domingo, 7 de setembro de 2014

… começo da… hora!!!...

praça ampla
pejada de tendas multicoloridas,
mesas, cadeiras, vazias agora,
mui cedo, ainda, começo da hora,

... pensando nas visitas do dia anterior,
fausto grandeza, esplendor,
palácio imponente, MUSEU grandioso,
não tão formoso, paredes vítreas, opacas,
mesmo no CENTRO, palavras gravadas,
JUDEU eminente... quanta dor,
sofrimento e morte, sua sorte,
no campo do desencanto... estertor...

atarefamento na exposição de produtos,
comestíveis, frutos,
confeccionamento de tantos outros,
odores adocicados, frituras também,
sorrisos, enchidos,
quantos pernis, salsichas tão fartas,
rapaz que as comercializa, andando de cá para lá,
aquecimento, entre um pão,
cerveja na mão,
sentado no chão,

mastigando a preceito,
vontade,
um jeito,
um bem estar, um gosto,
no final de Agosto,

cidade tão linda, sabores de cerdo,
convite, acerto,
publicidade a rodos,
gente que surge, começo da hora,
passámos, provámos,
fomos embora,

... pensando nas visitas do dia anterior,
fausto grandeza, esplendor,
palácio imponente, MUSEU grandioso,
não tão formoso, paredes vítreas, opacas,
mesmo no CENTRO, palavras gravadas,
JUDEU eminente... quanta dor,
sofrimento e morte, sua sorte,
no campo do desencanto... estertor...

ali, bem perto, situado num cruzamento,
com movimento,
restaurante que cativa,
consulta-se a lista,
interpela-se empregado, pergunta pensada,
inglês universal,
em terra germânica, coração dum pesadelo,
 carne branca grelhada,
acompanhamento,
de preferência, um frango, um galo,
devaneio, puro intervalo,
certeza digestiva,
idade avançada,

sorriso aberto, perceptível, concreto,
deduz, pela pronuncia,
origem do cliente,
arranha espanhol, fala português,
outras línguas, também,
que sim, que tem,
era uma vez...

em terra estranha, fala como barreira,
empregado poliglota,
fronteira aberta,
canseira,

... pensando nas visitas do dia anterior,
fausto grandeza, esplendor,
palácio imponente, MUSEU grandioso,
não tão formoso, paredes vítreas, opacas,
mesmo no CENTRO, palavras gravadas,
JUDEU eminente... quanta dor,
sofrimento e morte, sua sorte,
no campo do desencanto... estertor...

como se fora hoje, recordo o sabor
dos panados de frango no prato,
da salada, a condizer,
da impecabilidade,
no servir,
do falar, do sorrir,

esplanada,
com feirinha ali ao pé,
odor de salsichas em profusão,
tendas coloridas, pernil de porco,
 quase na hora do almoço,

... pensando nas visitas do dia anterior,
fausto grandeza, esplendor,
palácio imponente, MUSEU grandioso,
não tão formoso, paredes vítreas, opacas,
mesmo no CENTRO, palavras gravadas,
JUDEU eminente... quanta dor,
sofrimento e morte, sua sorte,
no campo do desencanto... estertor...

incrédulo, prossigo... vendo, comparando,
aceitando o PRESENTE,
a manifestação em frente à CATEDRAL,
mesas e bancos corridos junto ao mercado aberto,
tão perto,
casinhas dos enchidos, dos pernis, das salsichas,
dos costados, lombos inteiros,
tábuas variadas de queijos,

canecas de cerveja em punho,
simpatia do empregado poliglota,
hospitalidade,
do frango ou do galo,
empanado, saboroso,
da verdade,
dia belo, solarengo... tão formoso,
terra estranha que encanta,
memória que conserva,
reserva, reserva...

língua como barreira,
fronteira aberta,
canseira!!!...  Sherpas!!!...

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

… descrença!!!...

... ainda pensei, quando mais novo, leituras diversas, versões criativas,
imaginação inesgotável, romance do POVO,
literatura leve, de cordel, chamativas,

na BONDADE universal, campos diferentes, entre o BEM e o MAL,
PARAÍSO, INFERNO,
HOSSANAS, DESTERRO...

bonecos coloridos, bombásticas deduções,
mais ou menos compostas, retinham minha atenção, faziam mexer meus neurónios,
profundas reflexões...
entre cantilenas de mais velhos, religiões,

buscando caminho através das leituras, para males meus e d´outros,
vastas curas, MUNDOS paralelos, estranhos vindos do NADA,
uma que outra escapada...

mais evoluídos, sementes q´espalharam, experimentação, tipo portentosa alquimia,
objectos, sub-repticiamente vistos,
desconhecidos...

mescla de DEUSES com símios guturais, desconformes,
parecidos com homens... biliões de anos, exemplos,

um que outro mais avisado, bem documentado, dom de gesto, palavra, cativação,
arrastamento propositado,
embevecida multidão...

sombras bastas, nuvens espessas, negrura dos TEMPOS, passos primeiros,
mais avançada, leitura com um fito,
resposta como objectivo...
porque não ACREDITO,
descrença s´instalou, por aqui ficou,

gostaria de saber como foi, como é, questão de FÉ,
mas... não, VER para CRER como S.Tomé,
dizem as ESCRITURAS, no que, a RELIGIÃO, me refiro, afirmo,
infirmo...

teimo... quando busco, com algum custo,
pela idade que não pára, avança,
pouca ESPERANÇA... quase m´anulo,não ACREDITO
no eleito que foi POLÍTICO,
que ficou RICO,

não serviu quem o elegeu, pecado dele,
pecado meu <?>
desgostado me quedo, não os entendo, não ACREDITO no eleito que é POLÍTICO,
que faz a GUERRA...
destruição por tanta TERRA,
matando seu igual, num arrebato IRRACIONAL,
revoltado me sinto, não minto,

não ACREDITO na RELIGIÃO que confronta,
amedronta...
se supera ao CRIADOR <?> desfazendo da sua OBRA, com intenção, malvadez imbuída de patriotismo,
quanto, quanto CINISMO, afastado me coloco,
indiferente me posiciono,

não ACREDITO nos extraterrestres, no PODER dos que se julgam DEUSES,
pelo DINHEIRO...
pela ausência permanente,
alquimia que fornece sofrimento, INFERNO de tanta GENTE,
tristonho meu semblante, como o de qualquer tratante,

Não ACREDITO num Paraíso tão resguardado, com emissários vestidos de negro,
ladainhas q´entoam,
que bem soam...
música d´ouvido sem convencimento, sentido,

TEMPLOS de vários CREDOS, monumentos diversos, exaltação dos oprimidos,enaltecimento dos q´estão...
prometendo o que não dão, acumulação, estadão,
tão contrários, quando são, quase SEMPRE em contramão,
adoradores do MILHÃO,

não ACREDITO em qualquer INSTITUIÇÃO
que não sirva, com devoção...
longe d´interesses pessoais,
seus lacaios, serviçais, quando se julgam muito MAIS,

mediante jogos de cintura, quanto sofrimento, amargura...
desvianço inesperado, promiscuidade confusa, manuseio do que lhe não pertence,
desconfiança que me sobra,
afastamento que cresce, mediante fuga, soçobra,

pau para toda a obra, colher metida no prato,
sopa que é do parceiro,
poupança... pouco dinheiro,

não ACREDITO, mídia que não informa, desprezando regra, norma, servindo seu dono, patrão,
senhor de tanto MILHÃO...
incumprindo NOBRE missão, por um reles tostão, lugar que é posição <?>

incrédulo me torno, desconfiado bastante, desbaste q´empequenece,
alisa, diminui, decresce...
dissolve, s´evapora num instante, passando a ser um simples poltrão,
da desinformação,

não ACREDITO, não ACREDITO,
não acredito,
não acre...
não... 

não posso ACREDITAR no religioso fanático, do morrer e MATAR,
no corrupto, promíscuo, POLÍTICO
que, para ser RICO...
é vigarista, consumado LADRÃO, por mais ou menos MILHÃO,

qualquer INSTITUIÇÃO que mete a colher onde bem quer,
sopa d´OUTROS...
impunes, imunes, como LOUCOS, alguns, bem POUCOS, que se julgam DEUSES, extraterrestres,
muito acima dos que são PEDESTRES,

arraia miúda, poupadinhos de SEMPRE,
na BANCA, na GUERRA, na BOLSA, qualquer FRENTE, nos profissionais da  mídia da desinformação,
lacaios... do PATRÃO,

não ACREDITO, não ACREDITO,
não acredito,
não acre...
não...  Sherpas!!!...

  

sábado, 2 de agosto de 2014

… sopa GATA!!!...

... tempos houve que, uma simples sopa,
para mim, toque de magia,
quase milagre,
menino e moço, já crescidote,
adolescente,
a partir da boca,
quando degustava,
pouco mais, saboreava,
que bem me sabia,

um zero, na arte da culinária,
não avaliava, sequer,
trabalho da mulher que me pariu,
mãe adorada,
que muito me deu, ainda não partiu,
quase bebé, pela provecta idade,
ainda recorda, lúcida, como se quer,
grande mulher,

cheiros que me seduziam,
evolavam,
na saudosa cozinha
onde, dando os primeiros passos,
assistia a programas da televisão,
comilão,
não tanto da comida,
mais, da informação,

todo um MUNDO que s´abria
enquanto, nas tarefas costumeiras,
mãezinha cozinhava,
cozinhava...
num vai e vem permanente,
para toda a gente,
família,

desses momentos,
ficou-me o cheiro,
quanto sabor,
adivinhava os passos,
períodos intensos,
descascar de leguminosas,
fritar de carnes, peixes,
trituração d´alimentos,
preparação da mesa,
hora da refeição,

num ALENTEJO prometedor,
condimentos adequados,
salgados, demolhados,
cozidos, açordas, refogados,
borregos, porcos, vitelos,
vítimas constantes,
fruta do mar,
a que surgia,
vezes por outras, aparecia,
autêntica magia...

doces apreciados,
na ocasião,
final da refeição,
retoque perfeito,
bem recordados,

como iniciei,
uma simples sopa,
quase um milagre,
coisinha louca,
tarefa única,
estudante não mui apurado,
vivia descansado,
quanto a comidas, a compras,
a fazedor
da culinária, suprema arte,
fosse do que fosse,
extraordinária,
como, dum violino, melodiosa ária,
numa orquestração que m´era alheia,
nem maestro, nem músico,
apenas consumidor,

como constatei, pelas circunstâncias,
mais tarde,
jovem, com profissão,
amorio d´altura
que perdura,
enlace adequado,
com padre, numa capela,
fatinhos com entretela,
alianças e tudo,

ninguém separa o que “DEUS” uniu,
religião que não professo,
confesso,
me deram, quando nascido,
como se viu,

casa própria, casalinho novo,
que perfeição,
tarefas em catadupa,
aprendizagem rápida,
limpeza do pó,
provimento de consumíveis,
tempos incríveis,
encargos,
lar, trabalhos,

minha mulher não era doméstica,
colegas,
vencimentos tão curtos,
duras refregas,
quantos sustos,
interrogações permanentes,
lá fomos vivendo,
aprendendo,
descobrindo segredos,
muita imagética,
questão d´estética,
na apresentação,
ornamentação,
desenovelando a magia,
com gosto, alegria,

aprendi a cozinhar,
colaborando, descascando,
reparando pela confecção,
de toda, qualquer refeição,

gostava do que fazia,
pelos cheiros do passado,
um que outro rabiscar d´olho,
quando a minha mãe cozinhava,
agora, casado,

na minha casa de telha vã,
alugada,
no princípio,
que desafio,
tentava, conseguia,
tornei-me “CHEFE” de pratos alentejanos,
mariscos, peixes, carnes variadas,
antanhos,

com orgulho,
mostrava,
quando convidava familiares ou amigos,
minhas habilidades,
que mantenho,
conservo,
realizo, vezes por outras,
delícia de tantas bocas,

fiel de todas as sopas,
substanciais
ou não,
mais normais,
como a de cação,
de tomate, de beringelas,
migas, açordas várias,
um ror,
fugindo ao mais elaborado
que, com matéria adequada,
não custa nada,
também sai cozinhado
pela mão deste vosso criado,

não é dom,
não é sapiência,
foi aprendizagem continuada,
quase adquirida ciência,
coisinha de nada,

ainda ontem,
pescadita média no frigo,
concluímos,
acordámos,
prato simples, agradável,
sopinha “gata”
saborosa, um espanto,
pão que migámos,
dentinho d´alho no prato,
regado com bom azeite,
de vinho, o vinagre,
pescada cozida, depois de salgada,
partida em troços,
juntamente com pedaço de cebola,
rola que rola,
rebola,
fervente,

q´odor,
quando juntámos,
quando comemos,
que sabor,
um branco fresco,
delícia,
que proveito,
não necessita qualquer jeito,

especiarias, picantes,
consoante, conforme gosto de cada um,
melhor ainda... nenhum!!!...  Sherpas!!!...



sexta-feira, 27 de junho de 2014

... os nus e... os mortos...


… saco vazio na mão,
quanta solidão,
presença, mal percebível,
arrastando pés pelo chão,




fraca figura,
intentos,
extinguível,
sentindo-se nu, sem proventos,
roupa de sempre,
esfiapada
reduzível,
do que foi, simples farrapo
que dura,

fiapo,
usança continuada,
um ter de ser, um proforma,
podem crer,
perante sociedade, como norma,




tão sem,
tão nada,
créditos d´outrora,
continuado brilhantismo,
agora, no abismo,
esfumou-se, num sopro,
estado calamitoso,
recordação que s´esbate,
lentamente

taxas impagáveis,
impostos,
desemprego,
penhoras,
desgostos,
situação de medo,
esvaíram-se bens materiais,
perdido entorno familiar,
triste, recolhido,
diminuído,
sem lar,
sem  haveres,
tão nu, sem teres,




quase não tinha sombra,
sol não dava por ele,
rua vazia não o sentia,
cidade não o reconhecia,

com saco vazio,
lá ia,
roupa, pelo fio,



fazendo pela sobrevivência,
única saída,
vivendo do que lhe dão,
instituição,
banco d´alimentos,
alguma solvência,
entre resto, sobra,
não s´imola,

fazendo fintas à vida,
resistente,
tão sofrida,
pobre gente,



já não pensa no passado,
soberbo, nababo,
gestor de topo,
harmonia entre fartanços,
créditos tantos,

imóveis,
último grito, em tudo,
amigalhaços notáveis,
voltitas pelo Mundo,
nas graças, como muitos,
fortuitos,

gargalhares,
ripanço,
constante mudança d´ares,
reviravolta repentina,
descrédito, aflição
de saco na mão,



tão nada,
sem descanso,

catástrofe,
tumulto de vulto,
sistema que s´altera,
situação que s´atropela,
modifica,
entorna para outra direcção,
desastre aflitivo,
negação,
um grito,
estrofe,
poética
incerta, não profética,



antítese,
corpos inseguros, cismáticos,
velhos, doentes, fracos,
permissíveis,
inamovíveis,
resistentes que falecem,
não esquecem,
por descuidos, desleixos,
sem queixume, amargurados,
sofrem calados,
se suicidam, por vezes,



envergonhados,
esbatidos,
maltratados,
sofridos,
esgueiram-se desta vida,
sofrendo,
morrendo…
em seguida!!!... Sherpas!!!...