… quando enlaçados, bem juntos, comunhão intensa, dois corpos se unem, partilhando quereres perfeitos, esvoaçando por céus, fazendo dos sonhos, meus, imaginando outras cores, nos entregamos à voragem da paixão que nos consome, deixando de ser homem, no corpo duma mulher, nos braços que recebe desejos que são teus,
uníssonos, em amálgama, clímax se produz no recesso duma cama, objecto que se inflama, lençóis que nos cobrem maravilhas que vemos, momentos que temos, amor que se partilha,
no meio de tantos caminhos, carícias afagos, beijos, incontáveis torvelinhos, montes de encantamento, graal, cálice santo, receptáculo, vale da criação, sem obstáculo,
eterno feminino, adoração, menir gigante, exaltação, erectus penetrante, entoação de encanto, um hino, rendidos, lado a lado, prostração,
profunda adoração, cores que modificam, se esvaem, intensificam, alucinação,
confusa viagem, magia que transforma, sede que inebria, noite que se faz dia, acalmia, tão grande fome recebendo toque divino, formando união de facto,
conjugação dum acto que nos seduz, reluz, nos conduz num arco-íris em coche feito de prata, enxergamos coloridos mais densos, tons de profunda luxúria, apensos,
no gozo, na formosura, no prazer que possuímos, teus olhos que são meus, nos meus que Deus me deu, quando choramos, quando rimos,
no âmago que completa, vida que recomeça, prolongamento do que somos, quando nos entregamos, quando fomos Deuses, num vasto Olimpo, dois Mundos no infinito,
quase rogo, quase afirmo, naquela entrega sem enganos, cores tão lindas, diversas, vários tons, tamanhos, enxergados num curto hiato por olhos que nunca viram, quando riram, choraram… sentiram!!!... Sherpas!!!...
… formosa, bonitinha, encontrou mais uns milhões quando varria a cozinha, entrou em paranóia com arranjos, estadões, cumpriu obrigação, desempenho atribuído, preparado com cuidado, cozinhado não discutido tramóia dos galinfões,
janela aberta de rompante, gritaria esfanicada, mais arranjada, elegante, casamento que busca, fervor, razia externa se sente, sem paixão, nem amor,
caldeirão p´ró casamento, feijoada à brasileira, com fitinhas no cabelo, grande encanto, um desvelo, bicharada que desfila, zurra, berra, guincha, quando passa, se perfila, eleito, quase sem defeito, disjunção, afastamento, mais um que fala, relincha, já vai longo o espavento,
não contesta quando rejeita, Carochinha rica, perfeita, coração que bem entende quando bate, de repente,
ratão esperto, vivaço, guloso de primeira apanha, pouco liga ao seu traço, tão transversal o interesse pelas fitinhas no cabelo, nariz que olfacteia algo que lhe faz refrear o passo, atenção, logo lhe merece,
pára, ouve, faz contas, compara ganhos, despesas, banquete que prevê, na certa, apetite que lhe desperta naquele sítio, na travessa,
diz que sim, a correr, não liga à criatura embevecida na janela, quase não pode crer no que acaba de ver dentro de enorme panela, por detrás daquela figura,
aprazado o casamento, feijoada que reluz, pensamento obsessivo, mais por ela cativo, que pela Carochinha de truz, diligente, permissivo,
num escape, regalado pelos feijões, casamento que se despeita, sabendo-se como excelência, dominado por gula intensa, arrisca uma escapada na senda dos milhões, cozinha dos cozinhados,
banco que trepa, sobe, desliza, tudo queima, mata, inferniza,
porque cai no caldeirão, das ratonices, o ratão, volta a pobre à janela gritando infortúnios, penas,
perante promessa d´ocasião, lamúrias com que desenhas continho em parte incerta, teimosia das grandes perdas, das entregas que se fazem, da negociata, disparate, dos milhões que se desfazem com habilidade… muita arte,
cantinho dos desencantos, dos choradinhos, dos prantos, casamento, excrescência, ratices com aldrabices, carochinha na cozinha, cozinhado por excelência, grande logro… conveniência!!!... Sherpas!!!...