... reposição de COISAS minhas, actuais e antigas, algumas fotografias!!!... Sherpas!!!...
quarta-feira, 12 de dezembro de 2007
... Fernão Mendes...
… Fernão Mendes???... Minto???... Não!!!...
Fernão Mendes Pinto,
o da peregrinação,
navegador da aventura,
cavalheiro da desgraça,
pura verdade,
não chalaça,
homem, raça, vocação,
curioso, vendedor, sumidade,
interrogação,
com tanto caso, emoção,
descrição, naqueles tempos,
escritor,
de passagens, de momentos,
um senhor,
verdadeiro peregrino,
sem destino,
com objectivo real,
nascido em Portugal,
País tão diferente,
origem de criaturas superiores,
entre toda… esta gente,
que, junto ao mar, sente
necessidade de partir… conhecer,
ver, com olhos de ver,
com acasos, sem acasos,
puros percalços, ocasos,
enquanto a vida se vai,
se dilui… nos vai!!!...
… sempre tivemos gentes destas,
por portas, por travessas,
muitas vezes… disfarçadas,
obscurecidas, pouco notadas,
menos valias se avantajam,
por regalias, favores,
figuras, bem menores,
com nome, mas… inferiores,
sem pinga de criação,
copiadores, citadores, transcritores,
repetindo à exaustão,
ladainhas doutros escritores,
fazendo gala, vistão,
profunda… aberração,
perante os que são,
o que… são!!!...
… verdade, mentira, disfarce,
mania, usufruto, valia,
descrever, vivências… com arte,
coisas do dia-a-dia,
numa peregrinação, sem destino,
simples passeio… devaneio,
uma caminhada, um caminho,
um escrito que leio,
um escrito que faço,
quando desfaço,
pedaços da minha alma,
coração mais que partido,
dum corpo, que se acalma,
depois de ter sentido,
uma chama, um sinal, um aviso,
ganho e perco… o juízo,
escrevo, sem parar,
como panaceia… para o meu mal!!!...
… de Fernão… o da Peregrinação,
simples Amostra, reduzida,
nem pretensão,
tão pouco… a época, a vida!!!... Sherpas!!!...
terça-feira, 11 de dezembro de 2007
... acabou-se a manta dos... mendigos!!!... (antiga)
…foi-se o Verão, foi-se o calor, a manta do indigente, do desgraçado da rua, do miserável abandonado, do que, por mais que procure, não encontra, um ombro amigo, a seu lado!!!...No Verão, vá que não vá, num banco de jardim, num portal, num recanto qualquer, no chão duro, como cama, tendo o calor do Verão, como manta, lá se vai passando, sem frio, um pouco mais acomodado, no seu viver despreocupado, abandonado, posto de lado…depois, bem, depois sempre vão aparecendo uns voluntários assumidos que lhes vão distribuindo, umas sopas, umas sandes, numa rua qualquer, sempre há um homem, uma mulher que param, os olham, os confortam, lhes oferendam uma moeda que cai num bolso vazio…quando tem o suficiente, avança com rumo certo, como indigente alcoolizado, para a taberna do lado, onde dá mais uma cavadela na sepultura ansiada…meio consciente, embriagado, arrasta seu triste fado, pelas ruas da amargura, esquecido, posto de lado…do mal o menos que, no Verão, tempo quente, confortável, está-se mais abrigado, com o calor como manta, com o chão como cama…mas o Verão é uma estação, um tempo que se acaba, que vai embora deixando chuva e frio, com abundância…é vê-los, aos coitados, enrodilhados, tremendo, pelos cantos com jornais, com cartões aos montões, casinhas piores do que as dos cães onde morrem seus pecados, seus perdões, com indiferença total dos que não olham, vão em frente, como faz a maioria da gente:
…a chuva cobre a cidade/como um manto transparente/caindo com intensidade/lavando casas, molhando gente/arrastando o lixo das ruas/regando todas as plantas/secas, sem folhas, nuas/anteriormente plantadas/quase sempre, abandonadas/como os marginalizados/semeados em cantos, molhados/plantas murchas, quase mortas/vivem nas ruas, fora de portas/esquecidos pelos acomodados/falsos messenas, escariotes/hipócritas ajuizados/possuem tudo, aos magotes/pouco gostam de partilhar/férteis na arte do não olhar,/que não vêm, não querem ver/os que se fartam de sofrer/neste Inverno, noutros mais/que massacram os carentes/como se fossem animais/os irracionais inocentes/como Cristos párias, crucificados/escarros duma sociedade/que se habituou a pô-los de lado/porque não aderem ao sistema/são, por ele, marginalizados/até morrerem, inanimados/num beco, numa avenida/numa morte triste, não sentida/não chorada, logo esquecida/pelos miseráveis invidentes/nas igrejas, muito crentes/nas ladainhas, nas orações/entoadas em conjunto/junto às imagens das ilusões/tantas que até as confundo/nos empolados sermões/dos curas, dos sacerdotes/mui hipócritas, mercenários/adoram o dinheiro, a potes/se portam como falsários/nas atitudes que não tomam/para os que não vivem e morrem/para os que, quase abandonam/porque não os sentem, nem querem/tal como aquela crucificação/que lhes deu uma religião/a dum Mestre que foi irmão/destes desvalidos, sofredores/seus dilectos, maiores amores!.../A chuva cobre a cidade/eu choro esta verdade!!!
…não seria tempo, mais que suficiente, que as instituições competentes se debruçassem com mais afinco e denodo perante factos destes, dos mais insignificantes e vulgares, dos mais anónimos cidadãos de Portugal que, por razões várias, foram arrastados para esta cruel situação, onde vegetam na mais abjecta miséria, perante os olhos dos que não vêem ou não querem ver, porque ficam incomodados e se limitam a olhar em frente, a encolher os ombros e…é como se nada???...É tempo de se inverterem situações como estas, mais duras e cruéis, com o frio, com a chuva, de se prevenirem, de se canalizarem os nossos impostos para estas bandas, tão esquecidas dos que, como pavões inchados, se passeiam pelo Mundo, pelos salões, pelas convenções, pelas mordomias de que não abdicam, pela incompetência que não reconhecem, quando a praticam irresponsavelmente…errar é humano mas reconhecer os nossos erros e emendá-los é mais humano e digno…quando não servimos os que devemos servir não devemos ter vergonha de abandonar o barco e ceder o lugar, amavelmente, a quem consiga ser mais competente do que nós, penso eu… simplesmente… Sherpas!!!...
…a chuva cobre a cidade/como um manto transparente/caindo com intensidade/lavando casas, molhando gente/arrastando o lixo das ruas/regando todas as plantas/secas, sem folhas, nuas/anteriormente plantadas/quase sempre, abandonadas/como os marginalizados/semeados em cantos, molhados/plantas murchas, quase mortas/vivem nas ruas, fora de portas/esquecidos pelos acomodados/falsos messenas, escariotes/hipócritas ajuizados/possuem tudo, aos magotes/pouco gostam de partilhar/férteis na arte do não olhar,/que não vêm, não querem ver/os que se fartam de sofrer/neste Inverno, noutros mais/que massacram os carentes/como se fossem animais/os irracionais inocentes/como Cristos párias, crucificados/escarros duma sociedade/que se habituou a pô-los de lado/porque não aderem ao sistema/são, por ele, marginalizados/até morrerem, inanimados/num beco, numa avenida/numa morte triste, não sentida/não chorada, logo esquecida/pelos miseráveis invidentes/nas igrejas, muito crentes/nas ladainhas, nas orações/entoadas em conjunto/junto às imagens das ilusões/tantas que até as confundo/nos empolados sermões/dos curas, dos sacerdotes/mui hipócritas, mercenários/adoram o dinheiro, a potes/se portam como falsários/nas atitudes que não tomam/para os que não vivem e morrem/para os que, quase abandonam/porque não os sentem, nem querem/tal como aquela crucificação/que lhes deu uma religião/a dum Mestre que foi irmão/destes desvalidos, sofredores/seus dilectos, maiores amores!.../A chuva cobre a cidade/eu choro esta verdade!!!
…não seria tempo, mais que suficiente, que as instituições competentes se debruçassem com mais afinco e denodo perante factos destes, dos mais insignificantes e vulgares, dos mais anónimos cidadãos de Portugal que, por razões várias, foram arrastados para esta cruel situação, onde vegetam na mais abjecta miséria, perante os olhos dos que não vêem ou não querem ver, porque ficam incomodados e se limitam a olhar em frente, a encolher os ombros e…é como se nada???...É tempo de se inverterem situações como estas, mais duras e cruéis, com o frio, com a chuva, de se prevenirem, de se canalizarem os nossos impostos para estas bandas, tão esquecidas dos que, como pavões inchados, se passeiam pelo Mundo, pelos salões, pelas convenções, pelas mordomias de que não abdicam, pela incompetência que não reconhecem, quando a praticam irresponsavelmente…errar é humano mas reconhecer os nossos erros e emendá-los é mais humano e digno…quando não servimos os que devemos servir não devemos ter vergonha de abandonar o barco e ceder o lugar, amavelmente, a quem consiga ser mais competente do que nós, penso eu… simplesmente… Sherpas!!!...
... Galiza!!!... (antiga)
...região ou…país, mais ou menos independente, porque antigo, porque diferente, porque característico, harmonizado, com costumes próprios, com religião muito arreigada, com sentimento demarcado, muito seu, muito isolado, não desconforme, esbatido…diluído, como se nada!!!...Eis a questão, a que se impõe, a que se discute, a que interessa aos galinfões, aos sem fronteiras, aos forrados, aqui e em qualquer lado, porque sim…sua Pátria é o dinheiro e este, para mal de quem o não tem, não é patriota, nem um pouco!!!...
…já há uns tempos recuados, desde há cinquenta anos atrás, depois de uma guerra cruel, de uma mortandade horrorosa, de uma carnificina total, os vencedores, pobres coitados, porque perdedores também, se debruçaram sobre um papel, um mapa, o da Europa, com uns laivos de África, ali ao norte, descambando para oriente, a meio…decidiram, com lápis, régua e esquadro, em cima do joelho, não respeitando nada, nem ninguém, a seu jeito, fazer países, vários, com nomes, com fronteiras, misturando e baralhando, raças e credos diferentes, tudo ao molho, pois então!!!...
…e, deu no que deu, continua dando, nunca mais acaba, para nosso mal, de toda a humanidade!!!...
…um som distante, uma gaita/gaiteiro da linda Galiza/gente que dança, que salta/na paisagem que se harmoniza/oceano que se vislumbra/sonho que se idealiza/névoa, na penumbra/amanhecer pardacento/entre vales, entre montanhas/num determinado momento/nesta região, nas suas entranhas/tão longínqua, tão afastada/desta, de todas as Espanhas/mais portuguesa, mais irmanada/na língua, músicas, danças/nos costumes, nos cantares/no viver, nas usanças/mutuamente familiares/ai Portugal, ai Portugal/tão próximo te encontramos/ai Portugal, ai Portugal/quanto mais te afastam/ mais te amamos/Galiza de Portugal/terra de encantamento/não há outra mais igual/que o Minho, por sentimento/nesse Portugal tão lindo/nesse País que entendo/onde sou sempre bem-vindo/para onde emigro, com agrado/terra de Celtas, do passado/terra das nossas origens/onde vives, não finges/onde te sentes abrigado/onde és sempre desejado!!!...
…não sou nacionalista ferrenho, sou português, sinto-me como tal e, sinceramente, não gosto de misturar alhos com bugalhos!!!...Que querem, nasci assim, hei-de morrer, se os Deuses o permitirem, do mesmo modo, continuando sendo o que sou, português dos sete costados!!!...Antes do meu sentir, sempre me considerei e…considero, cidadão do Mundo, tão mal tratado, ultimamente!!!...Penso que, organizar, por imposição, forçosamente, por interesses económicos, qualquer Nação que se pretenda grande, poderosa, traz consequências graves e gravosas para os que assim pensam, para os que pensam em sentido contrário, criando aversões, desavenças, originando matanças entre gentes, entre raças, entre crenças…porque diferentes!!!...
…nunca compreendi como se pode matar uma língua, como se pode impor língua estranha, como se podem quebrar costumes e usos de antepassados, de tempos recuados, longínquos, mas perenes, sempre presentes, mesmo que proibidos, perseguidos por leis que se cozinham, se amalgamam num livro único…qualquer Constituição!!!...Não tenho nada que ver com grupos separatistas, respeito-os, lá terão as suas razões…ou não!!!...É com eles!!!...
…grandes Impérios, regiões agigantadas, descomunais, federações, mais ou menos alargadas, histórias diversas, memórias e referências variadas, de costas voltadas, umas contra outras, sem identidades comuns, sem elos de ligação…como base, não sólida, um simples cifrão!!!…Dá que pensar, traz convulsão, provoca incómodo, mau estar, até rebentar!!!...Já aconteceu, está-se a dar, continua-se vendo a cada momento!!!...Será que o homem, esse boneco caricato, esse títere convencido…não aprende, nem com os seus próprios erros???...Mas, quem sou eu???...Sherpas!!!...
…já há uns tempos recuados, desde há cinquenta anos atrás, depois de uma guerra cruel, de uma mortandade horrorosa, de uma carnificina total, os vencedores, pobres coitados, porque perdedores também, se debruçaram sobre um papel, um mapa, o da Europa, com uns laivos de África, ali ao norte, descambando para oriente, a meio…decidiram, com lápis, régua e esquadro, em cima do joelho, não respeitando nada, nem ninguém, a seu jeito, fazer países, vários, com nomes, com fronteiras, misturando e baralhando, raças e credos diferentes, tudo ao molho, pois então!!!...
…e, deu no que deu, continua dando, nunca mais acaba, para nosso mal, de toda a humanidade!!!...
…um som distante, uma gaita/gaiteiro da linda Galiza/gente que dança, que salta/na paisagem que se harmoniza/oceano que se vislumbra/sonho que se idealiza/névoa, na penumbra/amanhecer pardacento/entre vales, entre montanhas/num determinado momento/nesta região, nas suas entranhas/tão longínqua, tão afastada/desta, de todas as Espanhas/mais portuguesa, mais irmanada/na língua, músicas, danças/nos costumes, nos cantares/no viver, nas usanças/mutuamente familiares/ai Portugal, ai Portugal/tão próximo te encontramos/ai Portugal, ai Portugal/quanto mais te afastam/ mais te amamos/Galiza de Portugal/terra de encantamento/não há outra mais igual/que o Minho, por sentimento/nesse Portugal tão lindo/nesse País que entendo/onde sou sempre bem-vindo/para onde emigro, com agrado/terra de Celtas, do passado/terra das nossas origens/onde vives, não finges/onde te sentes abrigado/onde és sempre desejado!!!...
…não sou nacionalista ferrenho, sou português, sinto-me como tal e, sinceramente, não gosto de misturar alhos com bugalhos!!!...Que querem, nasci assim, hei-de morrer, se os Deuses o permitirem, do mesmo modo, continuando sendo o que sou, português dos sete costados!!!...Antes do meu sentir, sempre me considerei e…considero, cidadão do Mundo, tão mal tratado, ultimamente!!!...Penso que, organizar, por imposição, forçosamente, por interesses económicos, qualquer Nação que se pretenda grande, poderosa, traz consequências graves e gravosas para os que assim pensam, para os que pensam em sentido contrário, criando aversões, desavenças, originando matanças entre gentes, entre raças, entre crenças…porque diferentes!!!...
…nunca compreendi como se pode matar uma língua, como se pode impor língua estranha, como se podem quebrar costumes e usos de antepassados, de tempos recuados, longínquos, mas perenes, sempre presentes, mesmo que proibidos, perseguidos por leis que se cozinham, se amalgamam num livro único…qualquer Constituição!!!...Não tenho nada que ver com grupos separatistas, respeito-os, lá terão as suas razões…ou não!!!...É com eles!!!...
…grandes Impérios, regiões agigantadas, descomunais, federações, mais ou menos alargadas, histórias diversas, memórias e referências variadas, de costas voltadas, umas contra outras, sem identidades comuns, sem elos de ligação…como base, não sólida, um simples cifrão!!!…Dá que pensar, traz convulsão, provoca incómodo, mau estar, até rebentar!!!...Já aconteceu, está-se a dar, continua-se vendo a cada momento!!!...Será que o homem, esse boneco caricato, esse títere convencido…não aprende, nem com os seus próprios erros???...Mas, quem sou eu???...Sherpas!!!...
domingo, 9 de dezembro de 2007
... açorda!!!... (antiga)
- Almoço do pobre/sopa de pão, sopa de fome/açorda colorida/cheirosa, magra, sofrida/com um pouquinho de nada/com um pouquinho de tudo/com sabor, sem entrada/num prato raso, sem fundo/uns restos de côdea dura/num alguidar de barro/um azeite de cor escura/água do cântaro de barro/um alhinho de tempero/sal pouco, com esmero/um poejo, para dar cheiro/bem quente, a ferver/que faz soprar e passar tempo/a essa gente que, no sofrer/se cura, a todo o momento/com cantigas lânguidas/chorosas e sofridas/nas fainas duras, custosas/mal pagas, pelos patrões/donos de terras rendosas/de empregados, aos montões/alheios a todas as açordas/com mesas amplas e fartas/com barrigas grandes e gordas/esquecidos das pessoas magras/pobres e esfomeadas!...
...já o A. Aleixo dizia, numa das suas quadras emblemáticas e filosóficas, evidenciando as qualidades nutritivas e saborosas do pão e a grandeza de alma do Povo ao qual me orgulho de pertencer(não é assim, meu caro Marafado???...):
- Gosto de apertar a mão/ dura dos calos que tem/também as côdeas de pão/são duras, mas sabem bem!...
...palavras para quê, nesta açorda simples e vulgar, tão insignificante como eu, se revê todo um povo que, nunca esteve bem, no passado, menos, agora, no presente!!!...Porque será, pergunto a mim próprio, que a desdita nos persegue, a indiferença nos acompanha, a carência é confidente, a miséria uma maldição???... Outro fado cantaria se, em número, fôssemos mais significativos e contássemos para os que, em nós, pouco distinguem e nos ignoram, sistematicamente... Sherpas!!!...
... trapos!!!...
Trapos
Vamos todos convencidos,
muito assumidos, vaidosos,
com uns trapos, produzidos,
que mostramos, orgulhosos,
esquecendo, por uns momentos,
que o de dentro é que interessa,
tal como os pobres jumentos,
que, há muito, não vão nessa
pois sabem, e com razão,
que albardados a preceito,
não deixam de ser o que são,
um burro ou burros, sem jeito,
manejados, sob pressão,
por um ou outro sujeito
que não lhes dão muita atenção,
estejam ou não estejam perfeitos,
bem ou mal albardados,
vão vivendo com a impressão
de serem asnos, bem carregados,
convencidos, sem ilusão,
diminuídos, enxovalhados,
tal como certos humanos,
diferentes, num pormenor,
baixos, altos, de vários tamanhos,
que se sentem na “maior”
quando, saídos dos rebanhos,
se vestem com atavios,
com fardamentas de luxo,
luzindo físico e brios,
como a água num repuxo,
chamativa, espectacular,
impantes e maravilhados
consigo e com o seu bem estar,
por se verem bem albardados,
continuando a ser burros,
aparentemente afastados,
das estrebarias, dos seus curros!...
Elvas, 4 de Dezembro de 1 999
Sherpas!!!...
Vamos todos convencidos,
muito assumidos, vaidosos,
com uns trapos, produzidos,
que mostramos, orgulhosos,
esquecendo, por uns momentos,
que o de dentro é que interessa,
tal como os pobres jumentos,
que, há muito, não vão nessa
pois sabem, e com razão,
que albardados a preceito,
não deixam de ser o que são,
um burro ou burros, sem jeito,
manejados, sob pressão,
por um ou outro sujeito
que não lhes dão muita atenção,
estejam ou não estejam perfeitos,
bem ou mal albardados,
vão vivendo com a impressão
de serem asnos, bem carregados,
convencidos, sem ilusão,
diminuídos, enxovalhados,
tal como certos humanos,
diferentes, num pormenor,
baixos, altos, de vários tamanhos,
que se sentem na “maior”
quando, saídos dos rebanhos,
se vestem com atavios,
com fardamentas de luxo,
luzindo físico e brios,
como a água num repuxo,
chamativa, espectacular,
impantes e maravilhados
consigo e com o seu bem estar,
por se verem bem albardados,
continuando a ser burros,
aparentemente afastados,
das estrebarias, dos seus curros!...
Elvas, 4 de Dezembro de 1 999
Sherpas!!!...
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