domingo, 21 de junho de 2015

... lógica... demencial!!!....

… tentando encontrar razão… para tanta sem razão,
neste imenso planeta, proporcionalmente falando,
tão ínfimo me sinto perante quem se julga, pois então,
clarificando pensamento com leituras que faço, mostro, não calo,
enorme confusão,
não ostentando discussão,
não impondo credos, dura realidade.
escrevendo, quando encontro espaço, vontade,
inspiração,

sobre tudo, sobre nada,
recados d´outros que não meus,
plágios variagos, ostentação, resma de saberes que s´aglutinam,
sábios de ponta fina, economistas de grandes contos,
recontos, fábulas até,
financeiros de supra monta, encómios tão avultados,
cerimónias repetitivas, fastidiosas pelo conteúdo,
inverosímeis, absurdos, torres e espadas, cortejos enfarpelados,
com traços cruzados,

colorido,
resplandecente latão no peito,
oratória descabida, deste seu jeito, posição,
quase com espeto engolido, tão empertigado se comporta,
bem longe, não tão perto,
desligado, como norma,

… tentando encontrar razão… para tanta sem razão,
neste recanto que me pertence,
faço gala, não abdico,
como observador mui atento,
não m´alegro, não entristeço,
deste MUNDO que julgo adverso,
pouco ou nada peço,

cumprindo deveres com zelo,
obrigação de qualquer mortal,
aceitando qualquer perverso,
avis rara, tanto mal,
canalha de pura cepa, vigarista de supérrimo coturno,
infamante, desvelado,
tão soturno,

desviante,
empedernido caminhante,
assacanado comportamento,
que não tolero, m´apercebo,
quanto o lamento,
sem julgar,
criatura displicente,
insignifigante perante,
não sendo, não tentando,
metido comigo, pensando,

no lugar que protejo,
quanto receio, de mim, s´apodera,
me volatilizo, me esbaço, me tacanho,
imbecilizo, como tantos,
sendo verme, vítima inocente,
borrego em imenso rebanho,

ganindo à LUA,
uivando desconforto, fera rara,
peçonhenta,
que tudo trai, tudo inventa,
quanta miséria na rua,
descontrai,
enquanto a casa cai,
num faz de conta que se vai,
mais uma vez, intenta,

rangendo gonzos,
portas desconjuntadas,
telhados apodrecidos,
tão vazios, vagos gemidos,
fúrias que s´alimentam da luta,
confrontos q´envergonham,
quando brigam, confrontam,


nobreza, valores, princípios,
destino,
ética de reles salafrário,
sem contraditório, adversário,
profundo desatino,
salivando raivas, dentes em riste,
garras sanguinolentas,
sorvos cavos, horrores que s´aglomeram,
sopros esvaídos de curtas vidas,
desalentos q´esperam,

gerações que não prosperam,
se derrubam,
esvaem,
quando caem, quando caem,
quando caem,

… tentando encontrar razão… para tanta sem razão,
neste labirinto complicado,
guerra por tanto lado,
matéria-prima que se busca,
dizimando tanta obra prima,
elementar criatura humana,
divina,
seu final, sua sina,
sorte suspensa mesmo em cima,
quanto engana,

desfasamento,
momentânea existência,
passagem tão curta,  
instante,
no meio de tanta aberração,
modernidade,
desevolução,
morte matada, acidente provocado, dano colateral,
refugiado desesperado,
por tanto lado,

deserto inexistencial,
quanto anormal,
exemplo sem contenção, triste resultado,
afinal,
grão d´areia, sofisticação,
inumano que se lambuza,
usando tudo, abusando,
tão cruel cacofonia com que se cruza,

seres q´extingue,
calca,
moldura que tudo apaga,
mar que é cemitério,
ondulando ao vento, panos brancos,
sombra escassa,
vista minha que vê,
quando passa,
pontinho que é notícia num jornal,
feios, porcos e maus, entulhados de KAPITAL,

mercado anónimo,
figurativo,
DEUS dinheiro,
fome, desgraça,
miséria que s´agudiza,
PAZ na TERRA que s´inferniza,
político, polícia, soldado,
juíza,
engenheiro d´obra perfeita,
sonhador q´augura bons ventos,
escultor que despedaça pedra,
quando a formoseia,
enleva, recreia,

maravilha que nos cativa,
criatura,
monstruosidade,
representação,
tanto contrário na religião,
enfrentamento, aversão,
GLOBALIZAÇÃO,
                                                                                                                         
dinheiro não é guerra, não é MUNDO,
meio de subsistência
na crise que s´adensa,
quando se pensa,
não é tudo,

… tentando encontrar razão… para tanta sem razão,
incontenção,
cruel afirmação,
quase certeza na incerteza,
pobre desvalido, lacaio,
foi criança, continua sendo gaiato,
manipulado por monopólio, endeusamento,
teoria descabida, sem sentido,
conspiração do MEDO,
terror que se gera,
provoca demência, nódoa, GUERRA,

quase no topo, bem perto,
dando como certo,
conflito, armamento, IMPÉRIO,
descrente, quase sério,
acobertado, discípulo do conflito,
no seio do mais ou menos milhão,
maior interesse
que s´esvai, esmorece,
já aborrece,
esquece…
massacra, mata, vilipendia, indigna,
corrói gente mais frágil,
desabrigado,
REFUGIADO,

... de língua viperina, tão ágil,
insensatez
nesta BOLA que gira, rocambola,
rebola ao sabor do vento,
LAMENTO… Sherpas!!!...
    

sexta-feira, 22 de maio de 2015

... café... ah, o café!!!...

... quando estamos privados do que apreciamos,
estranhamos, sentimo-nos diferentes,
não somos nós, sombra que nos empequenece,
longe do que gostamos,
pelas circunstâncias,
por motivos diversos,
determinadas extravagâncias,

hábitos de há muito, pequenos gestos,
passa comigo, com outras gentes,
ânimo mais débil, vontade que arrefece,
quase zombies de nós próprios,
criaturas com má catadura,
face cerrada, sem sorriso, sem nada,
estranhos perante o que não surge,
que dura,

se prolonga, nos custa, permanece, como praga,
mal que não acaba,
sendo mais radical na apreciação,
na falha que altera,
quando menos se espera,

não,
não é nenhuma hecatombe, simples ausência
dum amigo que conheço,
que trago comigo,
me acompanha, em locais distintos, me sabe tão bem,
quando o saboreio, quando se tem,

à mesma hora, hábito adquirido,
complemento,
que, pela falta, gera algum incómodo,
não direi sofrimento,
palavra tão forte,
mais apropriada para situação que não causa dolo,
tanto físico, como espiritual, grito ou lamento,
simples pormenor em dado momento,

tão pequena,
tão reduzida, tão só,
porque, uma me basta, me satisfaz,
quando normalidade, quando vida rotina,
repetição, ingestão dum simples pó,
negro, cheiroso, em máquina apropriada,
com água fervente,
pouco açucarado, mantendo sabor,
sinto sua falta,
confesso meu amor,

já passou o mesmo com outros elementos,
drogas mais leves,
dizem,
dependência total, na tertúlia que se fazia,
conversada trivial, esfumaçando com alegria,
que bem me sabia,
que mal me fazia,

cheiro que se pegava ao corpo,
roupa impregnada,
entre os dedos, cigarro tão alvo,
com ou sem filtro, cachimbo ou enrolado,
feito no acto,
com esmero, comprado,

fumo engolido ao longo de décadas,
tosse profunda, incomodidade permanente,
sensação de mau-estar,
calma aparente,

fazia parte, vício assumido, como tanta gente,
difícil de deixar,
assumo minha culpa,
vontade que se impôs,
mais livre, mais leve, mais normal,
num ponto, tarefa concluída,
pus de lado, melhor qualidade de vida,

quanto a líquidos alcoolizados,
fiz a minha parte,
simples bebedor, induzido, sem arte,
ingeri vinhos, cervejas, bebidas brancas,
euforia que nos transportava,
às tantas,

discussões, pontos de vista,
teimosias,
ambientes que nos predispunham,
afogava as mágoas, relativas, não tão intensas,
pensamentos embotados,
corpo cambaleante, língua entaramelada,
quando as lembras,
as pensas,

tapas, petiscos saborosos,
quantos amigos,
recordações, passados longínquos,
encerrados definitivamente,
vai para uns tempos alargados,
agora substituídos por água pura da fonte,
por leite fresco, pouco mais e... um café,
pois é,

remate de sempre, ausente,
pelas circunstâncias,
que falta me faz,
confortante, cheiroso, bem quente,
reduzido,

alterei bastante, quando dizia,
que se queria bem doce,
adepto do abatanado,
muita água negra,
sabor menos intenso, mistela,
caneca que bebericava à mesma hora,
no mesmo local,
sentado lá fora,
esplanada certeira, bolo ou salgado,
copo com água,
minha inclinação, minha mágoa,
desfasamento,
quanto o lamento,

aprendi, com o tempo,
bica curta, italiana, expresso, cimbalino,
umas raspas de açúcar,
imprescindível acompanhamento,
bebida real,
antes ou no final,

sabor apurado,
cheiro que me afaga,
diferença abissal,
para melhor,
falta que sinto,
não minto,

privado, por enquanto,
por um entretanto,

que bem me sabe, como deve ser,
bem negro, cremoso, quase sem doce,
bem quente, fervente,

café... ah, o café,
energia numa xícara,
começo do dia,
único, mas... suficiente!!!... Sherpas!!!...
  

quarta-feira, 13 de maio de 2015

... pomba branca... pomba BRANCA...

... já me tinha sentado naquele banco,
pelo mesmo motivo, esperando,
naquele largo sossegado, pequeno,
igreja velha, pejada, ladainha que soa,
enquanto a missa avança, repetitiva,
quanta rotina, a minha, a reza que entoa,

passa mas... não pára,
que silêncio, quando me apercebo,
reconheço prédio com janela no sótão,
recordo figura de pessoa idosa, sorridente,
mesmo em frente,
debruçada,
que, agora não me cativa,
bandos de pombos esfomeados, miolos de pão,
quando viva,


chamamento,
do telhado para o chão,
eram muitos, clara empatia,
eu via,
no peitoril, no braço, na mão,
sentado naquele banco,
no mesmo largo, esperando,
enquanto a missa decorria, repetitiva,
rotina de domingo, outra vida,

ladainha de quem predica,
reza de quem segue, professa,
espera de quem acompanha,
não pratica,

o tempo passa, o tempo marca,
o tempo apaga,
já não vejo o que vi,
lembrando, quando me introverto,
ali, bem perto, janelinha lá no cimo,
pessoa debruçada, sorriso aberto,

chamando com meigas palavras,
sussurrantes,
alguns anos antes,
caindo, em catadupa, do telhado para o chão,
por um miolinho de pão,
pomba branca, pomba branca
que encanta,
poisando no peitoril, no braço, na mão,
que satisfação,

velha igreja da povoação,
recato de quem entra, de quem comunga,
aprofunda,
de quem segue, de quem se entrega,
de quem acredita,
local de oração,

pessoa idosa, com sua vozita, chama,
olha em redor, fixa azul claro do Céu,
pedaço reduzido que se lobriga,
companhia amiga,

aves que a visitam,
contentes, pequeno grupo, encontro,
naquele largo, naquele ponto,

não foi sonho, foi passado,
quando, recuando, ali estive sentado,
no mesmo banco,
esperando,

dado a pensamentos,
quando reencontro certos locais,
quando recordo pessoas que me tocaram,
por gestos, atitudes espontâneas,
sorrisos perfeitos de quem se encontra bem,
palavras doces que têm,
tratamento com outros seres,
carinhos que prodigalizam,
afagos que dão,
momentos,

troca intensa de afecto,
mais racionais,
tão iguais
a todos os animais,
aos mais dilectos,
indefesos, compreensivos,
amigos dos amigos,
harmonia tão natural,
fujo do anormal, do abjecto,
quando novo, quando velho,

naquela janela, naquele largo,
lá em cima,
agora pejada de vasos com flores,
nota-se a ausência,
já não poisam pombos no largo,
bandos que vinham dos ares,
caíam, em catadupa, do telhado,

buscando palavras doces,
pedacitos de pão,
na igreja, a oração,
no banco, como espectador, estava eu,
acabou, morreu,

mais solitário, quase ninguém passa,
queda a recordação,
mais atrevidos, sem medo,
entrega, dádiva, segredo,
entendimento perfeito,
à mesma hora
da missa, da oração,
acabou, foi-se embora,

pessoa velha, satisfeita,
pombinha amiga, companheira,
imagem que prevalece,
não esquece,

lembro, sentado naquele banco,
esperando, esperando... Sherpas!!!...