... reposição de COISAS minhas, actuais e antigas, algumas fotografias!!!... Sherpas!!!...
terça-feira, 4 de dezembro de 2007
... espanhóis!!!... (antiga)
...irra que é demais!...vou deixar de vos aborrecer com as minhas escrevinhadelas, por uns tempos, com esta me fico...ouvi, há uns tempo atrás, uma repórter duma televisão portuguesa, pública ou privada, não sei bem, afirmar com todas as letras que a nossa avenida da Liberdade, nela, na avenida, português, mesmo português, só tínhamos a estátua pois tudo o resto, zonas comerciais, bancos, seguradoras pequenas e médias lojas de moda, as boutiques de roupa de marca e, algumas coisas mais, tinham, todas, mas todas, como donos, os nuestros hermanos, os espanhóis... é verdade, pois muitas vezes o confirmei, nas minhas passeatas, a pé, pela cidade mais linda da Europa, quanto a mim, que as conheço quase todas, com umas ligeiras excepções, a minha linda Lisboa, a Lisboa dos sonhos de todos os portugueses e de todos os galegos que emigram mais para a nossa capital do que para Madride, sabe-se lá porquê???... é triste reconhecermos que, os nossos políticos em geral, em matéria de economia, de dinheiros, vão sempre pelo caminho mais fácil e menos perspicaz, a favor dos espanhóis porque, eles, os espanhóis, na actualidade ganham sempre... ganharam com a banca, com as seguradoras, com o vestuário, com os géneros alimentícios, com os materiais de construção, eu sei lá, instalaram-se cá em força, de corpo e alma e, pelos vistos, gostam muito, ainda mais com a passividade e a conivência dos nossos pobres administradores, uns frouxos, uns deslumbrados, uns Migueis de Vasconcelos que não sabem, nem tentam, travar tal invasão, antes a incentivam... palavra de honra, quem é que fica convencido com as tais patacoadas do Durão que em relação a este problema, que se agudiza, se limita a afirmar que pertencemos à União Europeia, um grande espaço livre de pessoas, de mercadorias e de qualquer outro tipo de interesses e que os portugueses, em Espanha, podem fazer o mesmo. Tenho lido e ouvido da parte de pessoas mais esclarecidas e abalizadas do que eu que, os nuestros hermanos quando vendem produtos deles aos outros, no pasa nada, mas em sentido contrário parece que há alguns impedimentos a nível central, Madride, embora não o digam e, a nível população espanhola é o que todos sabemos, gostam muito de nos virem extorquir dinheiro, com as negociatas deles, claro, de nos roubarem o peixe e o marisco, lajes e granitos de muros e de casas velhas, como se estivessem em casa deles e de nos brindarem com as porcarias que não desejam para eles, águas poluídas, através dos rios de grande curso, comuns aos dois países, e o fuel do Prestige que, graças a Deus e à Srª. de Fátima, não nos afectou... são assim os nuestros hermanos!... Agora, parece que o ministro da economia com a anuência do primeiro dos ministros, querem apostar no turismo que, além das exportações, parece ser uma saída para a crise(???...). Pergunto eu, sabendo a apetência dos espanhóis pelas nossas águas, pelas nossas areias, pela nossa costa alentejana, pelo nosso Alentejo e Trás-os-Montes, províncias pobres mas plenas de potencialidades por explorar, pelas nossas Pousadas, por tanto que nós temos de BOM e que, por enquanto, ainda nos pertencem, se não teriam sido ordens emanadas pela excelência do Aznar, vindas de Madride, a fim de serem seguidas à recta por estes nossos políticos de treta, subservientes e deslumbrados por Torre de Molinos ou por Benidorme e outros antros espanhóis de turismo em massa que tudo destroi e nada poupa... estaremos condenados, no futuro e não só no Algarve, com flamengos e olés durante toda a noite, até de madrugada, arruinando o que ainda preservamos e mantemos como reservas do bom senso e do equilíbrio...conheço toda a geografia espanhola e, no Verão, onde o turismo de massas se implantou, não dá prazer nenhum nem tão pouco agrada ao Menino Jesus, não falando da péssima qualidade das suas águas, especialmente as do Mediterrâneo, onde não é raro ver, antes pelo contrário, juntamente com os banhistas, resíduos fecais humanos... está bem, as excelências, os que podem pagar bem, não deparam com essas situações pois afloram as praias, muito ao longe, a bordo dos seus iates... valente aposta esta, a do turismo, ao mando de quem, do Aznar e dos interesses espanhóis, como sempre???... Tristes e pobres administradores estes que nos caíram em cima...não sou xenófobo, nem tão pouco nacionalista fanático, penso que todos ganhamos com a diversidade mas, espanhóis, meu Deus, espanhóis convencidos e orgulhosos de que, tal como na época das descobertas, só pensam em sacar o oiro (ao bandido, como dizia o outro???...) e logo depois, de regresso a casa, com os alforges plenamente cheios, indiferentes na totalidade para o facto de aplicarem, ou não, algum em proveito dos portugueses a quem estão habituados a dar sobras ou produtos de inferior qualidade???...Como bem os conheço não me vou em cantigas dos que, dizem deles próprios, "somos los mas grandes..." Sherpas!!!...
segunda-feira, 3 de dezembro de 2007
... ia passando por entre as mesas... do café!!!... (antiga)
… ia passando por entre as mesas do café olhando, faminto, para os copos, para as garrafas, para os pratos, figura cadavérica, rapaz ainda novo, velho… pelas agruras do Mundo em que se afundava, o da tóxico-dependência, descurando o que o estômago lhe exigia, encaminhando para a veia, qualquer moeda, quaisquer trocos que arrecadava na arrumação de carros, na pedincha continuada!!!... Fora criança, teve pais amantíssimos, teve amigos, colegas e companheiros de estudos, de aventuras, de travessuras… foi crescendo, fez-se adolescente, desviou-se do caminho que ia seguindo, normal, quando comparado com o que está estabelecido para os jovens, agora novos e dependentes, quase irresponsáveis… depois, num repente, homens com obrigações, pais de família, trabalho destinado, quando o obtêm, dificuldades ou obstáculos que se deparam a todos, com raras excepções, os menininhos, chamemos-lhes assim!!!...
… ele tinha pertencido a este último grupo, o dos menininhos… com tudo, ou quase tudo, algumas carências afectivas, alguns excessos materiais, um desequilíbrio que provocou a hecatombe, a fuga p´rá frente, o mergulho no escuro!!!... Tinha acompanhado o seu percurso de vida, ainda o recordava nos seus bons tempos, fogoso e alegre, despreocupado, quase sempre bem acompanhado com raparigas de estalo, com rapazes de idêntico calibre, grupo que fazia furor, que estava na berra, que conseguia concretizar sonhos e fantasias, as mais diversas, num País tão carenciado como o nosso, fugiam à regra, futuro garantido… na certa!!!...
… os pais idolatravam-no mas, pelas obrigações sociais, pelos entretenimentos que mantinham, pelas actividades que executavam, pelas viagens continuadas… descuraram o melhor, não o acompanharam devidamente, não perceberam o que se passava com o rebento!!!... Pequeno príncipe rodeado de luxos, boas roupas, dinheiros bastos, carros adequados para a altura mais indicada, de grande cilindrada, desvarios bem diversos, clubes, pub,s e concertos musicais, saídas para o estrangeiro, faltas constantes às suas obrigações, experiências de todo e qualquer tipo, sem fronteira, até que…. numa de constante desafio, quis experimentar também… fumou, snifou, injectou!!!...
… Mundo novo se lhe abriu, sensações, visões hiperbólicas, tudo perfeito, sentido de leveza total, desapego de quanto o rodeava, fuga da realidade que, por vezes… mesmo com tanta facilidade, se lhe deparava, uma leve dor de cabeça, um desinteresse que o acabrunhava, a falta dos progenitores, a ausência do carinho que desejava, a sensaboria da vida que levava, a busca do que ainda não tinha!!!... Alcançara tudo isso através daqueles charros, daqueles pós que aspirara, mais tarde… do que metia na veia, com uma facilidade dos demónios, através da entrega duns cobres, do dinheiro que lhe sobejava!!!... Impelido por terceiros, por companheiros… pensando bem, concluía que não, sequência infernal, pura consequência, um calhar, algo que tinha de acontecer, que… aconteceu, simplesmente!!!...
… o corpo habituou-se, quando faltava a dose, reagia, provocava desconforto… pedia mais e mais, a dependência foi-se agravando, o dinheiro escasseando, desprendeu-se de tudo quanto possuía, roubava em casa dos pais, vivia dentro daquela ratoeira, ciclo escabroso, tenebroso… reduzidos horizontes, objectivo sempre o mesmo, aliviar aquela falta que o assaltava, o escravizava cada vez mais!!!... Transformou-se por completo, os pais… preocupados tardiamente, começaram a fazer alguma coisa em prol do filho!!!... O dito, estava descontrolado… afundado naquela devassidão, Mundo sujo, degradado, sem valores, sem dignidade, arrumado pelas ruas, pelos cantos, pelas casas arruinadas, no meio de lixos e dejectos, misturado com sombras como ele, de agulha espetada na veia ou… buscando o que o corpo pedia, insistentemente!!!...
… falar dos esforços dos progenitores, dos desgostos provocados, das soluções para o caso… dos internamentos em casas de recuperação, quintas de desintoxicação, das vontades aparentes, das recaídas, seria um contra-senso da minha parte!!!... Há muito tempo o não via, chorava o desespero dos pais, a infelicidade do filho… a vida foi-se processando, com todos os altos e baixos, dentro dos parâmetros normais e anormais, para mim, para os outros e num escape, numa pequena pausa, num curto intervalo… estando eu sentado numa esplanada qualquer tornei a vê-lo, quase irreconhecível, qual fantasma macabro, olhos desorbitados, mão estendida, não balbuciando palavra, sequer… olhando todas as mesas, com gula, de esfomeado que estava!!!...
… num rompante, ligeiro, deslocava-se a uma mesa onde apanhava um resto duma torrada que não foi comida, um bolo abandonado por quem não o apreciou, uma bebida que não foi consumida até ao final, uma água no fundo duma garrafa, uma cerveja que ficou num copo, de mesa em mesa, aspirador humano… com voracidade, tudo engolia, indiferente ao olhar dos que o iam perseguindo e pensando na degradação humana daquele ser famélico que continuava de mão estendida, parando, sem palavra, andando de mesa em mesa!!!... Poucos lhe deram… sabiam qual o caminho do dinheiro!!!... Depois de o reconhecer, entristecido, pespeguei-lhe uma certa quantia na mão aberta que, logo se fechou, nem olhou… virou costas e fugiu!!!...
… foi, certamente… comprar a dose que o corpo lhe pedia!!!... Vidas tão iguais, quantas mais, quantos filhos sem pais, que… nunca foram!!!... Sherpas!!!...
... como sombras!!!...
… como sombras esbatidas na parede,
foram vidas, copos vazios sem sede,
vendo passar o tempo que se ergue,
inclemente,
como obstáculo que se visualiza,
suaviza,
caminhares que pararam de repente,
um não fazer, sem querer,
indolente vontade que se agita,
que não grita,
se sujeita como sombra que se desenha,
levemente,
naquela rua pejada de gente,
naquele recanto do desencanto,
arrastando a sua sorte
quase às portas da morte,
grupo que se completa emudecido,
olhando,
vendo passar, com tempo, sem grito!!!...
… leve gemido,
palavra suspensa se solta,
conversa que esmorece,
que murcha, fenece,
que esquece,
recorda dores, agruras,
venturas,
saudades que já foram,
sem rede,
protecção que se pretende,
copos vazios, sem sede,
vidas com sombras esbatidas,
pensares que te perseguem
se erguem como obstáculos,
paredes erguidas,
sombras que seguem,
na tua frente,
figuras ágeis do passado,
tentáculos
a que te agarras… quando paras!!!...
… quando te encostas, sem respostas,
conversas tidas, interrompidas,
tuas mãos postas,
orações reprimidas,
esgares, dores,
na face, nas costas,
no rosto dos outros,
sentidas,
com tempo, sem grito,
gemido contido,
imagens tolhidas,
conversas sem som, palavras escassas,
quando olhas… quando passas!!!...
… suspensas,
esbatidas… nem pensas,
são restos, são sombras,
são grupos, aos molhos,
com quem te encontras,
por onde passas… os olhos!!!... Sherpas!!!...
foram vidas, copos vazios sem sede,
vendo passar o tempo que se ergue,
inclemente,
como obstáculo que se visualiza,
suaviza,
caminhares que pararam de repente,
um não fazer, sem querer,
indolente vontade que se agita,
que não grita,
se sujeita como sombra que se desenha,
levemente,
naquela rua pejada de gente,
naquele recanto do desencanto,
arrastando a sua sorte
quase às portas da morte,
grupo que se completa emudecido,
olhando,
vendo passar, com tempo, sem grito!!!...
… leve gemido,
palavra suspensa se solta,
conversa que esmorece,
que murcha, fenece,
que esquece,
recorda dores, agruras,
venturas,
saudades que já foram,
sem rede,
protecção que se pretende,
copos vazios, sem sede,
vidas com sombras esbatidas,
pensares que te perseguem
se erguem como obstáculos,
paredes erguidas,
sombras que seguem,
na tua frente,
figuras ágeis do passado,
tentáculos
a que te agarras… quando paras!!!...
… quando te encostas, sem respostas,
conversas tidas, interrompidas,
tuas mãos postas,
orações reprimidas,
esgares, dores,
na face, nas costas,
no rosto dos outros,
sentidas,
com tempo, sem grito,
gemido contido,
imagens tolhidas,
conversas sem som, palavras escassas,
quando olhas… quando passas!!!...
… suspensas,
esbatidas… nem pensas,
são restos, são sombras,
são grupos, aos molhos,
com quem te encontras,
por onde passas… os olhos!!!... Sherpas!!!...
domingo, 2 de dezembro de 2007
... quadros!!!...
Quadros
Uma criança que chora,
uma mãe que a consola,
um velho triste q´implora,
um jovem que se isola,
quadros bem degradantes
para quem já tinha pensado
que, só dantes, muito antes,
num Mundo posto de lado,
aconteciam estas cenas,
obscuras, sujas, obscenas,
noutras épocas, doutras feras,
sanguinários chacais,
terríveis, medonhos animais,
senhores de todas as guerras,
megalómanos assassinos,
donos de tantos destinos,
destruidores prepotentes
de terras, de povos, de raças,
maléficos, pobres doentes,
criadores de desgraças,
norteados por ambições,
por credos, por religiões,
por valorização de moedas,
por negócios inconfessáveis,
por tantas e tantas merdas,
tão baixas, tão miseráveis,
tão comezinhas e rasteiras
que se esquecem das crianças,
das mulheres ainda solteiras,
das mães consoladoras,
agastadas, sofredoras,
dos velhos que só imploram
e dos jovens, sós, que choram!...
Elvas, 12 de Abril de 1 999
Sherpas!!!...
Uma criança que chora,
uma mãe que a consola,
um velho triste q´implora,
um jovem que se isola,
quadros bem degradantes
para quem já tinha pensado
que, só dantes, muito antes,
num Mundo posto de lado,
aconteciam estas cenas,
obscuras, sujas, obscenas,
noutras épocas, doutras feras,
sanguinários chacais,
terríveis, medonhos animais,
senhores de todas as guerras,
megalómanos assassinos,
donos de tantos destinos,
destruidores prepotentes
de terras, de povos, de raças,
maléficos, pobres doentes,
criadores de desgraças,
norteados por ambições,
por credos, por religiões,
por valorização de moedas,
por negócios inconfessáveis,
por tantas e tantas merdas,
tão baixas, tão miseráveis,
tão comezinhas e rasteiras
que se esquecem das crianças,
das mulheres ainda solteiras,
das mães consoladoras,
agastadas, sofredoras,
dos velhos que só imploram
e dos jovens, sós, que choram!...
Elvas, 12 de Abril de 1 999
Sherpas!!!...
... Senhor Cristo!!!...
Senhor Cristo
Uma reza, uma entrega,
um esquecer da razão,
uma verdade que se nega,
um pedido, um perdão,
uma humildade aparente,
uma data que nos consome,
um encontro, uma gente,
tanta mulher, tanto homem,
uma dívida que se sente
numa promessa que se paga,
Àquele Ser, Àquele Ente,
que se acarinha, que se afaga,
que se adula e se passeia,
numa prece, numa procissão,
numa cidade bem cheia
de tanta fé, de coração,
de amor, de fraternidade,
de aparente humildade,
em busca de um perdão,
quando nos consome a verdade,
quando se nos abate a razão,
quando vergamos, quando sentimos,
quando paramos, quando fugimos,
quando escondemos, quando pensamos,
quando queremos, aos que amamos,
numa entrega, numa reza,
numa fé que não nos nega,
que nos aceita e faz viver,
Naquele Homem, Naquele Ser!...
Elvas, 20 de Setembro de 1 999
Sherpas!!!...
Uma reza, uma entrega,
um esquecer da razão,
uma verdade que se nega,
um pedido, um perdão,
uma humildade aparente,
uma data que nos consome,
um encontro, uma gente,
tanta mulher, tanto homem,
uma dívida que se sente
numa promessa que se paga,
Àquele Ser, Àquele Ente,
que se acarinha, que se afaga,
que se adula e se passeia,
numa prece, numa procissão,
numa cidade bem cheia
de tanta fé, de coração,
de amor, de fraternidade,
de aparente humildade,
em busca de um perdão,
quando nos consome a verdade,
quando se nos abate a razão,
quando vergamos, quando sentimos,
quando paramos, quando fugimos,
quando escondemos, quando pensamos,
quando queremos, aos que amamos,
numa entrega, numa reza,
numa fé que não nos nega,
que nos aceita e faz viver,
Naquele Homem, Naquele Ser!...
Elvas, 20 de Setembro de 1 999
Sherpas!!!...
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