domingo, 29 de novembro de 2015

... última FRONTEIRA!!!...

... sossego tão grande,
noite escura, pouca agitação,
imagem que se difusa, apagamento,
refúgio que m´alivia,
carregar de pilhas que me beneficia,

recordação longínqua,
mágoa que carrego,
culpa que não sinto,
afastamento, não minto,

socalco na estratégia dum infame,
poeira insignificante se torna,
secundário que não conta,
ainda o SOL não desponta,

colaterais, são os efeitos,
quantos e quantos mais,
razão profícua,
interesse egoístico,
abismo profundo,
reencontro salvífico,
raio d´esperança,
recanto  que  busco,
agregado tão denso,
pausa, acalmia,
não penso,

multidão que s´arrasta
fugindo de quem mata,
quando os lembro,
apenas os descrevo,
na solidão em que m´encontro,
escuridão em que m´afogo,
introversão,
beneficiação,

quando sem escape,
sem emenda,
calcando vontades,
abertura calcinada,
fogaréu constante,
parlatório repetido,
mão vazia,
perda dum filho,

família que se desagrega,
constante tragédia
no palco da vida,
existência sofrida,

sem lar, sem causa, sem rumo,
destino longínquo,
interrogação permanente,
olhos que fito,
arcaboiço que resiste,
insiste,

coragem tão grande,
pobre emigrante,

feitio que me massacra,
abarcando desgraça alheia,
sofrendo, pelo que se desfeia,
quanta dor, quanta marca,
casa minha anquilosada,
melodia maltratada,

rios, serras, planura torturada,
vermes que se não contentam,
vorazes, indiferentes,
arremetendo sobre gentes,

partes de que faço parte,
ínfimo que me julgo
elemento de concerto harmonioso,
sagrado, bem formoso,

lar que também me pertence,
protejo,
indigno quando acontece,
porque não merece,
me dói,
nos dói
quando se sente,

era verde, o meu vale,
minha valia,
pensamento,
escuridão, como abrigo,
solidão, como companheira,
tendo escrita, como amiga,
catadupa que m´inunda,
cantos, visões que m´afagam,
recordação mais normal,

infância descuidada que se dilui,
tempo inexorável que tudo apaga,
agarro,
registo quando flui,
boca selada que não cala,
se, desta memória, me consente
noite escura em que me refugio,
afastamento que me beneficia,
verdadeiro hino à alegria,
simples jeito,
alguma mania,

não pretendo, embora tente,
mudar o que me rodeia,
horror pelo incapaz,
directriz do incompetente,
causador do desequilíbrio,
parafuso fora da engrenagem,
abismado pela voragem,

destruição permanente
da nossa maravilhosa casa,
tão luz, tão diversa, tão bela,

habitação única que possuímos,
raça indómita que consegue,
rasto sanguinolento por tanta parte,
tão arte, tão feitora, tão colorida,
tão vida,
quando vejo, penso,
quando olho,

m´apena,
encorajo com vontade que possuo,
triste cena,
final que persegue,
mau cariz, monstro medonho,
terror, pesadelo,
escolho,

hecatombe ainda se pode evitar,
há que mudar, há que mudar,
meu projecto, meu sonho,
enquanto escrever,
enquanto durar,

na calada da noite,
minha companheira,
como impedimento, singela barreira,
última fronteira!!!... Sherpas!!!...




quarta-feira, 9 de setembro de 2015

... TERTÚLIA!!!...

... toda ela é uma corrida, tão vertiginosa se torna,
volta que se dá, não volta,
arremesso que s´arremessa, não repete, já se não incita,
uma que outra reviravolta,

por gosto, com ou sem desgosto, nesta que se transforma, tão vida...
doce tertúlia familiar, conversa,

acepipe que se deglute, copo que s´empina, recato,
comedimento mais que pensado, pela longevidade que não perdoa,
mais ouvido, menos voz q´atroa...


escape que se não contém, quando a RAZÃO me vem, conhecimento que s´acumula,
quando entorna...
não retorna,

verte em qualquer lugar,
pausada, pausadamente... perante amigos, conhecidos,
depressa ou devagar,

momentos já conhecidos, casos tão adversos,
resma de palavras q´empino,
nestes meus versos...

registando aquilo que penso,
aqui fica, tão apenso...
antes q´esqueça, s´apague do pensamento,

encontro, simples vestígio, queda preso por um fio,
etilizado, bem pior...
quanta verve não se verte, se deita fora, sem préstimo,
“in vino VERITAS”
quanto se diz, quanto se faz,
tão pronto,

esquecimento, sombra grada, perseguimento que m´aflige, idade não perdoa,
voz altissonante, mesmo que doa,
faz ricochete...  não queda, verdade enorme, tanta entrega,

vertiginosa se torna, esta corrida,
sopro fugaz, uma VIDA...

recordo outros encontros, tertúlias mais inocentes, amenos confrontos,
tão humilde no meu gasto...
quando mais novo, rapaz, passeando livros no braço,
estudante em cidade estranha,

mesa de café, secretária,
uma passagem que s´entranha, formosa, se bamboleia,
moçoila que se passeia...

bons propósitos d´início, outros que surgiam,
por acaso...
tantos livros postos de lado,

uma bica, um copo com água, conversa tão repentina,
sem acordo,
desatina,
gera discussão acesa, quanta certeza... incerteza,

ilusão que m´aconchegava, horas passadas,
sem estudo...
boa companhia, outro rumo,

troca d´ideias, planos tantos, desafios, ainda com sangue na guelra,
escapadinha, outro interesse...
adolescência, quantos enganos, quantos guinchos, quantos pios,

paleios a despropósito, rapariga,
outra farpela, futebol que não me seduzia,
estava presente, ouvia,
na rua...
um cãozito pela trela,

petisco com trocos dos fundos, recantos tão vazios,
bolso amplo tão guloso,
fugazmente... não copioso,

na tasca da esquina, escondidinho,
q´estardalhaço...
saboroso o passarinho,

repasto que já não faço,
confesso... quase pecado,


mais séria, convencida, gente d´artes diversas,
quanta, quantas conversas...
ideias criativas,

movimento, tempo assente, espaço preciso, deram brado, ainda dão,
diferente das d´agora... quase conspiração,
numa q´outra ocasião,

recordação q´ainda dura,
perdura...
TERTÚLIA vera,
elementos que fizeram estória, se não me falha a memória,

sem loucuras, sem barulhos, sem amorios, sem arrufos,

deixando rasto, grande espólio, exemplo que se persegue,
às vezes...
quantos credos, quantas fezes,

nódoas tão informes, bestiais, obstáculos de grande vulto,
reunião secreta...
local oculto,

conhecimentos bastos, intelectuais,
fazedores d´obras, revistas, jornais...

agitando sociedade amolecida,
agora amorfa... empobrecida,
tão mortinha, tão sem vida,


chamam-lhe, por chamar,
sem presteza, com azar...
palavra sem significado, tempos modernos, vertiginosos,
reunião d´amigos, tão produzidos,
dengosos,


copos, comes, barulho ensurdecedor, gritos, numa fala assanhada,
puro ignaro...
sabedor,
convencido, sim senhor,

discussão azeda,
mais mole,
num concerto, imensa mole,

num bar de moda, apinhado, sem conforto, dizem “tertuliando”
como quem infirma...
ignorando,

aceitando aquilo que não são,
tão sem cuidado... pretencioso,
convencido, não formoso,

aceitando aquilo que não fazem, cinco ou seis, multidão,
sem respeito, ocasião...
aceitando aquilo que não sabem, não é TERTÚLIA,
pois não!!!...  Sherpas!!!...
  

terça-feira, 18 de agosto de 2015

... velha SENHORA!!!...

... quando o sol a ilumina,
rejuvenesce,
cidade linda, velha senhora,
quase tudo que nos apouca,
s´esquece,
deixamos de sentir vergonha,
sorrimos,

lembramos idade avançada,
cerne do seu nascimento,
secular,
tanto remendo,
fingimos,
quando passamos, olhamos,
sentimos,

coisa pouca,
no momento,
comparada com sua beleza,
brejeirice, alguma sageza,
mistura explosiva se sente,
no pobre, humilde, tão nobre,
no rico, tão ágil, tão pobre,

engano se transforma em arte,
golpe de mão,
carteirista,
vendedor,
mescla bairrista,
ocasião que se não rejeita,
todo um SENHOR
quando s´enfeita,
no mais, no menos MILHÃO,

ensurdecedor barulho
do tuk tuk na encosta,
ladeira que vai galgando,
turista que se recosta,
satisfeito,
sem esbulho,
grã-fino, oportunista,
palacete, ali defronte,
tão pertinho do MONTE,

casario que é desafio,
ruína,
quase a cair,
caminho esburacado,
rua, ruela, beco, ruínha,
numa corrida sem cuidado,
chegamos,
lá vamos
sempre a fugir,
buscamos,

estreita escadaria,
movimentada,
gente seduzida, parada,
sombra apetecível, esplanada,
muitas vozes, vozearia,

mesmo ao pé,
a cada esquina,
miradoiro,
um refresco, um café,
lá ao fundo, tão espelhante,
rio convidativo,
deslumbrante,

limonada,
lá em cima,
frescura que nos inunda,
PÔR do SOL,
recauchutado,
eléctrico ali,
parado,
vista bonita que vi,

chiadeira desconforme,
quando se cruza,
estremece,
pedaço que não esquece,
amor que surge,
aparece,

sôfrego de vida,
com fome,
rodopia uma canção
no dedilhar duma guitarra,
vai-se o dia
que nos agarra,

bem alto se levanta
gemido tristonho dum fado,
recado dum ser amado,
encantamento tão doce,
melodia que nos  trouxe,

sujidade,
quando se pisa,
odor quente, conforme,
KAOS, que confusão,
afago,  q´emoção,
nesta urbe, meu coração,
inquietude, realidade,
tão certeza,
tão verdade,

gentio fascinado,
não dorme,
noite amiga que o acolhe,
festa permanente,
juventude,
bom recebimento,
virtude,

não olhamos,
sentimos,
deixamos de ter vergonha,
fingimos,
LISBOA,
velha senhora,
bênção que nos foi ofertada,
lembramos idade avançada,

merecia outro cuidado,
atenção mais redobrada,
obra de vulto,
suponho,
quantas linhas, muitos amanhos,
remendos feitos a eito,
meu desejo,
grande sonho,

ao invés d´outros enganos,
deslumbramento pontual,
luxo inadequado,
época d´agora,
verdade,
povo que canta, que chora,

bem alegre,
tempo de festa,
baixinho, quando ora,
na igreja que lhe resta,
seu refúgio, sua fé,
em Stº António ou na SÉ,

moda,
empatia geral,
simplicidade natural,
aceitação de respeito,
sua maneira, seu jeito,
tão nobre, humilde e pobre,
seu bairro, seu canto, sua dor,
tão popular,

romarias, festas, santos,
igrejas, amorios, namorados,
saudade que se canta na rua,
tendo o sol, tão ausente,
agora à luz da LUA,
quanta gente,
quanta gente,

LISBOA,
velha senhora,
quando em festa,
roupagem com que s´apruma,
tão menina, tão moça,

fingimos
que não olhamos,
sentimos
porque gostamos,
deixamos de ter vergonha!!!... Sherpas!!!...