inda agora, há poucochinho,
indo eu, num caminho,
olhando para os meus pés,
hesitantes, pela idade,
mente vazia, sem destino, pura verdade,
mais ainda, só...
pelas circunstâncias,
quantas e quantas discrepâncias?
bate à porta de TODOS porque, finitos,
acontecemos, desacontecemos,
evidências,
breves momentos... lampejos,
cedências,
luz intensa, desejos, clarividências,
tons sombrios, mais funestos,
somos restos
tão pequeninos, grãozitos, numa imensidão,
deixamos de ser, ocasião...
sentados, numa noite fria de inverno,
primeiros tempos de união, casita da minha lembrança,
retintamente alentejana,
barrotes no tecto, telha vã,
grandes bilhas de barro " quartas " numa... bancada,
com pouca coisa, quase sem nada,
ampla chaminé, crepitar da lenha d´azinho,
faúlhas crepitavam, som que s´espalhava pela cozinha,
atento a cafeteira, com água, altura de fazer o café,
grão moído num rudimentar moinho,
depois de feito, coado, com paciência, para separar as " borras "
bebido, ainda quente, juntamente, juntamente...
com uma boa fatia de pão e queijo d´ovelha,
ratinho, da panela, bem duro e saboroso,
sem tábua, sem telha, o que havia e não havia,
princípio adorado, quando lembro, quadro formoso!
tudo isto me vem,
como convém,
quando me ponho a teclar, escrevendo, pensando,
lembrando.
Quanta penúria, pagamento escasso, profissão tão nobre,
vidinha de pobre do mestre e dos alunos,
tempos, q´alguns imbecis d´agora, desejam que volte,
vai para 56 anos,
sala de aula com figurões q´ainda m´assustam,
uma cruz ao meio,
batinhas brancas, quadro negro na parede, pedras do mesmo material, lousas,
giz branco, lápis de pedra, canetas com aparo,
tinteiros de porcelana, trapo sujo para limpar, com água ou cuspinho,
livros únicos, poucos cadernos e... muita imaginação,
consolação,
inda agora... há poucochinho!!!...
... Sherpas!!!...

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