quinta-feira, 26 de maio de 2016

... sem rosto!!!...

... estranho, silencioso,
quase parecido com a realidade,
paragens inimagináveis,
irreais,
não como as mais,

descomunais, tão ali,
perto de mim,
participe, com grande grupo,
andando por caminhos agrestes,
aldeias semeadas no meio do nada,
picos alvos de branco,
riachos,


não apressado,
sem conversas,
deslizando, encantado,
grupo disperso,
fantasmagórico,
aparência, gentes diversas,


construções enormes,
medievais,
mais modestas, campestres,
rebanhos d´ovelhas, pastando,
andando, andando,

céu azul na abóbada que nos cobria,
tão bem me sentia,
sorrindo, sorrindo,

lá ia,
extasiado, enviesando por veredas
cobertas de verdura,
flores viçosas, odores plenos,
magia se sentia,

comunhão numa dádiva não normal,
não conseguia discernir,
como tinha ido ali parar,

quem me teria conduzido,
tão comigo, tão perdido,
promessa,
advir,

futuro,
predestinação,
sonho, tão real,
ilusão,

confortado, ia-me recreando,
andando, sorrindo,
desfrutando,

imagem,
sobre imagem,
não audíveis, pintadas a esmo,
negros escuros,
brancos alvos,
verdes garridos,
vermelhos tão densos,
brilhantes colinas,
faces esbaças dos meus companheiros,

mente aberta,
tão desperta,

arvoredos,
molhinho de pinheiros,
vento discreto, quase brisa,
cabras, nos pináculos mais inacessíveis,
pintura tão bela, harmonia completa,
impossíveis,
construções milenares,

desenhos arquitetónicos voluptuosos,
criador supremo, enquadrados,
tão formosos,

água límpida, fráguas dantescas,
vales de sonho,
nas abertas, nas nesgas,
campos abertos, planuras incríveis,
em bando, multicores, pelos ares
doce segredo,
não audíveis,
quantas,
quantas aves,

deslizantes,
encantos mil, oportunidade única,
bem arrumadas,
deslumbrantes,
tão presentes,
com outras gentes,
rostos indefinidos, incertos,
ausentes,


estando em mim,
tal como vi,
sentindo, como senti,
inebriado,
maravilhado,

ainda há pouco tinhamos passado
por um montão d´escombros,
ferros retorcidos,
abandonado,
junto a um grande rio,
águas escuras,
lodosas,
tão morto, sítio esconso,

realidade ou sonho
com homens desfigurados,
sem rosto!!!... Sherpas!!!...


quinta-feira, 12 de maio de 2016

... episódios!!!...

... cavalo branco no pasto,
preso por comprida corda,
faz, dele, grande repasto,
mal se deita, não acorda,

fúria inaudita,
só vendo,
se acredita,
devora com voracidade,
horas seguidas,
disparate,
enchendo bem o estômago,

ficando com valente pança,
não sendo nenhum ruminante,
monogástrico como o homem,
amigo, inteligente,
pujança,

entretido com o que come,
vai decepando capim,
quão viçoso,
abundante,
mesmo defronte da minha janela,
uma que outra espreitadela,
enquanto a vista o alcança,
apreciação,

recreio, belezura,
preso com corda,
num afã sistemático,
mal se deita,
quando acorda,
formosura,
quando estático,

deixando seu rasto plasmado,
companhia d´aves,
no dorso,
dejectos espalhados no chão,
cauda, com ritmo certeiro,
crina ao longo do pescoço,

imprevisto,
acontecimento
raro, ocasião,
certo dia,
dado momento,

foram dias,
companhia,
alívio, vista deslumbrada,
doce remanso,
fantasia,

branco,
tão alvo, comendo,
desbastando capim com fartura,
aliviando em terreno rasinho,
no chão,
sem compostura,

hábito normal,
descaminho
tão antigo,
sua vida, seu destino,
ausência que sinto agora,
veio o dono,
foi embora,

sinto falta do cavalo,
quando abro a janela,
quando espreito,
paisagem bonita,
tão bela,
sem equídeo, não o vejo,

saio de casa,
vou às compras,
cumpro rotina,
habituação,
estaciono no local de sempre,
bem cedinho, não falha,
quando desligo, quando páro,
estrondo sonante que s´espalha,

vida em PAZ, condição,
algo estranho,
dissimulação,
espaço que se desfigura,
projecção,
quebra do som,
inibição,

olho em redor,
aproximo,
carro que não calculou distância,
condutora sem atenção,
sem feridos nem mortes,
carroceria, eixo partido,
inoperante,
não grave,

tão sentido,

pequena que chora,
desespera,
conselho que lhe dou,
palavra meiga,
deu-me pena,

só de vê-la,

namorado com telefone em riste,
queixa que pronuncia,
carro do pai,
dizia,
sujeito a reboque,
no parque,

vida desliza,
desaire em qualquer parte,
incómodo,
determinada hora,
tomo caminho,
vou embora,

episódios que surgem,
folhetim barato,
na banda do lado de cá,
vidas humildes,
acontecimentos,
muito longe de ricas novelas,
que rugem,
na tela
dos convencimentos,

por acaso,
sem ódios,
rancores,
ganâncias, favores,
ciúmes exacerbados,
desgovernados,

um “pouquito” abandonada,
margem SUL que GOSTO,
quase... quase mais normalizada,
“COISITAS” de nada,

componho
um sorrisinho no ROSTO,
meu SONHO,
alguma ESPERANÇA no ar,

TUDO se há-de ARRANJAR!!!...  Sherpas!!!...


domingo, 28 de fevereiro de 2016

... derradeira... mordomia!!!...

... à porta dum convento,
casarão enorme,
hermético, silencioso,
prático, não formoso,
sombra espessa que se projecta,
escuridão que tudo afecta,
sussuros quase inaudíveis,
quantas vidas,
quão incríveis,

escolha,
morte antecipada, oração,
de tantos, pura opção,
inabalável crença, imensa fé,
prostrados, de joelhos, de pé,
prisão,
pura recolha, tarefas rotineiras,
abstenção,
períodos de grande jejum,
sacrifício do que lhes foi oferecido,
arredados do MUNDO,
arrecadados,

esbaças,
quando passam,
visões,
não servindo, mortificados,
à porta dum convento,
perpassam,
como o vento, escondido,
reza, lamento, adoração, tarefa, provento,
morte anunciada,
aprofundamento,

vida curta, cerceada,
cânticos,
entoamento,
à porta dum convento,

indelével harmonia que soa,
na abóbada interior faz eco,
propaga, quando s´entoa,
estremece arquitectura conventual,
coro, frente ao altar,
pecado, maquia, quanto engano,
canto gregoriano,

jardim interior, lago no meio,
pouco uso, seu recreio,
olhos que, por ali, cirandam,
passeando no claustro, bem protegido,
memória d´então, quase esquecido,

pleno de beleza mística,
encanto,
por entre colunas grandiosas,
arcos românicos,
entrelaçamento que s´ageita,
ogiva perfeita,

capitéis que nos espantam,
recôncavos sagrados,
figuras de santos,
ao abrigo dos ateus,
no recato do convento,
choro cantando, louvor,
comunhão do agregado,
oração, prece ao louvado,
glória ao DEUS dos DEUSES,
refúgio, fanatismo, congregação,
oração,


outros há, sem comunidade,
abandonados, em vias disso,
espaços com réstias, construção,
embelezamentos dispersos, realidade,
mobiliário existente, sem função,


recanto, pormenores, esplendores,
com pouca utilização, sem viço,
quase, quase desperdício,
recuperados para futura função,
abrigo de quem se não abriga,

funcionalidade dirigida,
prémio para quem foi excelso,
norma sem cabimento,
de retrocesso em retrocesso,
gabinete, local, distinção,
algum recato, quanto lamento,
de, por vida,

como outros, bem dispersos,
excelentes, alguns vulgares,
regras, CONSTITUIÇÃO,
um pormenor, disparate,
ostentação, prosseguimento,
sem arte, pouca razão,
faz parte, atribuição,

tanto devaneio, tanta devassidão,
desperdício d´erário reduzido,
continuando estadão,
obras primas, difusão,

mobiliário esquisito,
solão nobre, trabalhado,
reconvertido, bom bocado,
pessoal distribuido,

peça de museu em convento,
grito meu desalento,
face a quem não serviu,
nunca tal coisa se viu,

fardamenta postada à entrada,
vazio, por dentro,
mesmo ocupado,
respeito meu por quem foi vago
aquando no exercício de parca função

tão ridículo, tão falho,
carrinho de luxo à disposição,
grande teatro, encenação,
num convento, sem trabalho,
de recepção em recepção???...  Sherpas!!!...


quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

... abençoados... os simples!!!...

... no seu pequeno MUNDO, era feliz,
sorrindo, bom agrado, entre vulgares,
e, o tempo passa,
tão diferente, como gente,
todos lhe achavam graça,
como quem diz,

não lhe levavam a mal,
aceitavam-no,
fazia parte, naquele sítio,
em qualquer local,
quase ex-libris daquela urbe,
ave à solta, em liberdade,
na sua cidade,

uma referência incontornável,
tão perdido, tão confuso,
tão inocente,
para a família, uma consternação,
andava de mão em mão,

nas ruas que percorria,
com sorriso alargado,
não levava a mal,
vivia o seu sonho,
não o lembro tristonho,

uma alma distinta,
fazia parte,
sendo pouco, não era louco,
alguma esperteza, resposta rápida,
adolescente, ainda,

franzino, ágil, irrequieto,
olhos abertos, desejoso,
tendo nada, rua comprida,
lojas abertas,
entrava, saía,
depois, depois... lá ia,
parte incerta,
alguma casa, porta aberta,
onde comia, descansava,
dormia,

sem escolaridade, foi crescendo,
brincando, correndo,
linguarejar confuso,
ladino, da vida, mui profuso,
tudo o maravilhava,
observando, guardando,
conhecimento que buscava,
andando, andando,

sorrindo, sendo aceite,
fazendo parte, sendo enfeite,
elemento com falhas,
entre vulgares,
tão puro, sem gralhas,
alguns monossílabos, apenas,
pardal sem penas,

muitas agruras,
consternação,
na família, profunda aceitação,
era mais um, na povoação,

diversão sem fim, sua opção,
almas simples, tão puras,
fazia parte, quase ex-libris,
como quem diz...

por vezes, quase sem querer,
alguma contradição
no seu pequeno viver,
algo que o machucava,
transmutava-se por completo,
barafustava, gesticulava,

produzia sons,
palavras ininteligíveis,
fazia coisas incríveis,
causava estragos,
bradava aos céus
perante impotência que sentia,
tristonho, carrancudo,
ia-se-lhe a alegria,

ficávamos incréus,
estranhávamos,
sentiamos, também,
diligente, como mãe,
surgia, condoída,
olháva-nos de frente,
criança bem protegida,

lá ia, para casa,
pardal sem penas,
debaixo da asa,

depois, mais tarde,
aparecia
como se nada tivesse acontecido,
vivendo a cidade,
vivendo o seu sonho,
grande sorriso, muita alegria,
outro dia,
outra verdade,

passaram-se anos,
adolescente, ainda,
deixou de aparecer,
quase ex-libris da urbe,
inocência entre enganos,
algumas graçolas,
gastando botas,
enquanto percorria
seus cantos, recantos,

suas maravilhas,
ilusões tão grandes,
alma pequena,
simples, entre normais,
carinho dos pais,

desgosto imenso,
lembro,
quando penso,
partiu, em sossego,
sem gritos, sem medo,

povoado mais triste,
reino tão GRANDE,
domínio futuro,
igual, como os outros,
abençoado, na certa,
mente mais desperta,

certamente, risonho,
juntinho a seu sonho!!!... Sherpas!!!...

  

domingo, 27 de dezembro de 2015

... emendar... a mão!!!...

... é sempre tempo de emendar a mão, voltar atrás,
recuperar...
a quem a tem, dar a RAZÃO, sendo ninguém,
sendo alguém,

repensar mal que se fez, devolver indevido,
assumir, enfrentar,
quase sempre...
de quando em vez,

em consciência, com formação,
tal como predica religião,
porque, temos de concordar, tão iguais,
tão diferentes, como os mais, como os menos,
pontitos escassos, meras gentes, tão normais...
não devassos,

mesmo em casos gravíssimos, do mais ou menos milhão,
porque, da fama, segundo penso, tal como creio,
tão normal, sem receio... imensa multidão clama,
nada de bom floresce,
quando tantos pensam que não, maldade não prevalece,
nunca esquece,

culpas graves no cartório, porque de justiça se trata,
processo que remanesce, mau cariz que tanto mata,
embora lenta, ineficaz,
parcialidade que nos ruboriza, mais célere,
se torna incapaz...

não castiga imbecil, contumaz,
tal como disco de vinil,
volta ao mesmo... na música que nos traz,


colocando carril a esmo, viagem sem sobressalto,
curto intervalo...
curto salto,

vergonha que s´avulta, não aceitação, sinal do era uma vez,
poder absoluto... acto dissoluto,
apropriação do que é de todos, só em MUNDO insensível,
mais para dementes, para loucos,
quanta miséria, pobres gentes,

um dia, simples notícia de rodapé, bem no cimo, não no sopé,
numa gruta de luxo imenso, carcomidos pelo tempo,
vorazes insensíveis,
molhinho dos muitos e muitos BILHÕES,
decidirão, muito em segredo,
entre tantas e tantas multidões...

sem receio, sem medo, sem consciência, nico d´humanidade,
quais os que devem viver, quais os que devem morrer,
pura verdade...

nesta ORDEM da desumanidade, cimeira que se não envergonha,
quanto fel, quanta peçonha,
DEUSES com pés de barro, financeiro, bélico escarro,
economia do disparate... muita aversão, dislate,

prepotência descabida, insensibilidade perante outros,
neste cantinho encantado, lesa PÁTRIA mui amada,
traição que s´enormiza, quando feita, mal conduzido... desgovarnado,
quando se concretiza,
doença grave, maleita...
mais débil q´inferniza,

quem se não defende, enriquecimento de quem calca,
tanto ofende,
anomalia que se politiza, bênção duma religião
permissiva...
tão passiva,

estado laico não contemporiza, tanta crença, tanto credo,
tanto caixão, tanto prego,
república funérea passada,
tanto caso... trapalhada,

conivente... porque admite,
vira costas, indiferente,
palavras leva-as o vento, quantas e quantas tormentas,
quando mentes... quando inventas,

porque não tentas, porque não tentas,
ser diferente... ser gente,
SER digno que não mente...

cimeira que se não envergonha, quanto fel, quanta peçonha,
DEUSES com pés de barro,
financeiro... bélico escarro,


confissão absurda, discórdia, apetência desmedida,
egoísmo com hipocrisia,
casamento tão indecente... outra verve, oratória,

vamos ao princípio da estória, vamos rever defeito,
dando empurrão... fazendo um jeito,
fazer destino mais perfeito,
dar razão a quem a tem, sendo alguém,
sendo ninguém...

é sempre tempo d´emendar a mão, sem absurda confissão,
num templo vazio, frio, com clero que pactua,
contemporiza, perdoa...
doa que não doa,

porque “humanus” erram, com erro prosperam,
tornam-se poderosos “vigaristas” bem protegidos na capela,
na sacristia,
mesmo com morte matada, genocida prepotente,
desgraça de tanta gente...

cimeira que se não envergonha, quanto fel, quanta peçonha,
DEUSES com pés de barro...
financeiro, bélico escarro, ruína que é seu espelho, imagem tétrica,
infernal...
quanto e quanto mal,
apagado por suma esponja, arrependimento de coração
abençoado...
orando, introvertido, com grande pecado,
um, dos muitos capitais... tão diferentes, não iguais,

no topo, bem ao alto, protecção, à sombra de tanto milhão,
acobertado por confissão,

nesta, noutra religião, sem consciência,
sem perdão... magnificência,
excelência???... Sherpas!!!...