... reposição de COISAS minhas, actuais e antigas, algumas fotografias!!!... Sherpas!!!...
sábado, 5 de janeiro de 2008
... estou na fossa!!!...
… estou na fossa, em baixo,
como pretendam, como entendam,
cabisbaixo,
é bom que compreendam,
pouco me importa,
nas tintas, revirado do avesso,
confesso,
sem paciência, de cara torta,
por inconveniências, excrescências,
biltres aviltantes,
minudências,
algo pesporrentes, extravagantes,
sem crédito algum,
de somenos valia,
comezinhos,
todos juntos… não valem um,
tão pouco valor, nenhuma simpatia,
bacocos, tropeços… reles escaninhos!!!...
… não é meu jeito,
não possuo tal defeito,
creio que não me estou… ultrapassando,
quando me aquieto, pensando,
sem jeito,
abismado e inquieto,
não travesso, como gosto,
mais parado, contrafeito,
sentindo-me maldisposto,
por uma simples banalidade,
diga-se de verdade,
nestas atitudes, nestes dizeres,
nestas posturas… nestes escreveres,
falsas confirmações, aversões,
da dualidade que em mim existe,
que persiste,
que teima, como tormento,
que me persegue, que me segue,
como maldição, não afirmação,
sombra de quem segue
um destino… uma ilusão,
uma sociedade a esmo, incólume,
com toda a gente, sem fome,
risonha, sorridente,
na esperança, uma ambição que se sente,
um objectivo… bem activo,
persuasivo!!!...
… quanta razão,
quanta justificação,
para a fossa em que me sinto,
podem crer, não minto,
quanto desgosto,
quando me ponho maldisposto,
quanto sofrimento,
no momento,
cabisbaixo e tristonho,
quando assim me ponho,
quando deixo de ser, como sou,
alguém que acabou,
que se sente revirado do avesso,
tão contrário, quando comparo e penso,
sobre gentes e vidas,
calcadas, ultrajadas, mal digeridas,
depois de comidas,
vilmente enganadas, claro,
sem antropofagia, é evidente,
numa de tramas e manhas,
não é raro,
é norma, em tanta gente,
a das mentiras… tamanhas!!!... Sherpas!!!...
... estive lá!!!... (antiga)
...estive lá, como encomenda, como carne para canhão, como abençoado pela igreja, à partida, como tantos outros da minha geração, como geração cerceada, nos melhores anos da existência, como vítima, como militar sem vocação, como um trapo que se deita para qualquer canto, como número abstracto, no meio de tantos outros números... estive lá e, tive sorte em regressar, como tantos outros... estive lá e não perdi a grande benesse de continuar vivo, regressei inteiro, com lembranças, boas e más, de tudo o que vi, estive lá e espantei-me, aliás como todos que tiveram o privilégio, embora forçados como eu, de contactar com aquelas pessoas, aquelas paisagens, aquele continente:
- Terra bendita, abençoada/plena de cheiros e sabores/de calma aparente, sossegada/de tardes abafadas e quentes/de frescos e orvalhados amanheceres/de grandes e fascinantes entardeceres/prenhe de vida, tão variada/na cor das suas gentes/na vegetação plena ou ponteada selva virgem onde te sentes/confuso, perdido, pequeno/um ponto insignificante, sem valor/um escarro, um ser obsceno/perante a grande obra do Senhor/na savana imensa que se alonga/coberto pelo capim que nos apaga/nesta tão vasta terra que se prolonga/por todo um continente que nos afaga/que nos acolhe e nos oferece/tudo ou quase tudo que se não paga/que se aceita e não se merece/terra de vãs cobiças, de ambições eternas/madrasta dos filhos que vai gerando/dos que perde em tantas guerras/dos que massacra e vai matando/terra do calor que nos conforta/das tempestades que nos assustam/dos ruídos, da matéria morta/dos carnívoros que nos buscam/da beleza pura, tão natural/das espécies várias que se cruzam/no seu enorme reino animal/enciclopédia viva, complexa, fremente/lar ilusório que se afasta/dos nossos olhos, da nossa mente/porque se destrói, porque se gasta/terra de África, terra africana/onde se nasce, onde se morre, onde se mata/terra de selva, muita savana/terra de bens, rica, explorada/nas gentes, nos solos, no coração/terra de tanta gente enganada/terra de ódios, amores e paixão!...
...outros, foram muitos, bastantes, não regressaram e se o fizeram, ficaram marcados, negativamente, para o resto das suas vidas...as pessoas, na altura, pouco valiam e eram usadas com uma desfaçatez assombrosa, altamente revoltante...não lhes davam importância, tal como agora o estão tentando fazer...os direitos humanos não existiam, nem para os naturais, os africanos, nem para os expedicionários forçados, razão pela qual os filhinhos de papá se ausentavam para outras paragens, os mais esclarecidos na altura, batiam a sola para o estrangeiro, com toda a razão...por ignorância minha, fui apanhado na rede e, para lá me enviaram...tive sorte, regressei...vim mais rico...choro, quando vejo nas tv,s, o que estão fazendo ao continente africano, o que sempre fizeram...tem sido um massacre contínuo onde as razões, não têm razão...não há riquezas, matérias primas, ganâncias que justifiquem tanta insensatez e insensibilidade...sinto-me revoltado, envergonhado, pequenino, no meio de tanta canalhada mas, como insignificante, vulgar e anónimo cidadão deste País, pouco ou nada posso fazer perante a catástrofe africana que se arrasta e...não acaba... Sherpas!!!...
... escrever como erupção...
… escrever, como erupção dum vulcão,
como torrente de lava que se espalha e queima,
como massa incandescente, fervilhante, que se derrama,
magma petrificada,
depois de expelida, vomitada,
causadora de medos, horrores,
de fugas, de pavores,
provocando ajuntamento, multidão,
inquieta. temente, que não teima,
desiste, foge, enquanto clama,
se agita, grita, temerosa,
com alguns haveres, chorando,
pregando os olhos, recuados, vidrados,
num lar que deixa, arrastando
dores, sofrimentos, lamentos,
numa corrida desenfreada, aloucada,
alguns, parados,
numa atitude muda… congelada!!!...
… intervalo, como quando sobejo,
como quando paro,
quando quero, quando vejo,
quando reparo,
criação, inventiva, imaginação,
não sai do âmago, onde sinto,
este torvelinho que me anima,
que me impulsiona, me empurra,
me chuta, faz rolar,
como lava que se espalha, queima,
quando rola na encosta, nos cai em cima,
nos perturba, nos agita,
turba imensa que não pensa,
temerosa… grita,
como uma chama… tão intensa!!!...
… quem avalia a emoção, a poesia,
quem se atreve, quem intenta,
quem compara, não repara,
quem denigre, hipocrisia,
quem contém tal corrente,
quem justifica sentimentos,
que estalam, que rebentam no momento,
pobres asnos, repelentes, quando zurram,
paro e penso, não reparam
que a lava incandescente,
tudo incendeia, não massacra,
já rocha dura e firme,
mais se afirma, quando passa,
deixa marca profunda em muita gente,
que se não subjuga, quando sente,
porque a erupção é tremenda,
dá frémitos e gozos,
quando enfrenta… sem repousos!!!...Sherpas!!!...
Subscrever:
Mensagens (Atom)

