sexta-feira, 16 de agosto de 2013

... violência!!!...

... intranquilo,
violência inadequada,
família reduzida,
sem nada,
sopita, esmola, sobrevivência,
sobras dos que muito guardam,
barulhos
que geram violência,

desavindos
que aguardam,
incerteza que se prolonga,
desajustamento,
delonga,
esperança que se não alcança,
luz trémula que não conforta,
quando surge,
soa na tela,
reza triste na capela,

figura de cera que vela,
massa informe
não protege,
nada ampara,
nada rege,
indiferente, não repara,

recolhimento,
redoma com pouco espinho,
exportação de cepa,
bom vinho,
vidraça q´está quebrada,
no reino da macacada
uns,
com muito,
outros,
sem nada,

extasiados
com indecência,
sobressai a excelência,
cartaz publicitário,
acolhimento,
tanto acólito,
regimento,

palavras vão ecoando,
pedaços, massas, sustento,
redução
pecúlio mensal,
produção
no próprio quintal,
terreno anexo,
mui complexo,

agricultura,
vaso improvisado,
acumulação em lado contrário,
vai-se reduzindo o erário,
fazendo cabeça,
oração,

imagem que se transporta,
reservando grande quinhão,
dando esmola a que não tem,
precavendo dias sombrios,
lágrimas,
dias tão frios,

ruindade que sobressai,
mais uma resma que sai,
busca incerta,
lá fora,
juventude, vai embora,

incêndio que prevalece,
não aquece,
não arrefece,
continua
baile mandado,
servindo como criado,
bem ganho,
mal pago,
esquecendo desempregado,

velho que vai sugando,
país decrépito,
esgotado,
décima que sobe,
enlevação,

criança que não come,
maltratada,
sem brinquedo,
sem nada,

pais da desventura,
assombração
sazonalidade,
ilusão,
futuro que se não futura,
luzita trémula,
realidade
tão escura,

túnel,
o do Marão,

fumaça, muito pó,
contra ciclo mais que forçado,
batendo no fundo,
subindo,
destruindo,
destruindo,
escuridão
com muita festa,

no bolso,
nem um tostão,

alimentando
mesas tão fartas,
pobres crianças,
velhos
que vais perseguindo,
indefesos,
sonho, sem esperanças,
estilhaçados por fedelhos,

espalhados por tantos lados,
força vital,
energia,
colossal fuga,
sangria,

quando páras,
não avanças,
amarrado,
bem preso,
difícil sair do chão,
pobre País,
triste NAÇÃO,

quanto se contradiz,
uns,
como quem diz,
num CALVÁRIO...
tão adorado SACRÁRIO,
outros...
quanta algazarra,
na farra !!!...  Sherpas!!!...
 

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

... com... boa letra!!!...

... fazem sofrer,
quando afloram,
imagens, sons que ecoam,
presença tão ausente,
fazem doer,

fumaça da vida,
abre-se a ferida,
lugar cativo no cemitério,
exemplo,
falta sentida,

ainda sangra,
quando tocada,
emana,
exala,
não cala,

“quando escreveres,
escreve com boa letra,
como se quer,
quem cama boa fizer,
como quem chama,
para que todos te leiam,
fizer, fizer”
como mulher que se ama,
entoa,

há quanto tempo,
formação condigna,
labutador,
todo um senhor,
lembro,

“não sejas fiador,
acredita no que não vês,
arranja fé,
ou sê,
como és”

respeito mútuo,
encaminhamento,
recusa prematura,
reconhecimento,
“assenta bem os pés”

sete ofícios,
razoabilidade imensa,
conselho,
curta sentença,
sem vícios,
ainda “fedelho”
quando penso,
cumpridor dominical,
tanto missal,
casal, casal,

filhos racionais,
caso particular,
brincando,
como os mais,

catequese,
ladainhas mais simples,
sem dote especial,
comunhão,
crisma,
acompanhamento de padre,
longe do sacristão,

amigos,
campo,
ribeira,
como se queira,
quase cisma,
encanto,
ultrapassando fronteira,
chamamento, paixão,
enlevação,

da igreja,
ninguém,
ausente permanente,
muito para além,
passagem furtiva,
esgueiramento fugaz,
ainda rapaz,
afrontação,

sem opa
nem prédica,
sem regra,
tão livre,
ninguém me pega,
fugitivo de primeira,
alguma reza,
não em demasia,
quanta alegria,

que vida boa,
desconfiado,
como sempre,
não fui fiador,
todo um senhor,
fui, como sou,
voz que entoa,
ainda me soa,
saído do ventre,

não segui,
parte que foi,
religião imposta,
parte que espera,
desespera,
mantém,
ainda alguém,
longeva, diminuta,
só,
ali posta,
entre muitas,
sentadas,
viúvas,

quase s´esgueira,
esperando passagem
para outra margem,
no limbo,
num lar,
querendo chorar
sem lágrimas,
já gastas,
emoção,
gemidos incontidos,
recordação,

quando estás,
quando passas,
repositório,
sem envoltório,
sem velório,
cansada do MUNDO,
não defunto,

corpos vivos retidos,
dependentes,
lembras o que foram,
ainda rapaz,

fui o que quis,
depois de ser,
depois de ver,
com boa letra,
com boa cama,
como uma chama,

ausência que clama,
sofrimento atroz,
destino tão certo,
final, aqui tão perto,
ouço uma voz... Sherpas!!!...

terça-feira, 16 de julho de 2013

... a tasca!!!...

… a fama precedeu-o,
pelo sabor, pelo diferente,
típico,
genuíno, tão nosso,
de boca em boca, conhecido de muita gente,
lembro,
quando posso,

coelho saboroso,
assado no forno,
numa palangana de barro,
repleta,
cheirinho apetitoso,
afazer doméstico,
receita de sempre,
completa,

traz,
comunica, avança, informa,
toma como norma,
satisfaz,
quem vem de novo,
quem volta,
repete,
com gosto,
conversa se mete,



sítio escuso,
aldeia pequena,
amontoado de casas,
uma tasca,
bancos corridos,
mesas compridas,
três ou quatro,
balcão tão rude,
prateleiras despidas,
algum conteúdo,

homem mediano,
grande barriga,
tom sério,
poucas palavras,
modesto, o “ti” Chico,
atento, simples, directo,
alentejano puro,
círculos no tampo do balcão,
tão tintos,
petisco,
retintos,
libações escassas,
quando entras,
quando passas,
satisfação do corpo,



intervalo na faina,
companheiro do campo,
lides tão duras,
uma “bucha”
um copo,
assadinho no forno,
que gosto,
bem posto,


fleugmático,
resposta repetitiva,
que agrada,
cativa,
entrega,
simpatia,
ementa reduzida,
coelho composto,
pequena quantidade,
espera incerta,
sossego, alegria,
pergunta,
na certa,
comida que se busca,
informação conhecida,


para beber,
vinho tinto da zona,
acompanhado
com batatas de pacote,
se houvera,
uma sorte,
casqueiro,
côdea dura,
caseiro,


banquete,
ocasião,
lugar d´afeição,
pudera,
satisfação,









muitas vezes
regressei,
muitos coelhos lá comi,
bem sei,









o tempo passa,
às vezes esquece,
permanece a lembrança
da tasca,


bancos corridos,
mesas alongadas,
balcão tão rude,
círculos tintos,
prateleiras sem tudo,
pouco conteúdo,
homem simples,
barriga grande,
ar fleugmático,
não serviçal,
tão prático,
batatas em pacote,
uma sorte,
uma sorte,


pão,
tinto da zona,
plangana de barro,
coelho assado
no forno,
um gosto,
um gosto,
ementa sempre igual,
tão normal,
tão normal,


foi negócio,
foi reforma do “ti” Chico,
casa, petisco,
tasca tradicional,
tão sempre,
tão igual,







apenas no nome,
agora,
evolução,
tempo que altera,
feição,
outro salão,
divisões diversas,
ementa e tudo,
muita oferta,
mesas normais,
cadeiras a preceito,
prato principal,
tal como o dito,
na casa que foi tasca,







restaurante que mantém,
palangana enorme,
assado no forno,
mata a fome a quem vem,
a quem sabe,
com graça, também,
dichotes do “criador”
histórias, às vezes,
todo um SENHOR,







recordo,
quando vou,
quando lembro,
quando passo,
algures… por aí,
perto daqui…  Sherpas!!!...

quarta-feira, 5 de junho de 2013

... arco do... PODER!!!...

... renova-se tradição do arquinho, do balão,
nos bairros velhos de Lisboa,
na Mouraria dos meus encantos, nos santos, tão populares,
no tinto que jorra na praça,
das risadas... dos prantos,

cheirinho de sardinha assada, voz potente q´encanta,
no destino que não é vida, na pungente contradição,
da menina com a trança...

casa arruinada que passa, papelinhos pendurados, nos pequeninos recados,
aproveitamento doutros arcos...
desfile colorido na avenida,
concurso, como despique, da Bica até à Graça,
do tempo que vira, que passa,

quadra do manjerico, tão brejeira, mafarrico,
bairro da Madragoa,
no fado que s´entoa...

namoradeiros, santos, na Lisboa de santo António, noutros, tão populares,
proximidade que enlouquece,
noite de Verão q´aquece...

às tantas da madrugada, chouriça frita, assada,
copo que se renova...
gente velha, gente nova,

mágoa esquecida que passa, que s´empina,
com graça, olha o balão, oh patego,
insistência, com apego...

gargalhada, disposição,
cumprindo tradição...
toda a gente s´encaminha, em direcção ao Castelo,
no auge,
puro desvelo,

sobranceiro perante a plebe, dádiva de excelência,
que aplaude, incentiva,
não cativa...

pouco bebe, não aplica seu dinheiro,
bairro de miséria que mantém,
esquecendo quem não tem...

foco d´atenções, visitantes que s´aproximam,
que bebem,
se divertem, que tentam cantar,
também...

desfile de ilusões, bairrismo que s´orgulha,
na avenida maior, aponta, como faúlha,
quanta penúria... quanta dor

grande incêndio, fogueira que não tem cura,
esmorecida, já fria,
passou-se a noite,
veio o dia...

fados, cantes alentejanos,
desde sempre... quantos enganos,

tourada, despique bárbaro,
indo em frente, parado, país de puro folclore,
quanta penúria,
desamor...

escape, entretenimento,
escondendo sofrimento...
cantando, entornado no tinto, tanto de noite, como de dia,
boa cara, alegria,
quando se vê, repara,

sardinha assada, chouriça que se vai comendo,
às tantas da madrugada, subindo até ao CASTELO,
olha o balão, oh patego... há anos que não o vejo,

parada, no meio da praça, na quadra que se lê,
com gosto...
cheirinho do alecrim, depois do sol posto,
lembro-o, sinto-o assim,

menina das tranças pretas, são desgostos, são nesgas,
frincha de portas fechadas...
vidas tristes, quase paradas,
rostos vincados, bocas caladas!!!...  Sherpas!!!...