segunda-feira, 31 de agosto de 2009

... loucura criativa... não é doença!!!... (antiga)


… loucos, excêntricos, políticos e… apensos!!!... Quanta originalidade, quanta criatividade, quanta perfeição… na loucura de verdade!!!...

… políticos originais, outros artistas mais… precisam-se, com urgência!!!...

… loucura criativa não é doença, menos valia, não é negação, descrédito, aberração, não é ofensa, não é ferrete… antes pelo contrário, é como o amor de Camões, é um querer que não quer, é um sentir que preenche, é um desassossego constante, é um empurrão repentino, um desatino repleto de surpresas, um desafio, uma montanha bem alta que se tem de subir, muitas vezes, sem forças, sem vontade, uma incomodidade pouco normal, diferente, aloucada, um quase nada, um tudo, algo que se tem de sobra, que se tem de deitar fora, que se tem de concretizar, custe o que custar!!!... Essa a verdade, a realidade de quem é louco, um pouco, de quem cria, de quem faz alguma coisa de novo, com ou sem estética, muitas vezes, em desacordo com o que está instituído, usando, em liberdade, o que o aflige, o que o acicata, o que o persegue, sendo sempre, como é… igual a si próprio, inquieto, arrebatado, numa confusão boa de sentir, apresentando, a quem se considera normal… loucuras, loucuras!!!...

… génios no presente… loucos, do passado!!!...

… sujeito a muitos saberes, a conhecimentos excelsos, confessos, julgado até ao tutano… indiferente, como gente pouco normal, segue em frente, como sente, na loucura que o afaga, que o percorre, da cabeça até aos pés, causando-lhe calafrios, suores frios, alívios e acalmias, quando deita para fora, quando coloca no sítio todos os fantasmas interiores, suas visões, utopias, ao princípio, fantasias que deixam de ser, quando se podem sentir, se podem ver!!!... Criatividade, diga-se a verdade, espaços e traços, clarividências, de momento, tão próxima da loucura, quando não compreendida, aceite, pertença de indivíduos tão diferentes, anormais, repletos de… loucuras, loucuras!!!...

… loucos, no passado… génios no presente, depois de aceites, compreendidos!!!...

… que maior loucura, a de viver o dia-a-dia, a de esticar a corda, a de alongar o sonho, por vezes… pesadelo, no Mundo dos normais, não sendo, parecendo somente, porque diferentes, quando tocados, de mansinho, como quem não quer a coisa, por aquele toque mágico, aquele dom que Deus lhes dá, aos loucos, bastantes, não poucos… os que alegram esta passagem, com rasgos de criatividade, os que deixam marcas bem profundas, através de obras que realizaram, que os massacraram, os perseguiram, os não deixaram dormir, sequer… enquanto se não materializaram!!!... Quantos exemplos, quantos génios loucos, quantas loucuras, quantas aventuras!!!...

… aventuras, são loucuras… experiências que resultaram, tal e qual!!!...

… outras, bem mais negativas, casos para esquecer, loucuras de remate!!!... Quando apreciadas, comentadas, vistas e admiradas, rumos e objectivos bem definidos, bem compreendidos, compradas… pagas a peso de oiro, geram fortunas colossais, as loucuras criativas, é evidente!!!... Daí, ao comportamento excêntrico, é um passo… como assistimos, como sabemos!!!... Tudo estragam, quando se babam, quando se contorcem, se banalizam, depois de bem vendidos, de comprados… o inverso do louco criativo, libérrimo, sem amarras, sem necessidade de se transformar em palhaço forrado, abastado!!!... A excentricidade avulta, ridiculariza o artista, o arquitecto, o pintor, o músico, o escultor, o poeta, o escritor, o político… o fazedor de maravilhas mil, caricatura do que foi, pelo malfadado, pela redundância, pela abundância de dinheiros, de capitais!!!... A loucura criativa deixa de ser o que é… passa a ser, para mal deles, pobres coitados, pura excentricidade!!!... Respeitando pareceres diferentes, assim penso!!!... Sherpas!!!...

... esgar!!!...



... era um sorriso, quase esgar aflitivo de quem não pode,
gesto tão simples, trejeito d´acaso,
pessoa tão triste, corpo com fome,
magreza pouco normal, quase certeza,
agruras que são cúmulos, quase vergado,
todo dobrado,
roupa puída, face sem rosto,
barba tão densa, vida que foge,
cabide num morto, esqueleto tão torto,
carnes sem músculo, flácidas, poucas,
mais pele, mais osso,
sombra na rua, olhar oprimido,
sem estar, ocultado, quase escondido,

dobra da rua, esquina da frente, refúgio de gente,
buraco, caverna, seiva tão gasta, pouca luzerna,
deserto tão perto, ilha que se esvai,
tem-te que não cai,
sorriso amorfo, sobra que se esmaga,
não cuida, não trata,
vivo bem morto, esgar d´acaso,
um Cristo, um passo,

sofrimento de quem sofre, gozo nas alturas,
pavor de quem corre, não olha sequer,
esquece, não pensa, na morte de morrer,
palavra, sentença,
escape inocente, tão pobre na Páscoa,
na época que lembra
tão gente que escoa,

cova tão escura, rua da frente, esquina que entoa
gemidos, às vezes,
sorrisos tão poucos, esgares, revezes,
cidade Lisboa, quadro tão triste,
que viste, não viste!!!... Sherpas!!!...

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

... férias permanentes!!!...




… férias permanentes, ausentes,
nas suas vidinhas, sempre presentes,
fugiram ao ritmo alucinante da labuta,
ficaram libertos, terminaram a luta,
deixaram o activo,
ficaram-se pelo passivo,
ao longo de décadas, desde que válidos,
com afazeres, hábitos,
numa correria incessante, sem tempo,
correndo atrás dele, intento,
do que foge, que nos larga, que se afasta,
fazendo-nos velhos, idosos,
mais pesados, mais pesarosos!!!...

… perdas insubstituíveis,
de familiares próximos, incríveis,
nossos progenitores, parentes mais chegados,
vamo-nos sentindo mais sozinhos, quase isolados,
em família mais curta, estranha, no início,
logo, volta ao princípio!!!...

… os valores, as referências… mudaram,
bateram-nos à porta, entraram,
agora, somos nós, os avós,
os mais velhos, os alquebrados,
passámos a ser a voz,
o conselho sábio, a advertência,
do alto da nossa excelência,
dos anos que fomos somando,
sem nos apercebermos, sequer,
quando trabalhando, trabalhando,
começámos… a envelhecer!!!...

… aposentados mas, com imaginação,
fruição da vida que nos rodeia,
maior disponibilidade, ilusão,
uma nova chama que se ateia,
outros objectivos, outros destinos,
outros amores, desafios permanentes,
com problemas muito nossos, intestinos,
doenças próprias das velhas gentes,
tensão arterial mais controlada,
alimentação mais vigiada,
outros sabores, mais juízo no proceder,
sem excessos, mais cautelosos, por querer,
o colesterol, calamidade que nos afecta,
mais pastilha, menos cápsula… uma injecção,
uma viagem que se projecta!!!...

… um sorriso, um afago, um coração,
um neto, uma neta, um casamento,
maior compreensão,
outra perspectiva… de gente viva,
aposentados, por direito próprio,
com um futuro que se alonga, que se aviva,
não um opróbrio,
uma outra vida!!!... Sherpas!!!...

... folhas secas!!!...

… folhas secas no chão,
em profusão,
tapete almofadado ao longo de avenidas arborizadas,
misturadas com lixo que se vai acumulando,
pedaço de papel, uma beata, uma lata,
maço de cigarros amarfanhado, plástico em ascensão
soprado pelo vento que sopra, frio, com os olhos no chão,
pensamento que evolui enquanto vou andando,
ouvindo pássaros que regressam no final do dia,
incomensurável sinfonia,
nos ramos nus, pequenas bolas enfunadas, chilreando,
repetição, numa cidade fronteiriça
que, agora, pouco se agita,
ruas com passantes, portas cerradas,
contrário do Verão com amplas esplanadas,

burburinho em casas suspeitas, portas fortes, negras,
blindadas,
aproximo-me duma, abro, escancaro,
baforada de fumo com que deparo,
junto ao balcão, música em surdina,
jovens em profusão,
bebida na mão,
tertúlias, convívios,
com alcoóis, com porros, com drogas,
cumplicidades,
atracção de pólos opostos,
outras verdades,

sexos que se buscam, se unem,
entendimentos, segredos,
bem postos, sem medos
no interior daqueles antros, serão vícios,
amalgamados se encontram naquele conchego,
amigos do peito,
com barulho, sem sossego,

maneira de vida, com copos, com tapas, com petiscos,
noutros abrigos,
num dia feriado, calmo, gelado,
urbe onde passeio com enlevo, conhecida
de toda uma vida,
prolongamento de quem vive na fronteira,
aqui à beira,
complemento desta,
cidade minha, mais modesta,
escape de quem se interioriza, por vezes,
como em qualquer grande burgo
onde me afundo,
explano pensamentos, mãos nos bolsos,
avenidas largas pejadas de folhas secas,
no chão, espalho os olhos,
papel, desperfeitos, lixo que se não recolhe,
chão que acolhe sobejos,
atitudes, desleixos!!!... Sherpas!!!...

... as gordas com... "velhos"/ no "pintas"!!!...