... reposição de COISAS minhas, actuais e antigas, algumas fotografias!!!... Sherpas!!!...
terça-feira, 8 de janeiro de 2008
... conjunto de sombras!!!...
… cores cinzentas, esbatidas,
aglomerado de rostos indefinidos,
turba avultada de sons, de saídas,
poucas entradas, números reduzidos,
grupo mais restrito, ponteado,
situação avulsa, desconforme, esquisita,
agitado, sem sossego, meio acordado,
num entremear de sono ligeiro,
bem estendido no leito, onde me ajeito,
numa noite, igual a tantas outras,
não conseguindo destrinçar,
o sonho, da realidade… sombras,
caras que me foram queridas,
que transporto sempre comigo,
no interior do meu ser… que vão ficar!!!...
… que arrasto, enquanto vivo,
passado longínquo,
início da minha existência,
sentires, dores, paixões,
mais diluídos, quase em falência,
amizades, conluios, sofreguidões,
tempos idos que me traem,
quando, embalado por emoções,
me deito, não durmo, me saem,
me acompanham, não atormentam,
me lembram que estão presentes,
perenes, bem marcados,
quando revivem, intentam,
me tocam, não chocam,
me fazem lembrar… seres ausentes!!!...
… dou uma volta, reviravolta,
olhos cerrados, cabeça desperta,
que se prolonga, alonga,
diviso sorriso amigo, recordo,
sem protecção, sem escolta,
sem gritaria nem alerta,
local estranho, uma escola,
companheiros da altura, incerta,
situação caricata, estranha,
que me amedronta, me apanha,
que me reduz, me confunde,
numa penumbra que se alastra,
numa sombra que se afasta!!!...
… noite, mal dormida,
imensa, no seu tamanho,
intensa, no seu engano,
sonho malfazejo, castigador,
não pesadelo, recordações,
guardadas em mim, bem no fundo,
memórias que doem, percepções,
vestígios duma vida, dum Mundo,
já passado, arrecadado,
tão poucas vezes… recordado!!!... Sherpas!!!...
... carroceiros!!!... (antiga)
... pela maneira como conduzem uma carroça, se avaliam os carroceiros e os que nela são transportados... estamos muito mal conduzidos e os carroceiros não passam disso mesmo de simples carroceiros, não no sentido pejorativo porque, na minha mocidade, conheci e convivi com muitos a quem respeitava e considerava como pessoas de poucas letras mas de rígidos princípios e extrema dignidade...eram alentejanos doutros tempos, verticais, os tais que labutavam de sol a sol, nos tempos da lavoura, não a de Paulo Portas que a via e a entendia sob outro prisma, de cima para baixo, dos lavradores latifundiários para os maiorais, manajeiros, vaqueiros, pastores e ganhões (mão de obra barata e escrava) os que, aos poucos, se transformaram em trabalhadores à jorna, nas ceifas, nas mondas, na apanha da azeitona ou como tractoristas, reduziram o horário de trabalho e foram sistematicamente reformados, com aposentações de miséria, das lides campestres, hoje, inexistentes porque sai mais rentável, aos donos das terras, não as trabalhando porque ganham balurdios em subsídios e não pagam o devido aos alentejanos, se porventura, trabalhassem na lavoura...o Alentejo passou a ser uma espécie de deserto do Saahrá, com alguns Oásis, as quintinhas e as casinhas de campo dos alfacinhas (políticos ou não) e dos empresários do Norte, os que brincam com os seus berloques e com os seus brinquedos por aquelas paragens, deixando algumas migalhas aos indígenas... e assim vai o baile, alguns se divertem e muitos, muitíssimos vão vegetando no seu dia a dia, nesta carroça mal conduzida por determinados carroceiros, não os do Alentejo, os que se não avaliam a eles próprios, os que antes se convencem do que não são porque gostam bastante de olhar para o umbigo, dar uma vida fácil aos apaniguados e aos amigos do peito, esquecendo velhas promessas, regidos por obsessões vagas e ambíguas, gostando das asneiras que praticam, aprovadas com a conivência dos apalermados toureiros e alaranjados da Assembleia Nacional... fracas cabeças pensantes, mal conduzidas por esta fraca extirpe de carroceiros que esquecem os que vão atirando para as urtigas, cada vez em maior número, os que se quedam na vil condição de desempregados, meio passo dado para a pobreza, para a miséria, para um futuro sem perspectivas. Pois é, parece que o mal agora é da conjuntura... já foi de tantas COISAS esta COISA que se não convence que não serve, não presta, está inadequada para a realidade portuguesa, que ainda vai acentuar mais as desigualdades entre as pessoas, entre as regiões, cavar um fosso mais fundo entre os que tudo têm e os que estão nus, nada possuem no presente e muito menos no futuro... bem falavam eles em acabar com as assimetrias existentes na sociedade e no território, vê-se, não vê???...Está-se a ver, tal como a extinção dos governadores civis, a descentralização dos órgãos do poder, a equidade nas tributações e nas economias pessoais e colectivas(regiões), as zonas da grande Lisboa, todo o litoral, norte, centro e sul e o interior, o malfadado interior cada vez mais desértico e sem qualquer tipo de hipóteses, a não ser no lado poético da questão e no facto de estar na moda para os endinheirados que lá deixam umas sobras para os naturais e residentes, para não dizer, resistentes, os mais velhos, os que ficam sem os filhos que, estes, vão para os grandes centros em busca dum modo de vida, a única saída ou então metem-se na política a sério e...mais tarde ou mais cedo sempre terão direito a um bocado, uma fatia do bolo. Enfim, como alguns dizem, é o exercício salutar e gratificante do PODER (ao próprio, a quem o exerce) ao invés do que sempre pensei, o nobre sacrifício de servir com dignidade os portugueses e Portugal, no seu todo, sem assimetrias, com mais equidade dando exemplos e servindo de referência a toda uma Nação... está tudo mudado, numa trapalhada tão trapalhona que os não consigo perceber, aos que estão a conduzir esta carroça, estes maus carroceiros que se não avaliam e nos põem a todos, os que vão na carroça, numa condução muito perigosa, com resultados catastróficos, sem rumo, sem ninguém ao leme, sem objectivos mas com um fim:
- O desastre total, na precariedade, no desemprego, na saúde, no ensino, na segurança... a desigualdade profunda a nível pessoal e territorial...as grandes comezainas para alguns e a pobreza e a miséria para muitos...as mordomias escandalosas para uma minoria, os impostos e carestias de vida para os de sempre...vergonha nacional... Sherpas!!!...
- O desastre total, na precariedade, no desemprego, na saúde, no ensino, na segurança... a desigualdade profunda a nível pessoal e territorial...as grandes comezainas para alguns e a pobreza e a miséria para muitos...as mordomias escandalosas para uma minoria, os impostos e carestias de vida para os de sempre...vergonha nacional... Sherpas!!!...
segunda-feira, 7 de janeiro de 2008
... era uma vez!!!...
… era uma vez,
num cantinho de lazer,
uma figura que… se fez,
um ter de ser,
não levava nada a mal,
brincava, cantava,
figura virtual,
não se vinculava,
não o fazia por mal,
limitava-se, a escrever,
para… se entreter!!!...
… era uma vez,
uma sombra passageira,
misto de coisas, talvez,
mui distintas, diversas,
sem eira, nem beira,
tendo vias… mui dispersas,
sem prisão, sem fronteira,
saltitante… com emoção,
tendo o Mundo na mão,
pensava, prepotente,
triste ser… triste gente!!!...
… era uma vez,
uma insignificância,
isolada, convencida,
de tão pouco… jaez,
com alguma jactância,
elevada, diminuída,
numa contradição perfeita,
consoante a própria vida,
já perdida, de vencida,
consolada… quando eleita,
vezes por outras,
virtualidades loucas,
insensatas, ridículas,
caricatas… partículas!!!...
… era uma vez,
deixou de ser, talvez,
entre tanta figura anónima,
mais uma, homónima,
na identidade escondida,
pérfida, ínvia… temida,
controversa,
adversa,
descontrolada, esfuziante,
pensativa, calma… insignificante,
quando se pára, repara,
que não é coisa rara,
que é uma coisa qualquer,
homem, mulher,
quando escreve, prosando,
quando poetisa, escrevendo,
pensando, gozando,
rindo, chorando… gemendo,
passageiro, afinal,
coisa pouca… virtual!!!... Sherpas!!!...
... era proibido!!!...
… era proibido,
proibiam a dignidade,
simples animais irracionais… indigno,
pura verdade,
força bruta, sem paga alguma,
de pouco… que era,
naquele tempo passado,
naquela era,
já ultrapassado,
fazendo fortuna,
para o dono, para o patrão,
Senhor superior, distante,
aberração,
gentes que não eram gentes… aviltante,
tão longe, tão perto,
no campo, a céu aberto,
com chuva, com frio,
calor no Verão, no Estio,
trabalho braçal, forçado,
tão mal compensado,
escória, um fardo… um escravo!!!...
… cumprindo horários,
bem pesados,
numa fuga breve, sem greve,
fazendo turnos,
diurnos, nocturnos,
tal como no campo,
sem escolha… trabalho esforçado,
muito mal pago,
na fábrica, na oficina,
operários,
erários,
não deles… gregários,
sombrios, bisonhos,
sem sonhos,
escravos, fardos… escória,
sem estória!!!...
… mangas de alpaca,
serventes, pedreiros,
toda uma praga,
malteses,
às vezes… ganhões,
por conta dos agrários, seus patrões,
donos das terras,
nas minas… os mineiros,
soldados para guerras,
carpinteiros,
artesãos, cozinheiros,
criadas e criados,
amas… de meninos birrentos,
produzidos, mal educados,
briguentos,
de pessoas,
simples intentos!!!...
… nas terras, nas fábricas,
desequilibradas… desajustadas,
dando o corpo ao manifesto,
numa canseira, fadiga imensa,
um passo atrás, muito menos,
fazendo, desfazendo,
tal como o homem, assim pensa,
aquela a quem queremos,
nossa mulher, querendo,
cumprindo… papel de mãe, dona de casa,
tanto fora, como dentro,
trabalhando,
penando!!!...
… fúria de vida,
sombras tenebrosas,
fantasmas… fugida,
tempos desalmados,
sugados, calcados,
humilhados… sem serem, sequer,
tanto o homem, como a mulher,
obliterados… usados!!!...
… veio o Abril risonho,
logo a seguir… Maio, o primeiro,
instituído, gritado, um sonho,
igualdade, liberdade, pioneiro,
direitos adquiridos,
alguns… já perdidos,
salários justos, mais elevados,
uma luta, um ajuste, umas contas,
uma greve, braços, punhos… levantados,
um querer, um novelo, muitas pontas,
insatisfação que se aponta,
ruge o vento, passa a brisa,
acalmia que tarda, que se agita,
quanta esperança se alberga, nesse dia,
o primeiro de Maio… a alegria,
do que sonha, do que pensa,
do que quer mudar,
conquistar… o que intenta!!!... Sherpas!!!...
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