto,
vão remando, pensando,
encalham no areal, puxam o bote,
dão uns passos na orla, tocam no arvoredo,
dão uma corrida, dão um grito entalado na glote,
ficam parados, indecisos,
perante um magote de gentes estranhas,
com folhas, com penas,
com paus aguçados, sem roupas apenas,
surpresos também,
que chega, que vai, hesita, medita,
logo avança, se acerca!!!...
… dois grupos, dois Mundos,
olhares, toques, gestos,
meio inquietos, sorrisos manifestos,
bem acolhida aquela vinda, perdidos e confusos,
perplexos quedaram,
olharam, olharam,
grupos distintos, grupo tão nu,
por ali… ficou!!!...
… serão homens, serão Deuses,
cautelas, certezas,
receios, por vezes,
exaustos, com fome, doentes,
no meio daquelas gentes,
ali, nos confins do Mundo,
chegaram com nada,
ficaram… com tudo!!!... Sherpas!!!...
espalhados pelos cantos,
sem encantos,
deitados, rendidos,
perdidos,
tolhidos pelo medo, pelo frio,
numa manhã de intensa neblina,
um lamento, uma tosse, um arrepio,
com mar parado,
velas caídas, imensa cortina,
ruídos, sempre os mesmos,
consoante a ondulação,
mais leves, espaçados,
ao invés, por ali… no convés,
barcaça da aventura,
quanta dor, amargura,
noutros momentos, os dos tormentos,
raios, chuvas, ventos
soprando por todos os lados,
na tempestade que não deu descanso,
silêncios, medos,
marulhar intenso, feroz,
oceano que altera a sua voz,
pavores que os ultrapassam,
quantos monstros, visões,
os reduzem, assombram,
quantos gritos, quantas rezas, maldições,
noite de sofrimento, já passada,
acalmia repentina,
que se abate com a neblina,
velas caídas, imensa cortina,
rendidos, exaustos,
caídos por… todos os lados!!!...
… um entreabrir de olhos, um som que se entranha,
um espanto, incredulidade, corpos que se erguem,
perdidos, no meio da intensa neblina,
quanto se estranha,
um outro, mais alargado, prolongado,
caras que se interrogam, não mexem,
no mar espelhado, ali parado,
sem vistas, cortadas por densa cortina,
agitação, enquanto se erguem,
alguns sussurros, interrogações,
a brisa matinal vai soprando, de mansinho,
afasta a escura solidão, aquele vazio,
vai desfazendo todos os receios,
uma enseada se desenha, um recorte tão fino,
areal extenso, branco, de sonho,
sombreado por arvoredo espesso,
que Paraíso, doce lugar, belo cantinho,
extasiados, contemplam com devaneios,
onde se encontram, seu destino,
pergunta que faço, me ponho,
quando sofrido, doente, faminto,
recordo os meses… penso,
desde que partimos daquela praia lusitana,
vida rude, agreste… espartana!!!...
… arreiam os botes, marinhagem com remos,
desconfiados, receosos, lá vão,
alguns, ainda assim não tenham surpresas,
levam armas, precavidos que são,
olhos perspicazes esquadrinham a praia,
olham o denso matagal,
alongam seu olhar,
perdem-no no longínquo horizonte,
nos altos montes, nas serranias
que têm defronte,
receios e devaneios, em confronto,
vão remando, pensando,
encalham no areal, puxam o bote,
dão uns passos na orla, tocam no arvoredo,
dão uma corrida, dão um grito entalado na glote,
ficam parados, indecisos,
perante um magote de gentes estranhas,
com folhas, com penas,
com paus aguçados, sem roupas apenas,
surpresos também,
que chega, que vai, hesita, medita,
logo avança, se acerca!!!...
… dois grupos, dois Mundos,
olhares, toques, gestos,
meio inquietos, sorrisos manifestos,
bem acolhida aquela vinda, perdidos e confusos,
perplexos quedaram,
olharam, olharam,
grupos distintos, grupo tão nu,
por ali… ficou!!!...
… serão homens, serão Deuses,
cautelas, certezas,
receios, por vezes,
exaustos, com fome, doentes,
no meio daquelas gentes,
ali, nos confins do Mundo,
chegaram com nada,
ficaram… com tudo!!!... Sherpas!!!...
quarta-feira, 22 de outubro de 2008
... vassalagem!!!...
…profusão de pensamentos,
ideias díspares, constantes,
bem preenchidos, os momentos,
nos locais, nos instantes,
mais controversos… diferentes,
destes seres, destes mutantes,
senhores de tantas gentes,
do Universo, do Mundo inteiro,
das criaturas inocentes,
das vespas dum vespeiro,
dos rochedos altos… disformes,
das flores dos canteiros,
das plantas que dão os comes,
das manadas de carneiros,
dos bichos ferozes das selvas,
dos bois, das vacas, dos bezerros,
das plantas daninhas, das relvas!!!...
…dos que são menos que senhores,
dos indigentes, nas trevas,
dos estúpidos, dos estupores,
dos que pouco pensam, das levas,
dos recrutados, das multidões,
dos rebanhos, das presas,
dos que se enganam… aos montões,
da irracionalidade, sem defesas,
da matéria dura… pura,
dos que não se sentam nas mesas,
dos que, a vida, descura
e põe… na triste vassalagem,
como um escravo, simples pagem,
dos que são assolados, por momentos,
sempre… em qualquer altura!!!...
…catadupas de pensamentos,
numa ideia suja… impura,
que faz vergar os joelhos,
nas pernas… nos artelhos,
aos fracos, aos indefesos,
a toda, qualquer criatura,
feita de matéria dura e… pura!!!... Sherpas!!!...
... zangado se mostra!!!...
… zangado se mostra, lá fora,
quando assobia, quando sopra,
enfurecido, molhado,
manhã cinzenta, chuvosa,
pessoas incertas, casas sombrias,
janelas cerradas, ruas vazias,
conchego dos lares, vento que rola,
chuva que cai, barulho constante,
mendigo escondido, num portal qualquer,
figura que aflige, caricatura,
trapo, vida ruinosa,
que se encolhe, que se evola,
ideias paradas, uma cruz, um penar,
espelho ultrajante,
que esquece, não quer,
quanto sofrer, quanta amargura,
manhã de Outono, tudo molhado,
princípio que se espera,
duro, cruel, mortífero,
para o desamparado,
sem eira, nem beira,
indigente, pobre… só, consigo!!!...
… cantilena, áspera, sonante,
rola o vento, caustica o desgraçado,
espalha gotas frias da chuva,
numa dança tétrica, crua,
tornando o quadro degradante,
ali no portal, andrajoso, tolhido,
pela intempérie, pelo frio,
quanto se reduz, molhado,
quase porta, quase portal,
simples ponto final,
escasso acidente, mero mortal,
abandono, desamparo,
incúria, vento que soa, que uiva,
água que o inunda,
quanto se afunda,
abrigo reduzido, mero amparo,
rua vazia, deserta, portas fechadas,
janelas bem cerradas,
casas sombrias,
portas sem alma… casas vazias!!!...
… ficou a imagem, ficou a dor,
num passo apressado, alguém abrigado,
no seu abafo, no guarda-chuva,
moeda que dá, qual desculpa,
sentindo, partilhando o pavor,
tempo que vem, chuva que cai,
frio presente, posto de lado,
réstia, sobra, escumalha,
humanidade esquecida, vento que uiva,
partilha sem dádiva, sem amor,
gesto, sobra, moeda,
simples tralha,
indigente que queda,
sem abrigo, com frio,
todo molhado, isolado… sem pio,
amostra de gente,
humilhação dos aconchegados,
casas sem alma, janelas cerradas,
mal abrigados.
portas… fechadas!!!... Sherpas!!!
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